APRENDI COM A PRIMAVERA A DEIXAR-ME CORTAR
E A VOLTAR SEMPRE INTEIRA.

CECÍLIA MEIRELLES, POETA (1901 – 1964)

 

A DAMA DAS ORQUÍDEAS

JUSSARA CÂMARA

Quem vem pela Praia do Flamengo, em direção ao bairro carioca de Botafogo, logo vê um prédio antigo, imponente ao fundo, à direita. Ele parece um trono. Mas, o mais bonito é o jardim, com suas orquídeas. São 50 variedades e combinações de branco, lilás, amarelo, rosa, laranja. E o que chama mais atenção é o formato: são enormes. Não dá para passar pela rua e não vê-las.

 

Eu parei para me maravilhar com sua beleza. E descobri, quem cuidava daquele jardim: a capixaba Cenira Vliana Montellano, 60 anos, criada em fazenda e há treze anos, mora no prédio.  Quando se mudou para lá, as plantas eram feias.

 

-Eu sempre gostei de plantas, puxei isso do meu pai, ela me disse. E passei a trazer do meu sítio de Teresópolis, mudas para o jardim, entre elas, as orquídeas. Uma vizinha, a Regina Rocha, também doou algumas mudas e assim comecei a cuidar do jardim, auxiliada por um jardineiro do prédio.

 

As orquídeas ficam presas às árvores com fitas. “Não se pode amarrá-las com ferro e nem fio de nylon”, Cenira ensina. E a florada normalmente é em agosto e setembro. Só que lá, elas dão várias vezes ao ano.

 

O prédio já é conhecido. Uma vez, ela me disse que ao dar o endereço ao motorista do táxi, ele perguntou; ”É o prédio das orquídeas?” Seu exemplo deu frutos. Ela e o jardineiro já doaram mais de mil mudas aos prédios vizinhos.

 

Cenira se orgulha disso, com toda razão. E fica mais feliz ainda quando vê os outros moradores cuidando do jardim e querendo conhecê-la. Alguns montam álbuns, como a moradora Terezinha, cujo hobby é fotografar as orquídeas.

 

Tanto cuidado e atenção com as flores que elas retribuem, se multiplicando a cada ano e ficando mais lindas. E as orquídeas não atraem só os olhares das pessoas mas, bem-te-vis, beija-flores, maritacas e canários.

 

_ No dia que estou chateada, não desço ou então, passo pela garagem para não trazer negatividade às plantas, diz Cenira. Mas, esses momentos são raros. “Recebo todo dia uma benção de Deus por causa delas. Sou feliz, tenho uma família maravilhosa e 4 filhos que não são de ouro e sim, diamante”, complementa.

 

SER FELIZ É DEIXAR DE SER VÍTIMA DOS PROBLEMAS E TORNAR-SE UM AUTOR DA PRÓPRIA HISTÓRIA.

E ATRAVESSAR DESERTOS FORA DE SI, MAS SER CAPAZ DE ENCONTRAR UM OÁSIS NO RECÔNDITO DA SUA ALMA.

É AGRADECER A DEUS EM CADA MANHÃ

PELO MILAGRE DA VIDA.

FERNANDO PESSOA

 

                       IMPROVISAR, ÀS VEZES, É PRECISO
Aos 70 anos, a carioca aposentada Irene Monteiro comemorou 1 ano de carreira no palco da Sala Baden Powell, em Copacabana, a peça "Enlouquecer às vezes é bom", com direção de Oscar Saraiva, em temporada de três semanas.

 

Ela se acha uma pessoa diferente de outras da sua geração. Para ela correr riscos, experimentar, ousar, fazer as coisas com que sempre sonhou são muito importantes.

 

Irene freqüentava as montagens do antigo Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, nas décadas de 60 e 70. Aos 17 anos já dava aulas e logo se casou e teve três filhos: um que é biólogo, outro designer e o diretor teatral Fábio Ferreira, um dos produtores do riocenacontemporânea, além de uma neta de 15 anos.

 

Somente quando se aposentou pelo serviço público federal, em 1991 é que se matriculou num curso de teatro amador para senhoras no Tablado, onde ficou por sete anos. Tornando-se inclusive, amiga da criadora, Maria Clara Machado. Sua primeira peça como profissional foi estreada nesta época.

 

- O Tablado foi uma escola que me ajudava a viver melhor. A gente tem de aprender a improvisar não só no palco, mas na vida, resumiu.   

 

Irene deixou as aulas no Tablado para se dedicar a atividades sindicais. Durante o trabalho no Sindicato dos Servidores Federais, sugeriu aulas de interpretação para os colegas e chamou Saraiva para dar o curso.

 

Paralelamente, o diretor montava sua nova companhia, a Odradek, e, depois de alguns meses, convidou Irene para integrar o projeto. ­ Todos a receberam bem e, apesar de se sentir insegura, aceitou.

 

Ela foi uma das protagonistas de Tudo isso agora, que estreou no ano passado no Rio e em São Paulo. Saraiva enxergou o brilho da comicidade natural de Irene, que a cada frase emenda uma risada.

 

O grande medo de Irene era esquecer o texto, drama que ainda a persegue e que admite sem timidez. Despida da vaidade que a profissão provoca em muitos atores, e com a serenidade de quem viveu muito, ela transita à vontade no palco, mas dentro dos próprios limites. ­

 

- Tenho 70 anos. Sou uma senhora, uma gordinha que nunca soube o que é exercício físico, que não vai pular e rolar no chão com facilidade, revela.

 

A peça é uma coletânea de situações perturbadoras que se desenvolvem a partir de um fato que uma velhinha vê na rua, que pode ser real ou fictício.

E seu personagem é quem narra a trama. E se alguém pensar que ela é doida, Irene tem a resposta: E daí? Enlouquecer às vezes é bom.

 

O TEATRO DA MINHA VIDA

 A atriz Eva Todor marcou época no teatro brasileiro por sua habilidade natural para a comédia, por seu carisma e pelo fato de ter mantido durante décadas uma companhia teatral, que fez enorme sucesso em palcos brasileiros e estrangeiros.

 

Suas histórias de vida e principalmente da trajetória artística estão narradas no livro: O teatro da minha vida, da Coleção Aplauso, publicada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo,  em depoimento à jornalista Maria Angela de Jesus. O volume traz farto material iconográfico que cobre os 73 anos de carreira da atriz.

 

Eva diverte o leitor com anedotas engraçadas, como sua estréia nos palcos – com quatro anos, ainda em Budapeste, onde nasceu –, quando fez xixi no palco pouco antes de entrar em cena em um espetáculo de balé clássico. O público desatou a rir e no fim aplaudiu entusiasticamente a menina. Eva chegou ao Brasil com 8 anos, onde continuou dançando, até estrear no teatro em 1934, com 13 anos, em uma revista carnavalesca dirigida por Luiz Iglézias, com quem se casou pouco depois.

 

Iglézias foi o grande mentor de sua carreira: “Com ele aprendi muita coisa e tive chance de estudar muito”, lembra Eva. Em 1940, o casal fundou a companhia Eva e seus artistas, que encenou comédias ligeiras de enorme sucesso. O então presidente Getúlio Vargas era um freqüentador habitual das montagens. “Foi a partir daí que pude desenvolver um estilo pessoal de comédia, o que acabou se tornando uma marca na minha carreira, na minha vida. Nascia assim o estilo Eva, que era um estilo de humor, um jeito muito próprio de fazer rir. (...) Eu fazia comédia fina, com textos muito bem elaborados. E tinha a minha graça pessoal, além da graça do texto e das situações. Era um gênero fino e familiar, de menina moça”, afirma.

 

Em 1948, a companhia fez longa temporada em Portugal, lotando teatros durante nove meses. Voltou a Portugal em 1950, quando se apresentou por onze meses, e em 1960, para uma turnê que durou dois anos e meio e continuou com uma excursão por 50 cidades africanas. Luiz Iglézias morreu em 1963, logo após a volta da companhia ao Brasil.

 

Eva casou-se novamente em 1965, com Paulo Nolding, um empresário com pretensões a ator. Depois do casamento, Nolding abandonou os palcos e passou a ser o produtor da companhia. Seguindo os conselhos do segundo marido, Eva Todor parou de fazer personagens jovens e passou a interpretar papéis de damas-galãs, como na peça Olho na Amélia, de Georges Feydeau, que lhe valeu o prêmio Molière de melhor atriz em 1969.

 

Sua última peça foi Como se tornar uma super mãe em dez lições, de Paulo Fucs, encenada em 1989. A partir daí, Eva intensificou seu trabalho na televisão, em novelas e minisséries. Na televisão, destacou-se em novelas como Locomotivas (1977), Sétimo sentido (1982), Top model (1989), Olho no olho (1993) e O cravo e a rosa (2000), entre outras.

 

As décadas de dedicação quase exclusiva ao teatro acabaram impossibilitando Eva de ter presença constante no cinema. Mas isso não a impediu de marcar o cinema brasileiro com um papel memorável em sua estréia nas telas, ao lado de Oscarito, na chanchada Os dois ladrões, dirigida por Carlos Manga, em 1960.Travestido de Madame Gaby, personagem de Eva Todor, Oscarito finge ser a imagem dela refletida em um espelho, em uma cena impagável, na qual se destaca o talento histriônico e a perfeita sincronização dos gestos dos dois atores.

 

Eva Todor - O teatro da minha vida de Maria Angela de Jesus é da

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, tem 196 páginas e custa R$ 30,00

 

O ARQUIVO DE GILBERTO FERREZ

Muitas famílias, ao arrumarem seus guardados, entregam para instituições públicas um monte de caixas de papéis ditos velhos - cartas, bilhetes, fotografias, jornais, textos, livros e tantos outros documentos - mas importantes para a preservação da história de nosso país.

 

As instituições públicas por sua vez, na impossibilidade de tratá-los, deixam aquelas mesmas caixas encostadas na parede de alguma sala por muitos e muitos anos. As razões são inúmeras, todas de modo geral justificáveis, mas o resultado é um só: a nossa história vai ficando sem registro.  São milhares de documentos assim inacessíveis.

Felizmente, o arquivo do historiador, bibliófilo, colecionador e um dos mais importantes defensores do nosso patrimônio histórico e artístico - Gilberto Ferrez, não será assim. Graças ao patrocínio da Petrobras, o Arquivo Família Ferrez foi doado para o Arquivo Nacional, pronto para ser utilizado como uma fonte importante de pesquisa para a história da iconografia, da fotografia e do cinema no Brasil.  

O Arquivo Família Ferrez reúne um acervo documental de cerca de 40 mil documentos acumulados e preservados ao longo de mais de 150 anos. Inclui os arquivos pessoais de Gilberto Ferrez, do seu pai, tio e avô, respectivamente, Júlio, Luciano e Marc Ferrez, além do arquivo da firma comercial que possuiam – Marc Ferrez & Filhos.

São quatro gerações de documentos de diversos tipos: cartas, notas de trabalho, diários, textos de produção intelectual, recortes de jornais, fotografias e negativos, certidões, escrituras, livros-caixa, balanços, diplomas, formais de partilha etc. Estes documentos foram higienizados, classificados, catalogados e acondicionados, e seus dados inseridos em uma base de dados, de forma a permitir fácil acesso às suas informações.  Todo esse processo consumiu quase dois anos de trabalho e envolveu  uma equipe de cerca de 30 profissionais.

Agora, este importante material, que conta a história não só de uma família mas do nosso país, estará disponível para consultas gratuitas no site (www.arquivonacional.gov.br) e no próprio Arquivo Nacional (Praça da República, 173  - Centro – Rio de Janeiro).

 

A escolha do Arquivo Nacional, para receber o Arquivo Familia Ferrez, foi feita pela família. Helena Dodd Ferrez, filha de Gilberto Ferrez, documentalista e responsável pela coordenação técnica do projeto, diz : "Optamos pelo Arquivo Nacional por ele ser o principal órgão de arquivos do país, com excelentes condições técnicas, espaço e profissionais capacitados. Além disso, com a disponibilização da base de dados no site do Arquivo Nacional, pesquisadores do mundo inteiro terão acesso, em tempo recorde, a mais essa fonte de  pesquisa”.

O PERSONAGEM, POR PEDRO VASQUEZ
Gilberto Ferrez (1908-2000) desempenhou papel fundamental no tombamento e na restauração de nossos bens culturais durante décadas a fio, na qualidade de conselheiro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Não cabe aqui listar todas as suas realizações neste campo, bastando lembrar dois exemplos eloqüentes para sublinhar a importância de sua intervenção pessoal: os casos do Paço Imperial (prédio de enorme valor simbólico e histórico, posto que, sucessivamente, sede do governo colonial português e do imperial brasileiro), e o do Pão de Açúcar, ícone maior da paisagem carioca — quiçá do Brasil como um todo — que a cupidez inescrupulosa pretendia transformar em pedra britada.

Num país como o nosso, excessivamente devedor do esforço pessoal de visionários abnegados, Gilberto Ferrez foi uma espécie de bandeirante cultural, desbravando caminhos pelos quais ninguém ainda ousara se aventurar. Foi assim que, na década de 1940, quando a iconografia clássica e a fotografia ainda eram desprezadas como fontes históricas até mesmo na Europa e nos Estados Unidos, Ferrez soube perceber com grande antecipação o valor destes documentos para o estudo da História, tornando-se o primeiro especialista em imagem do Brasil.

Descendente de uma nobre linhagem artística, Gilberto Ferrez era filho de um dos precursores do cinema nacional, Júlio Ferrez e neto do célebre fotógrafo oitocentista Marc Ferrez, além de bisneto do pioneiro da numismática brasileira, Zéphyrin Ferrez.

 

Sabendo honrar e emular como ninguém o exemplo de seus antepassados, Gilberto Ferrez também foi um pioneiro, tenho inaugurado, em 1946, os estudos sobre a história de nossa fotografia, com seu célebre e seminal ensaio: A Fotografia no Brasil, 1840-1900. Todavia, é preciso lembrar que sua contribuição não se restringiu a essa especialidade, abarcando a iconografia pátria como um todo, como comprova o fato de os estudos sobre fotografia constituírem apenas um terço de sua vasta bibliografia, superior a quarenta títulos.

 

O ARQUIVO

Alguns destaques do Arquivo em meio a um acervo amplo e diversificado encontram-se desde o documento mais antigo que é de 1839, a um bilhete da Princesa Isabel solicitando que mandem um mensageiro na casa de Marc Ferrez encomendar fotografias da Missa Campal, comemorativa da assinatura da Lei Áurea, em 1988; Diplomas de Marc Ferrez e a Carta Imperial de D.Pedro II que lhe concede, em 1885, o grau de cavaleiro da Ordem da Rosa, pelo merecimento artístico de que deu provas na última Exposição Geral da Academia Imperial das Belas Artes.

 

Passaportes de todos eles, até o da esposa de Marc Ferrez, etc.

 

Os mais de 40 livros escritos por Gilberto Ferrez também estão presentes no Arquivo Familia Ferrez, acompanhados das pesquisas, dos textos originais, das ilustrações, e, alguns casos, das provas e bonecas, entre eles “A Muito Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”,  “A Gravura de Thomas Ender 1817” , "A Fotografia no Brasil”, “Richard Bates”, “As cidades de Salvador e do Rio de Janeiro no século XVIII”, “Raras e precisosas vistas de Recife”, etc.

 

A documentação da firma Marc Ferrez & Filhos é fonte inédita de pesquisa para quem quer saber sobre a história do cinema mudo e sonoro no Brasil. O Cinema Pathé, inaugurado em 1907, retrata o início do mercado de exibição cinematográfica no país, com notas de importação, detalhes sobre as cópias dos filmes, programas e até o ingresso comemorativo da primeira sessão feito em metal.


O Arquivo Família Ferrez é um exemplo de relicário doméstico e, ao mesmo tempo, fonte preciosa para a história da iconografia, fotografia e cinema no Brasil, da preservação dos bens patrimoniais em nosso país e da vida cotidiana no século XX.

Foto1: Carteira de Reservista de Gilberto Ferrez / Foto2: Marc Ferrez por Súlio Ferrez / Foto3: Urca em 1895 por Marc Ferrez / Foto4: Cartaz do Cinema Pathe em 1917 por Marc Ferrez & Filhos / Foto5: Postal da Enseada de Botafogo por Marc Ferrez & Filhos.

                                    A HISTÓRIA DO BRASIL

                                 ATRAVÉS DE SUAS MOEDAS

Baseado no acervo do Senhor Olavo Setúbal, a editora MAGMA CULTURAL lança a série especial do novo livro As Moedas Contam a História do Brasil, uma das maiores produções editoriais dos últimos tempos, que conta a história do país através de biografias completas sobre todos os governantes e as respectivas moedas de cada gestão.

 

O livro foi baseado na coleção do Senhor Olavo Setúbal, detentor da mais completa compilação de moedas brasileiras. A obra conta ainda com iconografias da história dos 500 anos do Brasil e curiosidades como os dobrões de ouro, cunhados nos anos de 1724 a 27, durante o reinado de D. João V, que tinham o valor facial de 20 mil réis, mas circulavam por 24 mil. Foram as maiores moedas de ouro feitas no mundo até hoje, com 40mm de diâmetro e pesando aproximadamente 55g. Com 400 páginas e no formato 30cm x 30cm, o livro conta com textos do curador Alfredo Gallas e  Fernanda Disperati.

 

No pé de cada página os desenhos em tamanho natural das moedas de cada gestão ilustram as biografias.

 

Inspirado pelo pensamento “Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”, de Nelson Rodrigues, a Magma Cultural reuniu em uma só obra relações entre o Brasil - que é um dos países que mais sofreu mudanças monetárias em toda a sua história, desde o descobrimento, até o ano de 1994, quando o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso de Melo introduziu o Plano Real – e tudo que aconteceu nestes quinhentos anos. Uma nova moeda para cada rei, para cada presidente, para cada novo plano econômico e da monarquia ao presidencialismo, cada moeda conta uma história diferente. O livro também faz parte das comemorações dos “200 Anos da chegada da Família Imperial Portuguesa ao Brasil,”que serão realizadas em 2008.

 

As Moedas Contam a História do Brasil, da Editora Magma Cultural  de Alfredo O.G.Gallas e Fernanda Disperati Gallas, 504 páginas, R$ 198,00

 

              TOMEI A LIBERDADE DE PINTAR A MEU MODO

A mesma editora Magma Cultural lançou também o livro Anita Malfatti – tomei a liberdade de pintar a meu modo, de autoria de Luzia Portinari Greggio, sobrinha de Candido Portinari, que enfoca toda a vida e a obra da artista, destacando também sua produção, depois da controvertida exposição de 1917, além de um estudo inédito sobre as assinaturas de Anita.

 

O livro reúne mais de 140 reproduções, entre retratos, flores, festas populares, paisagens, vilarejos, cenas rurais – pinturas (muitas inéditas) que revelam todo o estilo e a alma de uma das principais artistas brasileiras.

         

 “Tomei a liberdade de pintar a meu modo”, foi o título/desabafo que a própria Anita cunhou para uma exposição realizada pelo Professor Pietro Maria Bardi no MASP, em 1955, na tentativa de dar um basta às polêmicas suscitadas em torno da trajetória artística de Anita.

 

A importância de Anita Malfatti é inquestionável, não só pelo seu papel de pioneira da arte moderna no Brasil e pela ousadia de sua mostra de 1917, anos mais tarde chamada de “exposição insurrecional” por Paulo Mendes de Almeida, mas sobretudo pela qualidade de sua genial obra.

 

Ela protagonizou uma das mais acirradas polêmicas no campo das artes plásticas no País, a partir da violenta e eloqüente crítica de Monteiro Lobato. No artigo “Paranóia ou Mistificação”, publicado em 1917, Lobato atacou a arte moderna de uma maneira geral e deplorou as obras de Anita, que ele entendia ter muito mais talento do que estava apresentando naquela mostra.        

 

Essa crítica foi por muitos anos tida como a responsável pela mudança na trajetória da artista. Luzia Portinari Greggio não concorda com essa versão, isenta Lobato da responsabilidade e demonstra como Anita escolheu outros caminhos, que ela considerava avanço e não retrocesso, como muitos, entre os quais Mário de Andrade.

           

O episódio de 1917 também é visto como o que deu origem ao movimento que desencadeou a Semana de Arte Moderna, em 1922, como testemunhou Mário de Andrade, ao reconhecer: “Não posso falar pelos meus companheiros de então, mas eu pessoalmente devo a revelação do novo e a convicção da revolta a ela e à força de seus quadros.”

 

O presente projeto é fruto de pesquisas que estão sendo realizadas por Luzia Portinari Greggio, há mais de 10 anos. Em 2001, Luzia ganhou o Prêmio Estímulo de Curta-Metragem, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, com o documentário Lembranças de Anita. Em 2004, foi convidada pela BM&F para organizar a exposição Obras Primas de Anita Malfatti, em comemoração aos 450 anos de São Paulo.

 

Neste livro a autora selecionou 140 obras de Anita, abrangendo todas as fases de sua vida, dando ênfase a obras inéditas, abrigadas em coleções particulares, longe do público. Mas não esqueceu das obras expressionistas mais famosas de sua produção posterior, as executadas em sua estadia em Paris na década de 20, dentro do chamado “retorno à ordem” nem de retratos, flores e daquelas voltadas aos temas nacionais, já influenciadas pela arte naïf –festas populares, paisagens emolduradas por guirlandas de flores de papel, vilarejos, cenas rurais, colheitas,  gado pastando – despojadas e ingênuas.

 

O livro apresenta também um estudo sobre As assinaturas de Anita Malfatti onde a autora mostra algumas curiosidades. “É fascinante observar em sua assinatura o contexto psicológico que Anita vivenciava, o que é absolutamente comum, mas que, em Anita, assume características bem definidas e manifestas, incluindo a ausência de assinaturas, ou as assinaturas posteriores à finalização da obra.” 

 

Luzia ressalta ainda a existência, em inúmeras obras,  de duplicidade de assinaturas. “Raiva, formalidade, intimidade, alegria, despreocupação ou timidez através da forma e do conteúdo. Sem cair na tentação de procurar evidências no terreno grafológico, não se pode deixar de notar essas características claramente marcantes e reveladas, principalmente em sua correspondência.”

 

Anita Malfatti – tomei a liberdade de pintar a meu modo, da Magma Editora Cultural, de Luzia Portinari Greggio. Tem 152páginas e custa R$120,00

 

A VIDA E A OBRA DO REI DO BAIÃO 

 O jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo lançou o livro “Dicionário Gonzagueano, de A a Z” e foi a figura central de debate sobre a vida e a obra do Rei do Baião, Luiz Gonzaga (1912-1989), que completaria 95 anos de idade no dia 13 de dezembro passado.

 

O livro reúne a discografia, bibliografia, filmografia e músicas inéditas de Gonzagão, mostrando ainda que o seu cancioneiro já foi gravado por artistas internacionais como o estadunidense Dizzy Gilespie, o escocês David Byrne e a japonesa Keiko Ikuta, além de ter conquistado intérpretes na França, Espanha e até na Polinésia.

 

De acordo com o Dicionário Gonzagueano, o Rei do Baião gravou originalmente 625 músicas em 125 discos de 78 rpm, 41 compactos simples e duplos de 33 e 45 rpm, e quatro de 12 polegadas . Luiz Gonzaga deixou o registro de sua voz em 266 discos de carreira, além de participações em LPs e compactos de outros artistas.

 

E quem pensa que ele só gravou forró, baião, xote e arrasta-pé, está muito enganado. O livro de Assis Ângelo revela que o artista também gravou sambas, choros, mazurcas e valsas, entre outros gêneros musicais. No livro há outras curiosidades, como a que dá conta de que, entre gravações e regravações, o Rei do Baião superou o Rei da Voz, Chico Alves, em pelo menos nove títulos.

 

A IMIGRAÇÃO JAPONESA

Em 2008, a imigração japonesa completa 100 anos e as festividades acontecem por todo o país. O Paraná se destaca por concentrar a segunda maior colônia de imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil.

 

Dados da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, indicam a presença de 30 mil nikkeis em Curitiba e 150 mil no Paraná.

 

Além  dos eventos que já ocorrem anualmente como o Festival Nipo Brasileiro, em Maringá e o Imin Matsuri, em Curitiba e que reúnem mais de 100 mil participantes, estão previstos para o próximo ano diversas atividades culturais e esportivas, a inauguração de parques e memoriais e também encontros comerciais e científicos.

 

                      DUAS TRAJETÓRIAS SENSÍVEIS
O Brasil perdeu dois ícones de sua cultura: Mário Barata e Ruth Laus.
Ambos longevos e produzindo até os últimos instantes de suas vidas.
Intelectuais com contribuições significativas para a formação da
memória da história da arte brasileira.

Os críticos de arte passam toda uma vida estudando, pesquisando,
produzindo livros, ensaios, textos para catálogos, lançando artistas,
acompanhando suas trajetórias, influenciando tendências, criando
movimentos, registrando história, planejando exposições, salões e
bienais, informando o público, buscando fazer um elo entre a arte e os
artistas, ensinando em escolas e universidades, escrevendo em jornais e
revistas, clarificando um produto sensível: a arte.

Muitas vezes são encobertados pelo véu do esquecimento, quando sem eles  não existiria história em qualquer país. Mário Barata e Ruth Laus não podem ser esquecidos. Ambos deixaram grandes serviços prestados ao país.

 

RUTH LAUS

Faleceu com 87 anos no dia 12 de setembro de 2007,  em Tijucas, SC, vítima de um AVC a escritora e crítica de arte Ruth de Paula Laus, que manteve intensa vida cultural no Rio de Janeiro onde criou a primeira
galeria de arte da cidade em
1956, a Galeria Villa Rica.

Ponto de encontro de intelectuais, artistas e da sociedade carioca, frequentavam a Villa Rica nomes como Mario Faustino, Renard e Rossini Perez, Edilberto Coutinho, Luiz Canabrava, o crítico de arte Harry Laus (irmão de Ruth), a escritora Eneida, Mario Barata, Quirino Campofiorito, Athos Bulcão, Frank Schaeffer, José Condé, Vera Bocaiúva
Mindlin, Carlos Bastos, Georgina de Albuquerque, Wilson Reis Neto, Roberto Burle Marx e muitos outros.

Ruth Laus foi produtora e apresentadora do programa Studium - na TV
Continental Canal 9, focalizando artes e literatura, secretária da
Associação Brasileira de Críticos de Arte e secretária do Conselho de
Artes Plásticas do Museu da Imagem e do Som. Colaborou escrevendo sobre  arte e cultura
em O Jornal , revista Leitura, revista GAM, Jornal de
Ipanema e Vida das Artes. Recebeu prêmios e distinções da Academia Catarinense de Letras, da União Brasileira de Escritores e da Associação Brasileira de Críticos  de Arte.

FONTE: Correio da Bahia / 25-9-2007 – Colaboração Egeu laus

 
            
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MÁRIO REIS

A obra completa de Mário Reis em discos de 78 rpm foi resgatada, pela primeira vez, em setembro de 1993 pela Collector's Editora Ltda. Para esta comemoração, o público pode ter acesso as músicas do acervo, que foram catalogadas e digitalizadas na ordem em que foram cronologicamente gravadas. São 8 horas de canções interpretadas por Mário.


Mário da Silveira Reis era o seu nome verdadeiro. Nasceu no Rio de Janeiro em 31.12.1907 e faleceu também no Rio em 5.10.1981, deixando envolto em mistério muitas das suas decisões relacionadas com sua passagem pela música popular brasileira.

 

Filho de um comerciante sócio de uma casa de ferragens, de boa situação financeira, passou a infância no bairro carioca da Tijuca, cursando o primário e o secundário no Instituto Lafayette, e aos 15 anos jogava como meia-direita na equipe juvenil do América Futebol Clube.

Saiba mais sobre Mário Reis em:
http://www.collectors.com.br/Vida&Obra/~MarioReis.shtml

Foto: Mário Reis e Carmen Miranda.

 

                    HOMENAGEM A CLARICE LISPECTOR

Esta ucraniana naturalizada brasileira e considerada mais revolucionária que James Joyce, Virginia Woolf e Franz Kafka pela crítica literária internacional ganhou homenagem em Fortaleza.

 

A exposição “Clarice, Sempre Viva, Clarice”, apresentou livros raros, imagens e documentos sobre a sua história de vida e trajetória artística.

No último dia da exposição houve o seminário “Conversas ao pé de Clarice”, abrangendo uma série de debates, leituras e apresentações sobre a vida e a obra da romancista, contista, cronista, autora de literatura infantil e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.

 

A exposição e o seminário têm curadoria de Fernanda Coutinho, Miguel Araújo, Isabela Damasceno e Luciana Goiana e produção do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC).

 

UM POUCO DE CLARICE

Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920, e morreu no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro de 1977. De família judaica, emigrou com a família para o Brasil, quando tinha pouco mais de um ano de idade.

 

Começou a escrever logo que aprendeu a ler, em Recife. Clarice falava vários idiomas, entre eles o francês e o inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno familiar, o iídiche.

 

Em 1944, publicou seu primeiro romance, “Perto do coração selvagem”. A literatura brasileira era nesta altura dominada por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens contando a difícil realidade social do País na época.

 

Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, quer pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo solto elíptico e fragmentário, que críticos reputaram reminiscente de James Joyce e Virginia Woolf, sem bem que ainda mais revolucionário.

 

Em verdade, a obra de Clarice ultrapassou qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa Hélène Cixous chega ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes de Clarice) e outra D.C. (Depois de Clarice).

 

Por sua vez, o tradutor Gregory Rabassa, em artigo publicado no jornal The New York Times, edição de 11 de março de 2005, descreveu-a como o equivalente de Franz Kafka na literatura latino-americana.

 

Seu romance mais famoso talvez seja “A hora da estrela”, o último publicado antes de sua morte. Este livro narra a vida de Macabéa, uma nordestina criada no estado de Alagoas, que migra para o Rio de Janeiro e vai morar numa pensão, tendo sua vida descrita por um escritor fictício chamado Rodrigo S. M.

 

Clarice Lispector continua sendo algo estranho e fascinante na literatura brasileira. Dotada de especial sensibilidade, sua preocupação maior nunca esteve no enredo, no linear das coisas. Exigiu, ao contrário, que o leitor se entregasse em meditação à aventura de ler, se quisesse desfrutar da profundidade dos conceitos que se multiplicavam.

 

''NÃO, NÃO É FÁCIL ESCREVER. É DURO COMO QUEBRAR ROCHAS. MAS VOAM FAÍSCAS E LASCAS

COMO AÇOS ESPELHADOS''.
CLARICE LISPECTOR


 A VELHA SENHORA DAS LETRAS

A escritora britânica A escritora Doris Lessing ganhou o prêmio Nobel de Literatura neste ano. Aos 87 anos, ela é a pessoa mais velha a receber o prêmio e 11ª mulher a ser agraciada com o Nobel.  


A autora recebera o prêmio por transmitir a “experiência épica feminina”, que descreveu “com ceticismo, paixão e força visionária” a divisão da civilização. “Trata-se de uma das decisões mais meditadas que já tomamos”, disse o diretor da Academia Sueca, Horace Engdahl.

Doris Lessing nasceu Doris May Tayler, em 1919, na Persia (atual Irã), filha de pais ingleses. Mudou-se para a Rodésia do Sul (atual Zimbábue), o que influenciou profundamente sua literatura. Lessing discute tensões interraciais, violência contra crianças e movimentos feministas. Seu compromisso político a levou a criticar abertamente os governos racistas de Rodésia e da África do Sul, sendo impedida de entrar nesses países.

 

A autora, que vive na Inglaterra desde 1949, lançou romances, poesias e contos, além de livros que ficaram conhecidos como “ficção espacial”, pelas histórias em que naves espaciais colonizam planetas distantes.

Entre suas obras vendidas no Brasil estão “Debaixo de minha pele” (a primeira parte de sua autobiografia), “O sonho mais doce”, “Shikasta” e “As experiências de Sirius”. Em 1962, Lessing publicou o romance que a tornou famosa, “The golden notebook”, e depois consolidou sua fama com uma série de títulos de temática africana. Sua última obra, publicada neste ano, é “The cleft”.

O Nobel de Literatura concede 10 milhões de coroas suecas (US$ 1, 5 milhão) ao vencedor. O prêmio foi entregue em 10 de dezembro passado, aniversário da morte do fundador da academia, Alfred Nobel.

 

BIOGRAFIA

Lessing já descreveu sua infância como uma mistura de algum prazer e muita dor. Sua mãe impunha um forte sistema de regras em casa, obcecada por criar uma filha que fosse uma dama. Chegou a mandar Lessing para um colégio de freiras, onde ela vivia aterrorizada por ameaças e histórias sobre o inferno.

Mais tarde, a autora foi mandada para um colégio só de meninas, mas abandonou-o rapidamente. Aos 13 anos Lessing interrompeu sua educação formal e passou e ser auto-didata.

Aos 15, saiu de casa e arrumou um emprego como enfermeira. Seu patrão dava a ela livros de política e sociologia para ler. Lessing lia muito desde criança. “Eu estava apenas pensando em escapar, o tempo todo”, conta, referindo-se aos problemas que enfrentava em casa, com a mãe severa.

Lessing se casou duas vezes e teve três filhos. O primeiro casamento, com Charles Wisdom, durou de
1939 a 1943. O segundo durou de 1945 a 1949, com Gottfried Lessing, que foi embaixador de Uganda. Seu primeiro romance, “The grass is singing”, foi lançado em Londres, em 1949, quando a autora se mudou para a Europa.

 

       RECORDES DE NATAL MARCAM HISTÓRIA DO GUINNESS

Ao longo dos últimos 53 anos, desde a criação do Guinness, surgiram inúmeros recordes ligados à tradição natalina. Na edição 2008 do livro, que está nas livrarias - e já figura na lista dos mais vendidos -, alguns recordes chamam atenção, como a 'maior reunião de Papais e Mamães Noel', que ocorreu em dezembro de 2005, quando 3.921 pessoas caracterizadas correram pelas ruas de Liverpool, na Inglaterra.

 

A Grã-Bretanha detém ainda outros dois recordes natalinos. Em janeiro de 2006 foi criada a 'maior meia de Natal', medindo 19,25m de comprimento e 8,23m de largura (dos dedos ao calcanhar). Ela foi confeccionada em Gateshead, por compradores e funcionários do MetroCenter. Já em dezembro de 2006, foi reunida a maior quantidade de cartas a Papai Noel, 410, em um evento da Ong Rainbow Trust, no Trocadero de Londres.

 

O Brasil também está presente no Guinness com dois recordes ligados ao Natal – a 'maior árvore artificial de Natal', exibida no Parque Moinhos do Vento, em Porto Alegre , entre 1º de dezembro de 2001 e 6 de janeiro de 2002; e a maior árvore de Natal flutuante do mundo, que é montada todos os anos na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.

 

A deste ano, terá 85 metros de altura - três metros mais alta do que a versão 2006 -, o equivalente a um edifício de 28 andares. O escritório do Guinness Book, em Londres, já está preparando o certificado para conceder mais uma vez à estrutura o título de recordista mundial na categoria. O primeiro recorde é de 1999, quando a árvore media 76 metros .

 

Mesmo ausentes na edição 2008, outros recordes marcaram época. É o caso, por exemplo, do grupo de estudantes do University College, em Dublin, na Irlanda, que criaram o maior cartão de Natal do mundo (29.52 x 39.37 pés , cerca de 9 m x 12 m ).

 

Recordes bizarros também fazem parte da lista e poucos são mais estranhos do que a maior coleção de cartões de Natal reunidos por Joan Gordon, de Kent, na Inglaterra. Fanática por Natal, Joan decora todos os cômodos de sua casa com cartões – sua coleção chegou ao incrível número de 11.010 cartões diferentes! O recorde de Joan tem como rival uma outra extraordinária coleção – a maior coleção de objetos com Papai Noel. Jean-Guy Laquerre juntou, desde 1988, 13.014 itens de Papai Noel.

 

E enquanto todo mundo está acostumado a buscar os últimos trocados na bolsa no período de Natal, o japonês Tsunamachi Misui Club, de Tóquio, gastou 6.900.716,61 libras na mais cara árvore de Natal, decorada com 83 jóias.

 

A seção Arte e Mídia do Guinness 2007 registrou o Filme de Natal com maior orçamento e arrecadação. "Como o Grinch roubou o Natal", uma co-produção EUA/Alemanha, de 2000, custou US$ 123 milhões, mas obteve uma arrecadação recorde de US$ 340 milhões.


Outras façanhas que emergiram da tradição cristã incluem o maior Christmas cracker, outro recorde feito em casa pelos pais das crianças da Ley Hill School, em Buckinghamshire, na Inglaterra. O biscoito cracker media 63.1 m de comprimento e 4 m de diâmetro. Mesmo o maior gourmet do mundo teria problemas com o maior pudim de Natal, que pesava 3,28 toneladas – foi mostrado no famoso Aughton Pudding Festival, na Inglaterra, em 11 de julho de 1992.

 

ADEUS HELONEIDA STUDART

Nascida em Fortaleza, em 1932. Militante cívica e política desde muito jovem, Heloneida Studart era escritora, ensaísta, teatróloga e jornalista. Foi deputada estadual, esteve por várias vezes presa durante a ditadura militar, no final da década de 60.  E foi uma das mulheres,que mais lutou pela justiça social no Brasil.

 

Foi uma das fundadoras, em 1975, do Centro da Mulher Brasileira, núcleo do movimento feminista organizado no Brasil. Heloneida foi uma das indicadas em 2005 ao Prêmio Nobel da Paz. Fundadora do movimento feminista no Brasil, tem criado leis que beneficiam as mulheres, como a Lei 2648 que garantiu o exame de DNA para mães de baixa renda.

 

Ela exerceu seis mandatos na Alerj, dedicando-se primordialmente à luta pelos direitos da mulher. Durante a Assembléia Constituinte, participou do chamado “lobby do batom”, para inclusão de direitos trabalhistas específicos para mulheres, como a licença-maternidade de 120 dias.

 

Desde 1978, exerceu mandatos de deputada estadual no Rio de Janeiro pelo PT (Partido dos Trabalhadores). A sua atividade literária e teórica tem acompanhado desde sempre o ativismo político, sendo autora, galardoada pela Academia Brasileira de Letras, de numerosos ensaios, peças de teatro e romances.

 

Neste ano, Heloneida foi nomeada diretora do Centro Cultural e do Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro Jornalista Roberto Marinho. A Alerj suspendeu o seminário que ocorreria no Plenário Barbosa Lima Sobrinho nesta manhã.

 

A ex-deputada e diretora do Centro Cultural da Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), morreu dia 3 de dezembro passado, vítima de parada cardíaca. Ela havia se submetido a uma cirurgia no coração.

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