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OS MAIORES Aqui você vai ler assuntos de várias áreas voltados ao envelhecimento, ligados ao que está acontecendo ou ao que devemos estar atentos.
O OUTONO DA VIDA
É bom conhecermos e vivermos de corpo e alma as estações da vida . Muito bom também colhermos flores primaveris , plantarmos rosas , alimentarmos com todas as forças do nosso eu os momentos que os verdes anos espalham ao nosso redor ,trazendo sempre em seus convites o sabor gostoso de deleitarmos o desconhecido.
Pouco a pouco no entanto quase sem que pressintamos o calor do verão vai se aproximando com nuances mais coloridas , e começamos a rever os nossos sonhos de ontem como imagens apagadas onde pouco ou raramente usávamos a razão. É quando aprendemos a caminhar com mais prudência e sensatez.
Analisamos melhor, sentimos melhor , somos mais reservados , sabemos esperar a época da colheita e muitas vezes até nos preocupamos com a chegada do outono em nossas vidas. Mas inexoravelmente ele, o OUTONO chega ... e vem o acréscimo de aprendizado nos sem-fins e atalhos da nossa árvore de vida.
É quando olhamos para trás e vemos o quanto mudamos ! O encantamento das outras estações nos retrata fielmente que somos mestres no que aprendemos no exercício da maturidade e já não abrimos as nossas portas ás fantasias...
É é no outono que lutamos com muito mais garra para a concretização dos nossos sonhos porque entendemos que tudo que fizermos hoje , tem que ser consciente , isento de falsas expectativas e para todo um sempre .E tudo passa a ser eterno , mesmo que dure apenas uma gota d'água de segundos , mas vivido com tamanha força que não tememos mais a aproximação do inverno nem a destruição da nossa árvore.
Nada mais excluem ou tentam abalar nossas convicções. Essa é a estação do outono nas nossas vidas. A idade da liberdade de escolha, dos acertos, das novas qualidades , das verdadeiras descobertas , sem dúvidas ...mas com a certeza de conquistas verdadeiras ...onde a mente não acompanha o envelhecimento do corpo ,mas aprimora cada vez mais o companheirismo entre a razão e o coração.
A PIOR IDADE E A PIOR MORTE ISABEL VASCONCELLOS
Quem inventou essa história de “Melhor Idade” deve ser um especialista em tapar o sol com a peneira. Depois dos 60, começa a pior idade, isso sim. A cabeça pode ter melhorado (depende do dono dela, não é?), mas o corpo só piora. Se assim não fosse, os planos de saúde não quadruplicariam as mensalidades de quem envelhece.
Além da decadência física (que não tem plástica que segure, nem exame preventivo que impeça) existe a decadência econômica. Com exceção dos muito ricos ou dos que tiveram a sapiência e o poder aquisitivo para fazer uma previdência privada, os velhos ganham muito mal ou não ganham nada.
Quem ocupava altos cargos, quem tinha poder, quem era executivo, político, autoridade, celebridade ou qualquer outra coisa que confere poder, precisa ser muito bom de cabeça pra não cair em depressão com a chegada da tal “melhor” idade e a consequente perda de poder que vem junto com a aposentadoria.
Para os que queimaram neurônios com drogas vem, quase sempre, a demência senil e o cara se torna um verdadeiro idiota.
O fantasma do Mal de Alzheimer ronda a maioria dos que passam dos 80, com suas horríveis promessas de tornar o sujeito um absoluto dependente que não reconhece nem a própria família e precisa de ajuda para tudo, tudo mesmo...
Tudo isso é apavorante o suficiente para que deixemos de lado outras doenças, males e limitações que podem vir junto com a idade. Envelhecer é um absoluto terror.
E, pra piorar um pouco mais, quase todo mundo acredita que também não pode mais fazer sexo (especialistas afirmam que é mito: claro que pode! E deve!).
Mas ainda existe um calvário maior: o da UTI.
Velhinhos nas UTIs costumam ter suas vidas prolongadas artificial e inutilmente e os médicos acham que estão “salvando” a vida do infeliz, condenado a passar seus dias numa cama de hospital, entubado, parecendo um homem biônico que não deu certo, sofrendo os horrores da traqueotomia e outros buracos pelo corpo. Tudo isso, pago em ouro. Muitas famílias perdem todo o seu patrimônio nessas tentativas de “salvar” pessoas que seriam muito mais felizes se fossem deixadas morrer em paz e no ritmo da natureza.
Médicos com um mínimo de humanidade sabem que não adianta prolongar vidas artificialmente. Não é para isso que as UTIs foram criadas. Elas foram criadas para salvar vidas que têm salvação, e, diga-se de passagem, fazem isso com uma eficácia que cheira a milagre.
No entanto, para aqueles que não têm recuperação, a UTI é a pior morte. Existem casos, em centros de excelência da medicina em São Paulo, de pessoas que estão vegetando em UTIs há anos. São os mortos-vivos. Parece conto de terror.
Recentemente, na Itália, o pai de uma moça que, sem esperança de recuperação depois de um acidente, vegetava numa UTI havia anos, conseguiu vencer a batalha judicial para desligar os aparelhos que a mantinham viva.
O Brasil precisa urgentemente criar novas leis e novos procedimentos para impedir que, além da tristeza do envelhecer, haja, para alguns, o calvário da internação inútil numa UTI.
Mas nem tudo são espinhos. Podem existir rosas para quem passa dos sessenta. Depende não só da genética mas, principalmente, da atitude. Existem velhinhos malhando na academia, caminhando nos parques, dançando nos bailes, fazendo trabalho voluntário e até trabalhando mesmo, em empresas que não têm preconceito de idade, como, por exemplo, as empresas de comunicação. Nas redações, nas rádios, nas TVs, muitos profissionais não perdem o emprego apenas por entrar na tal da terceira idade.
(Mais uma coisa: chamar os velhos de “idosos” é de um mau gosto sem fim.) O velho que você será depende do jovem que você foi. Por isso cuidados são necessários. Boa alimentação, bons hábitos, saúde mental, leitura, sexo, exames médicos preventivos, atividade física e mental... Tudo vai ajudar a Pior Idade a ser bem melhor, embora nunca seja “a melhor”.
Principalmente, é preciso fugir dos bobos que tratam os velhinhos como se eles tivessem voltado a ser crianças. Nada mais triste do que, depois de ter enfrentado os leões da vida por tantos anos, ser chamado de “gracinha”.
Isabel Vasconcellos é escritora e jornalista, especializada em saúde. Na TV, é colunista do programa do Otávio Mesquita, na Band (A Noite È Uma Criança), falando sobre sexo e na allTV produz e apresenta o programa Só Saúde. No seu site (www.isabelvasconcellos.com.br) mantém uma página chamada Janela da Paulista, onde publica fotos, vídeos e textos com comentários de tudo o que vê de interessante da janela de seu apartamento na Av.Paulista.
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