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SABERES ALIMENTARES E SABORES CULTURAIS
A alimentação, muito mais que um simples ato de sobrevivência, adquire na espécie humana uma série de simbolismos exteriores à nutrição do corpo e assume múltiplas relações em seu contorno cultural.
O livro Cultura e alimentação: Saberes alimentares e sabores culturais, das Edições SESC SP enfoca a alimentação como espaço de definição de identidades e demonstra como a escolha do cardápio está associada a fatores mais complexos do que as necessidades e costumes nutricionais.
A publicação traz textos de historiadores, teólogos, filósofos, antropólogos, cozinheiros, economistas e gastrônomos que expõem suas percepções dos saberes alimentares e culturais.
O livro faz analogia do alimento ao sentido ecológico, político e poético e expõe motivos religiosos e ideológicos à proibição do consumo de alguns alimentos. Um dos artigos, por exemplo, fala de movimentos no mundo inteiro ligados ao comércio équo e solidário, que se pautam de fornecer alimentos provindos de comunidades norteadas por justiça e solidariedade em sua produção.
Do ponto de vista político, o livro explica que o trabalho que produz alimento originado no campo, por relações de exploração, pode não criar de imediato nenhum problema sob a ótica nutricional, mas que a médio e longo prazo o alimento que estamos comendo nos faz mal socialmente e politicamente. Ao leitor, possibilita uma maior consciência dos hábitos e estratégias alimentares, indicando uma relação mais sadia com aquilo que comemos.
O HOMEM, A CABRA E O CAFÉ: TRÊS ELEMENTOS QUE INSERIRAM NO MUNDO
HISTÓRIA DO CAFÉ
Quando o simples criador de cabras observou que um dos seus animais ficara eufórico após comer o fruto do café, não imaginava que a partir dali nasceria uma das bebidas mais consumidas no mundo. Seu alcance foi realmente além da imaginação. Traçou o perfil e a história de muitos países que se desenvolveram à sua sombra, vincando-lhes a sociedade e a cultura. Essa identificação imediata pode ser medida no Brasil, até hoje o maior produtor mundial de café.
O livro História do café da Editora Contexto, escrito pela historiadora do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), Ana Luiza Martins, faz um traçado do que o café representou e representa econômica, cultural e socialmente. Sobretudo no Brasil.
A autora conta como as safras generosas, nascidas dos cafezais brasileiros, sustentaram o Império, fizeram a República e hoje geram divisas significativas para a economia do país. Sua competitividade atinge novos patamares, com excelência de sabor, aroma e corpo – os três itens básicos para a classificação e a apreciação da bebida.
História do café ultrapassa os aspectos agronômicos ou mesmo iconográficos. Transformar o café em bebida deliciosa sempre implicou longo e por vezes penoso processo, até que o produto chegasse ao destino final, para ser apreciado e disputado nas mesas do mundo. “Plantar, colher, beneficiar, despachar e comercializar o grão aromático são tarefas complexas que precedem seu consumo, etapas que não são de pouca monta”, relata a escritora.
Devida essa vasta abordagem do tema, que se confunde com a própria História do Brasil, a autora colocou quatro partes distintas e primordiais para o entendimento da importância do café. Na primeira, o livro fala das origens na África, seu avanço no Oriente e a chegada no Brasil.
Na segunda, volta-se para a sua difusão no Brasil e a sua preponderância na construção do Império. Na terceira, o produto divide a República em dois momentos: antes e depois da crise de 1929. Na quarta parte, Ana Luiza Martins analisa o avanço contemporâneo das plantações de café e as práticas que vêm definindo seu uso, manejo e consumo no novo milênio.
Das floradas brancas dos cafezais, passando pela colheita da cereja vermelha e pelo ensacamento do grão classificado, até se verter o saboroso líquido negro negociado internacionalmente, esse fruto exótico, em sua origem, tem desencadeado intensa mobilização de homens, máquinas, economias, sociedades e políticas, definindo parte dos destinos do mundo. O café abriu estradas rodoviárias e ferroviárias, como uma onda verde invadiu sertões e marcou a Era Vargas em momentos distintos. Nas reuniões diplomáticas, o café era o assunto e a bebida principal.
“Não há exagero nesse registro”, alerta a autora. Desde sua descoberta, a Coffea arabica traçou novas rotas comerciais, aproximou países distantes, criou espaços de sociabilidades até então inexistentes, estimulou movimentos revolucionários, inspirou a literatura e a música, desafiou monopólios consagrados, mobilizou trabalhadores a serviço da Revolução Industrial, tornou-se o elixir do mundo moderno, consolidando as cafeterias como referências internacionais de convívio, debate e lazer.
Para finalizar, um conselho da autora: tome um cafezinho antes de iniciar o livro. “Ele tem o condão de reavivar o espírito, ajudar a memória, tornar maior seu prazer”.
História do café, Editora Contexto de Ana Luiza Martins tem 320 páginas e custa R$ 49,00
A COZINHEIRA E O GULOSO: CONVERSAS DE COMER E RECEITAS DE FAZER
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