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O DIA DO PAPAI
WALDA MENEZES
Numa época em que mais mulheres se declaram responsáveis pelo lar, seja por não terem marido ou por trabalharem para o próprio sustento e o dos filhos, o fato é que o século XXI está cimentando um padrão de Nova família.
Diminuiu a incessante busca do amor romântico que vicejava até meados do século XX: a lei do Divórcio e a liberação feminina enfraqueceram a tolerância que fazia contornar e suportar as pequenas e/ou as grandes dificuldades das relações conjungais.
O que vem por aí, só o tempo dirá... Por enquanto, todo o blá blá blá a respeito não garantiu a felicidade maior do ser humano.
Por isso, convém aproveitar o que ainda temos em matéria de comunhão familiar, seja a nossa família moderna ou à antiga (o que é bastante raro). Honrar o Dia do Papai, oferecendo o nosso carinho àquele que foi ou é ainda o operário do lar, o provedor, o timoneiro onipresente. Mesmo que não seja dos que ficam à frente do seu núcleo familiar, mesmo dividido ou separado da família original, vai valer mandar-lhe um cartão, dar um telefonema ou melhor do que tudo, juntar-se a ele e a todos da família que assim o desejem, em volta da mesa, do jeito como fazíamos nos tempos de criança.
PAIS E FILHOS
Augusto Rodrigues, pintor, escritor, educador, fundador da escolinha de Arte do Brasil que, embora falecido, é lembrado pelos seus sábios conceitos: "Educar é obra de amor. Foi essa a lição que aprendi e que sempre procurei empregar, como autêntico papel de pai."
Moacyr Felix, escritor, poeta premiado: "Isto era a infância: o tempo a marcar quase imperceptivelmente no rosto dos pais e sobre uma estrada que depois, compreendemos ter sido a deles, pais, a nossa. A nossa vida que então, fizeram ou tiveram que fazer deles, por renúncia, por necessidade de compensação ou por amor. Mais certamente pela soma de tudo isso conduzindo-os rumo ao "ser pai", como a única forma de se sentirem humanos, criadores.."
Gary B. Lundberg, escritor americano, analisando o comportamento de filhos adultos frente a pais idosos no livro "Eu não tenho que resolver tudo", da Editora Rocco: No final das contas, o que nossos pais mais precisam independentemente de sua idade, é o que todos precisamos: saber que temos valor, que os sentimentos são importantes e que alguém se importa com eles.
PAI: HERÓI NECESSÁRIO
VERA IACONELLI
Diante da proximidade do dia dos pais nos fazemos a seguinte pergunta: como
vão os pais? Qual o lugar que ocupam essas figuras masculinas na nossa
cultura hoje? Se pensarmos nos pais dos nossos pais ficava mais óbvio
associar o homem à idéia de autoridade, de respeito e, muitas vezes, temor. A
palavra do pai era vista como a lei dentro da família. A mãe dando jeitinhos "femininos" para driblar o poder paterno. E atualmente? Essa idéia de
austeridade paterna está cada vez mais diluída na troca de papéis entre homem
e mulher.
A função paterna que põe ordem, dita regras e cobra obediência ou a função
materna que acolhe, lida com os afetos e é mais permissiva, não estão mais
diretamente associados ao homem e a mulher, necessariamente. Mesmo por que os
casais nem sempre são duplas heterossexuais e, no entanto, essas funções
podem muito bem estar presentes na educação dos filhos. Repetindo: casais que
criam e educam filhos, ou mesmo, pessoas que estão sozinhas nessa tarefa, de
ambos os sexos, podem exercer as duas funções: de acolher e de disciplinar.
Se dizíamos que a mãe é quem acolhe, é porque todo o aspecto da maternidade
(gestação, parto e puerpério) é eminentemente feminino e a fase posterior,
onde a criança se volta para o mundo externo, depende de separar-se da mãe e
tende a ser exercida pelo pai. Longe deste primeiríssimo momento da
maternagem, os papéis começam a se tornar mais complexo e cambiáveis.
A transformação da mulher, suas conquistas sociais e, por outro lado, a
possibilidade do homem lidar com seus afetos antes negados, trouxe muitas
mudanças. Vivemos ainda uma fase de grande instabilidade na aquisição desses
novos papéis. Homens e mulheres, ou casais de todos os matizes, ainda não
parecem ter chegado a um acordo satisfatório. Há muitos desencontros e
ressentimentos. E como ficam nossos filhos diante desse tiroteio? Como lidam
com a visão, nem sempre positiva, que os pais têm uns dos outros?
Chegamos no ponto que gostaria de ressaltar. Muitas mães, insatisfeitas com
os pais de seus filhos, acabam lidando de forma ambígua com a figura do pai
-- é claro que isso é uma rua de mão dupla, mas digamos que me proponho a
olhar hoje para o pai. Deixam transparecer que não respeitam, não admiram e
não dão valor para o homem e para o pai de seus filhos. O que conseguem com
isso?
Se a intenção é alertá-los "para que não sofram mais tarde a decepção de
perceber os pais que têm", não vai dar certo. O olhar dos filhos para os paisé diferente do olhar do cônjuge ou parceiro. O filho veio desse pai e se ele
não é considerado honrado pela mãe, os filhos, como seus produtos, também não
o são. Não dá para falar mal de algo que nos diz respeito sem nos ofender. Se
os "homens são todos iguais", o que serão nossos filhos homens e a quem
almejarão nossas filhas? Se tirarmos o valor do pai, tiramos valor de sua
descendência também.
Talvez alguns pais tenham errado sensivelmente, cometido um crime hediondo e
estejam passando o Dia dos Pais na cadeia, talvez magoaram e feriram seus
filhos, mas em algo seu valor deve ser reconhecido: são deles a origem da
vida desses filhos, junto a suas mães. Não falo isso para alegar inocência,
mas para dar uma segunda chance aos filhos de se considerarem dignos.
Algum heroísmo nos pais é sempre necessário. Feliz Dia dos Pais!
Vera Iaconelli é mestre em Psicologia pela USP, psicoterapeuta corporal
biodinâmica de dultos e crianças e professora do curso de formação em
Psicologia Biodinâmica do IBPB - Instituto Brasileiro de Psicologia
Biodinâmica. Ela coordena a Clínica Gerar - Escola de ais, que
surgiu da necessidade de cuidar de crianças de uma forma profilática,
prevenindo as dificuldades futuras e auxiliando os pais na formação dos filhos.
DIA DOS PAIS
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A norte-americana Sonora Louise Smart Dodd ao ouvir um sermão no dia dedicado às mães em 1909, teve a idéia de criar o Dia dos Pais. A moça pretendia homenagear William Jackson Smart, seu próprio pai, militar que criou sozinho seus seis filhos, logo após a morte de sua esposa em 1898.
Então, em 1910, Sonora enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane, cidade localizada em Washigton, Estados Unidos. E também pediu auxílio para uma Entidade de Jovens Cristãos da cidade. O primeiro Dia dos Pais norte-americano então foi comemorado em 19 de junho daquele ano, aniversário de Smart. A rosa foi escolhida como símbolo do evento. As vermelhas eram dedicadas aos pais vivos e as brancas, aos falecidos.
A partir daí a comemoração difundiu-se da cidade de Spokane para todo o estado de Washington. Em 1972, tornou-se uma festa nacional com a oficialização do então presidente Richard Nixon. Desde então, nos Estados Unidos, o Dia dos Pais passou a ser comemorado no terceiro de junho.
Conta-se que no Brasil a criação da data é atribuída ao publicitário Silvio Bhering em meados da década de 50. Foi em 14 de agosto de 1953 que foi comemorado pela primeira vez o Dia dos Pais no País. A data foi alterada para o segundo domingo de agosto por questões comerciais.
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