PARA NÃO SE ESQUECER
Foi inaugurada uma estátua em homenagem ao estudante
Edson Luiz Lima Souto, morto pela ditadura militar no dia 28 de março de 1968,
e a todos os que lutaram contra a ditadura militar e pela democracia no Brasil.
São 40 anos após o seu assassinato no restaurante Calabouço, no RJ, que a
partir deste dia, fechou para sempre.
Após este evento resultado de uma parceria entre a
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Prefeitura
do Rio de Janeiro, União Nacional dos Estudantes (UNE), e União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas (UBES), foi inaugurada a exposição fotográfica
“Direito à Memória e a Verdade – a Ditadura no Brasil 1964-
1985”
, na sede da UNE, no
aterro do Flamengo.
O FATO
Prisões e arbitrariedade eram as marcas da ação do
governo naquela época em relação aos protestos dos estudantes, e essa repressão
atingiu seu apogeu no final de março com a invasão do restaurante universitário
"calabouço", onde Edson Luís foi morto com um tiro certeiro no peito,
disparado à queima-roupa por um tenente da PM.
Conforme entrevistas concedidas à revista Fatos e Fotos por integrantes da
Frente Unida dos Estudantes do Calabouço, com 18 anos recém-completados, 1m59
de altura, Edson Luis não chegava a ser um líder estudantil. Falava pouco e
ainda estava meio desconfiado, mas colaborava colando jornais murais e dando
recados, contaram os colegas.
Estava programada mais uma passeata e Edson resolveu
jantar mais cedo, naquele 28 de março, para ter tempo
de preparar alguns cartazes. Segurava a bandeja na mão quando começou uma
correria e foi atingido por um cassetete no ombro.
Os policiais militares, que tinham invadido o local,
começaram a atirar. Os estudantes se armaram de paus e pedras para responder.
Foi quando Edson caiu.
Na mesma ocasião, tiros atingiram o comerciário Telmo Matos Henrique e o estudante Benedito Frazão Dutra. Conforme a versão de algumas testemunhas, o
tenente PM Alcindo Costa teria ficado enraivecido ao ser
atingido por uma pedrada na cabeça.
Outros jovens presentes no local afirmaram que Edson
foi atingido por se encontrar à porta quando a tropa chefiada por Alcindo
entrou em formação fechada de ataque.
A bala varou seu coração e alojou-se na espinha, provocando
morte imediata. Indignados, seus colegas não permitiram que o corpo fosse
levado ao IML, conduzindo-o para a Assembléia Legislativa em passeata.
Lá, sob cerco de polícias civis e militares, foi
realizada a autópsia e aconteceu o velório. O caixão chegou ao cemitério João
Batista nos braços de milhares de estudantes.
OS CHAMADOS ANOS DE CHUMBO
Desde 67, o movimento estudantil tornou-se a principal
forma de oposição ao regime militar. Nos primeiros meses de 68, várias
manifestações tinham sido reprimidas com violência. O movimento estudantil
manifestava-se não apenas contra a ditadura, mas também à política educacional
do governo, que revelava uma tendência à privatização.
A política de privatização tinha dois sentidos: era o
estabelecimento do ensino pago (principalmente no nível superior) e outro, o
direcionamento da formação educacional dos jovens para o atendimento das
necessidades econômicas das empresas capitalistas (mão de obra especializada).
Essas expectativas correspondiam a forte influência
norte-americana exercida através de técnicos da USAID que atuavam junto ao MEC
por solicitação do governo brasileiro, gerando uma série de acordos que
deveriam orientar a política educacional brasileira. As manifestações
estudantis foram os mais expressivos meios de denúncia e reação contra a
subordinação brasileira aos objetivos e diretrizes do capitalismo norte-americano.
A morte do estudante, que comoveu e revoltou todo o país, serviu para acirrar
os ânimos e fortalecer a luta pelas liberdades. Durante o velório do estudante,
o confronto com policiais ocorreu em várias partes do Rio de Janeiro, sendo que
o cortejo fúnebre foi acompanhado por 50 mil pessoas.
Nos dias seguintes, manifestações sucediam-se no
centro da cidade, com repressão crescente até culminar na missa da Candelária (2 de abril), em que soldados a cavalo investiam contra
estudantes, padres, repórteres e populares.
Nos outros estados o movimento estudantil também ampliava seu nível de
organização e mobilização; em Goiás, a polícia baleou 4 estudantes, matando um deles, Ivo Vieira.
Durante todo o ano de 68 as manifestações estudantis ocorreram, assim como intensificou-se a repressão, até a decretação do AI-5, em 13
de dezembro.
A PASSEATA DOS 100 MIL
No dia 26 de junho de 1968, cerca de cem mil pessoas ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro e realizaram o mais importante protesto
contra a ditadura militar até então.
A manifestação, iniciada a partir de um ato político
na Cinelândia, pretendia cobrar uma postura do governo
frente aos
problemas estudantis e, ao mesmo tempo, refletia
o descontentamento crescente com o governo; dela participaram também
intelectuais, artistas, padres e grande número de mães.
A passeata dos cem mil foi registrada pelas lentes do fotógrafo Evandro
Teixeira
UMA LEMBRANÇA INCÔMODA
O livro ‘68 Destinos’ lançado recentemente por Evandro
Teixeira
Trata-se de um caso raro de fotografia de multidão em que é possível reconhecer
com clareza praticamente todos os rostos das pessoas reunidas ali”.
A definição de Marcos Sá Correa, de certa forma,
traduz a idéia do livro “68 Destinos – Passeata dos 100 Mil” (Textual), que o fotógrafo
Evandro Teixeira lançou recentemente.
Evandro publicou uma versão ampliada desta foto
famosa, registrada em 26/06/1968, durante a Passeata dos 100 Mil, em um hot
site para que alguns dos retratados se reconhecessem.
A idéia original era encontrar 68
pessoas, retornar à Cinelândia para um novo
registro – e fazer um balanço do que mudou nos 40 anos
de intervalo entre as imagens. Em um resultado melhor do que esperado, cem
pessoas se identificaram pelo site.
O livro, com 120 páginas, terá também depoimentos de
Vladimir Palmeira, Fernando Gabeira, Marcos Sá Corrêa, Augusto Nunes e Fritz Utzeri, todos jornalistas e/ou militantes da época da foto.
ÚLTIMA ENTREVISTA COM CELSO FURTADO
Um dos maiores pensadores do País do século XX, Celso
Furtado, do alto de seus 84 anos, pergunta: "E aí estamos. E agora, para
onde é que vamos?".
A vida deste paraibano sempre foi bastante ligada à história
econômica do Brasil. Decidido a ser escritor quando jovem, ele descobriu que
mais do que inventar histórias, sua maior habilidade sempre foi analisar o que
acontece ao seu redor.
Por isso, Celso Furtado, advogado recém-formado, que havia
lutado na Segunda Guerra Mundial, decidiu ir para a Europa para estudar
economia. Assim, começava a carreira de sucesso de um dos maiores pensadores
econômicos do mundo.
Com um pensamento sobre desenvolvimento e subdesenvolvimento bastante diferente
do comum, ele tinha uma visão bastante pessimista do Brasil, ao mesmo tempo em
que tinha esperanças de que o país
pudesse se tornar desenvolvido antes do esperado.
De fala miúda, rápida e sincera, o economista, avesso
às câmeras, concedeu sua última entrevista filmada cinco meses antes de falecer
– em novembro de 2004. E é esse material que o diretor José Mariani usa para
costurar a narrativa de O Longo Amanhecer, cinebiografia de Furtado.
Em sua fala, no documentário que mistura a história
econômica do Brasil com a vida de Celso Furtado, mostra que ele não entendia
como O Longo Amanhecer do país não se concluía, para que chegasse logo a um
período de uma economia mais madura.
O diretor José Mariani nessa filmagem, em parceria com o economista Ricardo Bielschowsky, entrevistou pessoas ligadas a Furtado que
pudessem dar uma maior explicação de quem era esse homem e da sua importância
na história do país. Desde sua formação até a criação e coordenação da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e seus dois anos como
ministro do Planejamento do governo João Goulart e até ter seus direitos
políticos cassados e ser exilado em 1964, entre outros.
Com depoimentos de Antonio Barros de Castro, Francisco
de Oliveira, José Israel Vargas, João Manuel Cardoso de Melo, Maria da
Conceição Tavares, Osvaldo Sunkel e Ricardo Bielschowsky, O Longo Amanhecer faz um paralelo entre o
Celso Furtado pensador e o político e mostra como ele foi capaz de unir teoria
e prática como poucos em seu meio. Em 2006, recebeu o Prêmio CNBB de Cinema de
melhor média-metragem.
O CENTENÁRIO DA IMPRENSA
Na primeira semana de abril, a ABI - Associação
Brasileira de Imprensa – iniciará no Rio as
comemorações de seu centenário de lutas pela liberdade de imprensa no
Brasil. O ponto alto ocorreu no dia 7, na sessão de gala no Teatro
Municipal, com a presença do presidente da República. No mesmo dia, às 11
horas, na sede da ABI, foi lançado um selo comemorativo pelo presidente dos
Correios.
O programa de comemoração continuará
até o fim do ano, com palestras, exposições e outros eventos. A
programação poderá ser acompanhada, a partir da próxima semana, pelo site
da entidade – www.abi.org.br .
CENTRO DE CULTURA E MEMÓRIA DO JORNALISMO
Na semana em que se comemora o Dia do Jornalista, 7 de abril, no ano do bicentenário da Imprensa Nacional e do
surgimento da imprensa no País e do centenário de morte de Machado de Assis,
que iniciou suas atividades profissionais como jornalista aos 20 anos,.o Rio ganhará um espaço para abrigar a
história da imprensa no Brasil através do projeto Centro de Cultura e Memória
do Jornalismo,uma
iniciativa do Sindicato dos JornalistasProfissionais do Município do Rio de Janeiro, com
patrocínio da Petrobras.
O Centro de Cultura e Memória do Jornalismo deverá
contar com um acervo permanente de peças históricas e organizar cursos,
seminários e exposições, além de abrigar livraria, café, biblioteca e
auditório. A interatividade, proporcionada pela tecnologia, será uma das marcas
do Centro. O acervo documental incluirá depoimentos de jornalistas, que
resgatarão a história do desenvolvimento do jornalismo nacional e de suas
interseções com as trajetórias política, cultural, social e econômica do País.
Um espaço de encontro e de pensamento voltado para profissionais, estudantes e
a sociedade em geral.
Inicialmente, o Centro funcionará em um portal, com os
acervos já organizados e um guia de referência de fontes de pesquisa. Na
segunda fase, o centro terá sua sede própria aberta ao público.
CEM ANOS DE LUTA
Gustavo de Lacerda, então repórter de O País, fundou a Associação
de Imprensa, primeira denominação da Associação Brasileira de Imprensa, em 07/04/1908. Surgia assim a ABI, entidade que, além
de representar os jornalistas, “representa a sociedade brasileira e luta a
favor das prerrogativas democráticas”.
Os piores momentos foram aqueles do
período militar. “O país estava mergulhado no caos. A ABI foi atingida por uma bomba (07/08/76), muitos dos nossos conselheiros desapareceram
e foram torturados. Mesmo assim ela não temeu e foi à luta”.
Os anos de ouro estão registrados entre os anos de
1931 e 1966, quando Herbert Moses foi presidente. O
jornalista era poliglota (falava cinco línguas), o que ajudou nas relações
internacionais. Ele era empresário e, tinha ótima noção de administração,
essencial para presidir a ABI. Além disso, Moses foi
o único que tirou dinheiro do próprio bolso para ajudar a Casa.
Os fatos mais recentes são marcados por uma apertada situação
financeira. Há pouco tempo, o andar onde fica a sala da presidência e dos
diretores quase foi a leilão. A folha de pagamento é apertada, mas, as contas
estão sendo pagas em dia e não vêm sendo feitos empréstimos desnecessários.
A Associação Brasileira de Imprensa fica
na rua Araújo Porto Alegre, 71 – no Centro do Rio de
Janeiro
LIBERDADE DE IMPRENSA
Rodado em 1967, Liberdade de imprensa marcou a estréia
de João Batista de Andrade como diretor e se tornou obra de referência do
documentário brasileiro, apesar de ter sido muito pouco exibido, pois foi
censurado pelo regime militar.
Agora se transformou na publicação Liberdade de
imprensa – O cinema de intervenção – volume assinado por Renata Fortes e João
Batista de Andrade, que traz o roteiro do filme e ensaios críticos – lançado pela
Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
O documentário discute a Lei de Imprensa, promulgada
em fevereiro de 1967, que excluía das garantias de livre circulação de idéias
tudo o que
fosse considerado como propaganda de
processos de subversão da ordem política e social. Arbitrária e autoritária, a
Lei de Imprensa estabeleceu oficialmente a censura.
“Liberdade de imprensa foi provavelmente o primeiro
filme a fazer um questionamento direto à ditadura militar. E continua atual,
pois parte das críticas que formula à imprensa ainda
são válidas. A recente retomada das discussões sobre a Lei de Imprensa, que
continua em vigor, ratifica essa atualidade, mostra que o filme pode contribuir
para o debate”, observa o cineasta.
Produzido pelo movimento estudantil (jornal Amanhã, da
União Nacional dos Estudantes, e o Grêmio da Faculdade de Filosofia da USP), o
filme deveria ter sido lançado durante o 30º congresso da entidade, que se
realizaria clandestinamente em Ibiúna, em 1968. Com a dissolução da reunião
pela polícia, o filme foi apreendido e até hoje só teve sessões esporádicas.
O filme alinhava declarações de políticos, como Carlos
Lacerda e o deputado João Calmon; figuras públicas, como os jornalistas Genival Rabello, Tavares de Miranda e Marcus Pereira, com
depoimentos de um jornaleiro que também é motorista de O Estado de S. Paulo e
de transeuntes que passam perto de bancas de jornal e vão sendo entrevistados
pelo diretor.
A maior originalidade do filme está na ruptura com
dois parâmetros clássicos do documentário: Batista recusa o discurso científico
– sociológico, antropológico ou etnográfico – que
pretende explicar o mundo, e interfere ostensivamente na realidade filmada –
recusando a pretensa “objetividade” do gênero.
As interferências do cineasta criam situações e
reações nas quais aparecem os conflitos e as contradições da realidade sem a
necessidade de falar sobre eles a partir de um ponto de vista externo à ação. Em vez de observar o real, o cineasta
provoca novos fatos e amplia a abordagem do documentário.
Os textos que complementam o volume oferecem idéias
para uma reflexão aprofundada sobre a obra. Marília Franco assina um ensaio que
discute as especificidades do trabalho de João Batista de Andrade como
documentarista; Maria Dora Mourão analisa o filme a partir da
ruptura estética proposta pelo cineasta; Carlos Alberto Mattos aponta
para a guerra fria, tema tratado em filigrana pelo documentário; Renata Fortes
reconstitui o contexto histórico da época da filmagem.
Completam o conjunto a transcrição de um debate sobre
a obra, um depoimento do diretor e duas críticas do filme, escritas por
Jean-Claude Bernardet e Francis Vogner dos Reis.
Liberdade de Imprensa O cinema de intervenção de Renata
Fortes e João Batista de Andrade Coleção Aplauso Imprensa Oficial do Estado de
São Paulo tem 152 páginas e custa R$ 15,00
MEMÓRIAS DO BRASIL GRANDE
Foi lançado recentemente o livro “Memórias do Brasil
Grande”, de Wilson Quintella. Você provavelmente
nunca ouviu falar de Wilson Quintella, embora ele
esteja presente no seu dia-a-dia. Toda vez que você acende a luz de sua casa,
ali está, de certa forma, o doutor Quintella.
Quando passa pela ponte Rio Niterói, pela Dutra, pela Castello Branco e outras importantes rodovias do país, deve
algo a Wilson Quintella.
Cada vez que pousa no aeroporto de Cumbica, em
Guarulhos, no Aeroporto Tom Jobim, no Rio, em Manaus, em Goiânia e outros
tantos lugares, ele também está lá.
Advogado de formação, ele trabalhou por 35 anos no
grupo Camargo Corrêa, começando de baixo, até se tornar o presidente da empresa
e braço direito do legendário Sebastião Camargo. Wilson Quintella é figura essencial para conhecer a história das
grandes obras que permitiram ao Brasil um salto econômico do qual hoje ainda
dependemos.
Dono de uma memória invejável, Wilson Quintella, que esteve à frente e contribuiu decisivamente
na formação de um dos maiores grupos empresariais e nacionais – a Camargo
Corrêa – oferece um relato em primeira pessoa de sua
experiência, durante o período de maior investimento em infra-estrutura no
país.
Quinta, como era conhecido na
época, transforma a história destas grandes obras em um depoimento preciso e de
leitura agradável, muitas vezes com estilo de "causos".
Wilson escreveu este livro como uma forma de
identificar os competentes administradores, em sua maioria funcionários
públicos, que foram essenciais para este desenvolvimento mas muitas vezes são esquecidos. "Eram pessoas de carreira, engenheiros mais
simples que fizeram carreira em empresas como Eletrobrás, DNER. Homens como
Regis Bittencourt, Souza Dias e Pires de Sá. Eles
conheciam e desejavam realmente fazer. Na CESP era a mesma coisa",
relembra.
Outra motivação foi a atual crise de infra-estrutura.
Todas as obras citadas pelo autor são até hoje essenciais ao crescimento do
Brasil. Muitas das dificuldades encontradas para o desenvolvimento no século
XXI – que ainda esbarram na necessidade de energia e infra-estrutura logística
- ocorrem porque a necessária e constante reavaliação das obras e suas
capacidades não ocorreu efetivamente de forma a garantir um crescimento
sustentado.
"Esta situação de adiamento de investimento em
infra-estrutura de hoje me deu um certo estímulo para
escrever sobre o que aconteceu naquela época para ver se afeta os atuais
governos de forma positiva". Para ele, o principal destaque em benefício
do país nessa época foi o alto investimento em obras de infra-estrutura,
especialmente energia e transporte, que estimularam o crescimento industrial do
país. Posicionamento estratégico que deu continuidade aos investimentos
iniciados na década de 50, sob o comando do presidente Juscelino Kubitschek.
Prefaciado pelo ex-ministro Antonio Delfim Netto, o livro revive um momento de empreendedorismo e desafios para os governos e as empresas privadas, que na época tiveram que se
estruturar e se capacitar para vencer não apenas os desafios impostos pelas
condições naturais, mas também da tecnologia disponível na época.
Memórias do Brasil Grande" relata a
história das maiores obras das décadas de
50 a
80 e dos homens que as fizeram Usinas de
Itaipu, Jupiá e Tucuruí,
Aeroporto Internacional de Cumbica, rodovia Transamazônica, ponte Rio-Niterói, Brasília, ferrovias paulistas e metrô de São
Paulo.
A história brasileira dos anos
50 a
80 quando foi construída a
estrutura física que permitiu a modernização da economia brasileira na segunda
metade do século XX e que favoreceram ao crescimento do país.
PARABÉNS, QUINCY JONES!
Quincy Deligth Jones Jr completou 75 anos de bons serviços prestados à
música no último dia 14 de março. Talvez seja isso, o excelente documentário
"Música, maestro!, que conta a vida de Quicy Jones" ("Listen up: the lives of Quincy Jones"). No
original, o título revela mais: as vidas. Sim, porque mesmo o filme sendo de
1990, até ali Mr Q já tinha feito tanta coisa numa
vida só que, para os mortais comuns, equivaleria a várias. E continua ativo.
Em mais de 60 anos de carreira ele começou tocando com nomes com Billie Holiday, Lionel Hampton e Dizzy Gillespie (é trumpetista), compôs
para trilhas de filmes (de blaxploitation nos anos 60
e 70 até o premiado "A cor púrpura" de Spielberg), produziu filmes,
arranjou e produziu discos e shows, empresáriou artistas, lançou os discos do New Order nos Estados
Unidos através de seu selo Q-West, foi o cabeça por trás do movimento "We are the world", e,
marco maior, lançou a carreira de Michael Jackson com "Off the wall" e, em
seguida, criou com Jackson o disco que mais vendeu até hoje na história da
música, "Thriller", sem contar outros tantos na carreira.
Saído de um bairro pobre em Chicago, Quincy quase
bateu as botas nos anos 60, quando teve um aneurisma duplo (teve de ser operado
a crânio aberto no chão de sua casa, onde desmaiou, num lance do qual 98% das pessoas morrem!) e por isso tem umas marcas de klingon na testa.
Além do mais, tem umas filhas lindas (uma delas, Rashida Jones, faz a Karen em "The office US") e é um cara
pé no chão, humilde. No total, já ganhou 27 grammys ("mas já perdi 52", diz rindo, em entrevistas). Enfim...
Eu só queria lembrar a data, pra não deixar passar em branco (vai que ele
parte) ao som de "Soul bossa nova", aquela musiquinha que toca nas aberturas dos filmes de Austin Powers. Cheers!
Marcio
Alexandre M. Gualberto Coordenador do Coletivo de Entidades Negras - CEN/RJ,
editor do blog: Palavra Sinistra e integrante da Rede Mamapress e colunista de Afropress e membro do Conselho Editorial da revista Raça Brasil
A VOLTA DO SUCESSO DA DÉCADA DE 80
Chega às bancas de todo o País a revista MAD, editada
pela Panini, agora totalmente
em cores. A
estratégia da
editora - que hoje detém a licença da marca - é levar o humor inconfundível da
publicação para leitores de todas as idades.
Os assíduos fãs, que acompanharam a publicação desde
que foi lançada no Brasil, nos anos 1970 e a tornaram um fenômeno editorial -
com vendas acima de 150 mil exemplares por mês -, poderão novamente se divertir
com a irreverência da revista de humor mais famosa do mundo.
Criada em 1952, nos EUA, pela EC Comics a revista MAD tem como símbolo Alfred E. Neuman, o
jovem com cara de abestalhado que está presente em todas as capas. No Brasil, a
MAD foi publicada por três editoras: Vecchi (1974-83), Record (1984-2000) e Mythos (2000-2006). Desde 2006, quando o contrato com a Mythos Editora prescreveu, a revista não circula no País.
Em homenagem ao relançamento, a MAD número 1 mostra
todos os "podres" dos zumbis, detona o bruxinho Harry Potter, traz Spy vs.Spy, além das piadas infames de Aragonés e as tradicionais seções recheadas com o humor ácido que marcam as páginas da
revista há mais de cinco décadas.
HOMENAGEM
Morreu em 25 de março,
em São Paulo
, aos 73
anos o jornalista Sérgio de Souza, o Serjão. Operado
dia 10 de março de 2008 em razão de uma perfuração no duodeno, morreu em
decorrência de complicações.
Nascido em 1934 no Bom Retiro, bairro tradicional no
centro da capital paulista, Serjão era um autodidata.
Não chegou ao curso "superior", mas fez-se na rua e nas redações
"doutor"
em
jornalismo. Bancário
, recém-casado,
viu uma notícia na Folha de S. Paulo no fim da década de 1950, do tipo
"você quer ser jornalista?", e para lá se dirigiu. Fez um teste e,
aprovado, entrou para a reportagem do jornal da Barão de Limeira, onde nos conhecemos.
Quatro anos depois, a convite de Paulo Patarra,
transferiu-se para Quatro Rodas, da Editora Abril.
Ali, em 1966, faria parte da equipe que fundou e lançou REALIDADE, cujo forte era
a reportagem, revista "cult" daquela
editora e maior sucesso jornalístico do gênero neste país.
Avesso a entrevistas, até tímido diante de uma câmera, microfone ou mesmo um
colega de caneta e papel na mão, Serjão não deixou
muitas pistas sobre sua vida particular, onde estudou, que preferências tinha em
matéria de literatura, cinema, e outras trivialidades que costumam compor um
necrológio.
Certo é que Sérgio de Souza é o último monstro sagrado
vivo que se vai de uma geração que fez, além de REALIDADE: a revista quinzenal
de contracultura O Bondinho; o jornal mensal de política, reportagem e
histórias
em quadrinhos
Ex-
; o programa de televisão 90 Minutos na
Bandeirantes – entre dúzias de trabalhos.
Há onze anos, em abril de 1997, Sérgio lançou, com amigos
e associados, a revista Caros Amigos, que vinha dirigindo até duas semanas atrás.
A importância de Serjão para o jornalismo pátrio é
discreto como sua figura e incomensurável como seu tamanho – pois se dá justo
naquele trabalho quase anônimo do editor, do editor de texto, da palavra seca, cortante,
exata, da melhor linha humano-política na orientação
ao repórter, ao subeditor, ao chefe de arte, ao departamento comercial, advinda
de um caráter íntegro e de um senso jornalístico próprio dos gênios.
Dedicou 50 anos à profissão, na qual não fez fortuna, ao contrário: deixa
dívidas. Aliás, uma de suas últimas criações foi o "Anticurso Caros Amigos – Como não enriquecer na profissão".
Aos que o sucedem
em
Caros Amigos
, fica a desmedida tarefa de homenagear sua
memória fazendo das vísceras coragem e coração para tocar o barco em frente.
Texto
de Mylton Severiano, editor-executivo de Caros Amigos
“É
MELHOR TENTAR E FALHAR,
QUE PREOCUPAR-SE E VER A
VIDA PASSAR.
É MELHOR TENTAR, AINDA QUE EM VÃO
QUE SENTAR-SE, FAZENDO NADA
ATÉ O FINAL.
EU PREFIRO NA CHUVA CAMINHAR,
QUE
EM DIAS FRIOS EM
CASA
ME ESCONDER.
PREFIRO SER FELIZ EMBORA LOUCO,
QUE
EM CONFORMIDADE
VIVER
”
MARTIN LUTHER
KING
Há a exatos 40 anos, em 04.04.1968 foi assassinado um
dos líderes mais influentes de todos os tempos do continente americano, o reverendo
Martin Luther King.
Ele passou toda sua vida a lutar pelas injustiças, em
especial ao recorrente racismo que assolava grande parte da sociedade
norte-americana da época. A luta não foi
em vão. Dos
anos 60s até os dias de hoje, muito se
conquistou àquela sociedade e também muito influenciou outras tantas sociedades
na luta por justiça e direitos humanos em todo mundo.
Abaixo uma parte providencial do discurso de Luther King o qual, no dia
seguinte, seria brutalmente assassinado.
"Então cheguei a Memphis. E alguns vieram dizer
sobre as ameaças, ou conversar sobre as ameaças que vazaram. O que aconteceria
comigo partindo de loucura de alguns de nossos irmãos brancos? Bem, Eu não sei
o que acontecerá agora. Nós temos passado alguns momentos difíceis. Mas isto
não importa mais para mim. Por que eu cheguei ao Topo da Montanha. Eu não
importo mais. Como qualquer um, eu gostaria de viver uma vida longa. A
longevidade tem seu preço. Mas eu não estou mais preocupado com isso. Eu apenas
quero realizar o desejo de Deus. E Ele permitiu que eu escale a montanha. E eu
a escalei. E eu vejo a terra prometida. Até posso não chegar lá com vocês. Mas eu
quero que vocês saibam esta noite, que nós, como um povo, nós alcançaremos a
terra prometida. E eu estou muito feliz esta noite. Não me aflijo com nada
mais. Não tenho medo de qualquer homem, pois meus olhos vêem a glória da vinda
do Senhor."
Epitáfio de sua própria autoria
"Freqüentemente imagino que todos nós pensamos no dia em que seremos
vitimados por aquilo que é o denominador comum e derradeiro da vida, essa
alguma coisa que chamamos de morte. Freqüentemente penso em minha própria morte
e em meu funeral, mas não num sentido angustiante. Freqüentemente pergunto a
mim mesmo que é que eu gostaria que fosse dito. Então deixo aqui com vocês a
resposta.
Se vocês estiverem ao meu lado, quando eu encontrar o meu dia, lembrem-se que
eu não quero um longo funeral.
Se vocês conseguirem alguém para fazer a oração
fúnebre, digam-lhe para não falar muito, para não mencionar que eu tenho
trezentos prêmios (isso não é importante), para não dizer o lugar onde estudei.
Eu gostaria que alguém mencionasse aquele dia em que
eu tentei dar minha vida ao serviço dos outros, eu tentei amar alguém, eu
tentei visitar os que estavam na prisão, eu tentei vestir um mendigo, eu tentei
amar e servir a humanidade.
Sim, se quiserem dizer algo, digam que EU FUI ARAUTO, arauto da justiça, arauto
da paz, arauto do direito. Todas as outras coisas triviais não têm importância.
Não quero deixar atrás nenhum dinheiro, coisas finas e luxuosas. Só quero
deixar atrás uma vida de dedicação.
E isto é tudo o que eu tenho a dizer: SE EU PUDER ajudar alguém a seguir
adiante, animar alguém com uma canção, mostrar a alguém o caminho certo,
cumprir o meu dever de cristão, levar a salvação para alguém, divulgar a
mensagem que o Senhor deixou, então MINHA VIDA NÃO TERÁ SIDO EM VÃO. "
Enviado por Jefferson
Virote Laureano.