SIMBOLISMO DO CHOCOLATE 
“DE CADA DEZ PESSOAS, NOVE DIZEM QUE ADORAM CHOCOLATE. A DÉCIMA ESTÁ MENTINDO”.
(JEAN ANTHELME BRILLAT-SAVARIN, ADVOGADO, POLÍTICO
E COZINHEIRO FRANCÊS – 1755-1826)
O ALIMENTO DOS DEUSES
DRA. DANIELA MARIA ALVES CHAUD
No Brasil, o brigadeiro; na Alemanha, o bolo Floresta Negra; na Itália, o tiramissu. O chocolate é apreciado por diversas culturas por apresentar inigualável sabor e por despertar diversos sentidos. Não é raro encontrá-lo em outras manifestações além da gastronomia, como na música, no cinema e na literatura.
Alguns apontam a iguaria como um elemento transformador da vida, como é o caso do filme que concorreu ao Oscar em 2001, Chocolate. A Fantástica Fábrica de Chocolate, Como Água para Chocolate e Morango e Chocolate são outros exemplos de filmes que abordam a maneira de ver e rever o mundo, bem como questões referentes ao caráter, aos preconceitos e aos paradigmas sob a ótica do chocolate.
Outra virtude do chocolate é sua capacidade de substituir a linguagem no relacionamento humano, estabelecendo ou consolidando laços de amizade, solidariedade e amor. Dar uma caixa de bombons a alguém pode significar “feliz aniversário”, “boa viagem”, “desculpe-me”, “saúde” ou “estou apaixonado por você”. Não por acaso é um dos presentes mais difundidos no Dia dos Namorados.
O mesmo acontece no Dia das Mães. Alguns pais também se valem de bombons para recompensar os filhos exemplares. Transformado em coelhos e ovos, é símbolo da Ressurreição de Cristo, para os católicos.
As propriedades nutricionais do chocolate, a exemplo de sua simbologia, são igualmente ricas e abrangem os diversos compostos, entre eles a cafeína e a treobromina, nome este em latim, que significa “comida dos deuses”, ambos com propriedades estimulantes.
É destacada também a existência de substâncias que estimulam a produção de serotonina a “substância do bem-estar”. Além de polifenóis, cujos efeitos são reconhecidamente antioxidantes.
Os chocolates brasileiros de qualidade tem maior concentração de açúcar do que de cacau e que os chocolates de menor qualidade possuem uma porcentagem muito maior de açúcar e gordura hidrogenada. Portanto, são alimentos que possuem uma proporção de ingredientes não saudável, mas nem por isso fazem mal. O que faz mal não é o chocolate em si, mas a quantidade ingerida.
Vale mencionar que o chocolate com maior propriedade funcional é o chocolate amargo, ainda pouco consumido no Brasil, onde a preferência é por produtos mais doces, como o chocolate ao leite e branco.
Só para se ter uma idéia, a densidade energética do chocolate é elevada. A quantidade de 100 gramas de chocolate ao leite apresenta valor calórico de aproximadamente 550 Kcal.
Uma das palavras-chaves da Nutrição é a moderação. Portanto, é oportuno lembrar que o consumo de chocolate deve ser feito com parcimônia, em virtude da sua elevada quantidade de gorduras e açúcar.
Fonte: Dra. Daniela Maria Alves Chaud (CRN-3: 5073) - Graduada em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, especialista em Padrões Gastronômicos pela Universidade Anhembi Morumbi e em Saúde Pública pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp). Atualmente é coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, professora titular da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e da Universidade Paulista (Unip).
SUA HISTÓRIA
O chocolate, alimento encontrado de forma pastosa, podendo seu doce ou amargo, é feito a partir do cacau. Os primeiros a conhecerem o cacau foram os astecas. Eles faziam uma bebida escura chamada xocoati.
Em 1502, chegou à ilha Guanaja dos astecas, a esquadra de Cristóvão Colombo. O navegador foi um dos primeiros europeus a experimentar o sabor do chocolate.
Dizem que o imperador asteca Montezuma chegava a beber mais de 50 porções por dia, e que tomava sempre uma dose extra antes de entrar no seu harém devido aos seus supostos efeitos afrodisíacos.
Ao retornar a Espanha, em 1528, o conquistador Cortez presenteou o Rei Carlos V com algumas preciosas sementes de cacau - e a partir daí, o chocolate começou definitivamente a fazer a sua história, tornando-se tão popular e valioso que a sua produção foi mantida em segredo por mais de um século.
Durante boa parte do século XIX, o chocolate continuou a ser consumido exclusivamente na forma líquida mas a partir de 1861 passou a ser vendido na forma sólida, acondicionado em caixas com formato de coração.
Apenas em 1876, em Vevei, na Suíça, o "chocolatier" Daniel Peter desenvolveu a técnica de adicionar leite ao chocolate, criando o produto final que consumimos até hoje.
CONSUMO
Estudos do Target Group Index e do Pyxis mostram que houve um aumento no consumo de chocolate no Brasil desde 1999. Na época em que o estudo começou a ser realizado no País, 57% da população consumia chocolate.
Atualmente, 67% dos brasileiros afirmam consumir habitualmente os mais variados tipos de chocolate, sendo que em média são consumidas 110 unidades por semana.
O estudo do IBOPE Mídia, realizado em nove regiões metropolitanas brasileiras entre 10 de julho de 2006 e 1 de julho de 2007, mostrou ainda que os curitibanos (71%), seguidos dos brasilienses (70%) são os principais consumidores de chocolate no País. Por outro lado, Fortaleza é a capital onde os consumidores se interessam menos pelo produto 63%, porém o consumo, ainda assim, é expressivo.
O tablete puro tem a preferência da maioria (82%) e os bombons vêm logo em seguida, consumidos por 72%, enquanto as barras recheadas ficam em terceiro lugar na preferência nacional, com 58%. Confirmando todas as suspeitas, as mulheres são as maiores consumidoras do chocolate. Do total dos consumidores, elas representam 55,96% contra 44% de homens.
As quantidades consumidas impressionam: 67% dos consumidores de chocolate (ou seja, quem declara ter consumido o produto nos últimos 7 dias) consomem sete ou mais unidades de chocolate por semana e 23% comem entre três e seis unidades por semana. Entre os “chocólatras”, ou seja, aqueles que consomem sete ou mais unidades de chocolate por semana, as mulheres também são maioria (58%), sendo que o tablete puro é quase unanimidade: 90% dos “chocólatras” consomem essa variação do produto.