O HOMEM DEVE CRIAR AS OPORTUNIDADES,
E NÃO SOMENTE ENCONTRÁ-LAS !
FRANCIS BACON

CHEIO DE ENERGIA

JUSSARA CÂMARA

 

O “novo” artista plástico Renato Graça Couto, 78 anos, está expondo suas telas de formas geométricas bem coloridas, em perspectiva, formando cubos e hexágonos na Galeria do Centro Cultural Candido Mendes, no Centro do Rio.

 

- “Minha cabeça é geométrica”, me fala este engenheiro, que ajudou a construir Brasília.

 

Quando pequeno gostava de desenhar. “Eu adorava fazer aviões em combates aéreos”, comenta. Nesta época, Renato tinha 14 anos. Aos 18, foi aluno de Axel Leskochek, um pintor judeu foragido da guerra que morava no porão de uma casa ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Glória:

 

-“Durante doze anos, em vez de ir ao cinema como faziam os rapazes da minha idade, eu passava as tardes de sábado no atelier aprendendo a usar aquarelas e o guache. Até que um dia, Leskochek me perguntou por que eu iria prestar vestibular para engenharia, pois me garantia que, com apenas dez quadros meus, seria capaz de lançar-me no mundo das artes” - explica rindo.

 

A mãe era sua incentivadora. Ela gostava muito de arte, era dela a maior coleção de imagens sacras do Brasil. Mas, mesmo vivendo cercado de arte, este filho e neto de engenheiros optou pela engenharia civil. E a pintura manteve-se como sua segunda atividade. Em 1972, expôs seus quadros, na Galeria 3B em Botafogo.

 

- Naquela época eu pintava as paisagens que via durante minhas viagens de engenheiro. A geometria sempre esteve presente. As casas eram quadradas, as árvores redondas, sem galhos”, conta.

 

Há quatro anos Renato Graça Couto aposentou-se e quis ocupar seu tempo, tentando fazer o que antes era apenas um hobby. Mas, não gostou dos seus quadros. Então, resolveu voltar a estudar e passou a freqüentar a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tornando-se aluno de Suzana Queiroga. Foi quando Suzana lhe disse que ele estava repetindo o que fazia há 30 anos atrás.

 

- “Você está se copiando. Só que você não é mais aquela pessoa. Sua cabeça está diferente, assim como, sua vida. Esquece tudo e começa a pintar de novo.” Seguindo o conselho de Suzana, Renato passou a pintar natureza morta.

 

Um dia, ela colocou dois livros, um em cima do outro. Renato viu ali duas escadas, uma maior do que a outra. Desencontradas entre si. Depois, a criatividade levou-o às pirâmides, inaugurando uma nova fase. Fez uma exposição com quadros neste tema e vendeu tudo.

 

A fase atual é de cubos, hexágonos multicoloridos. “Eu gosto de cores vivas, fortes”, fala este artista.

 

Sua esposa achou seus novos quadros meio esquisitos, ele fala. “Não eram as pirâmides, como os anteriores”, explica. Agora, ela já gosta. É pena que na família, nenhum dos seus 4 filhos gosta de pintar. Apenas uma neta gosta de desenhar.

 

Nesta exposição “Geométricos” entre seus 20 quadros, medindo 0,80m X O,80m em acrílico sobre tela, um já mostra qual será sua fase futura: a de engrenagens.

 

“É muito difícil para o artista escolher o próximo quadro. O que vai fazer depois” ele conta. Rabiscando sai a forma. E segundo Renato, cada quadro é um parto. Mas, nem todos vão até o fim. Uns morrem antes de nascer, ele explica. É nessa hora, que pinta a tela novamente de branco.

 

Todo dia à tarde, durante três horas, ele trabalha no seu atelier em casa.

 

Mas, pintar também cansa: a vista e o corpo. Por isso, além da pintura no seu dia-a-dia, Renato Graça Couto se cuida. Faz Pilates uma fez por semana e caminha diariamente. 

 

 “Ficar parado é morte. A gente tem que fazer alguma coisa importante, algo que fique, criar alguma coisa, senão é preferível morrer”. E Renato escolheu estar vivo, cheio de energia, lutando por um lugar no mundo das artes.

 

O MAIS ANTIGO FOTÓGRAFO DO PAÍS

EM ATIVIDADE

 

Aos 30 anos de idade, José Dias Herrera, seu Zezinho, como é carinhosamente chamado pelos santistas, já era conhecido em todo o País, afinal foi o primeiro a fotografar o maior jogador de futebol da história brasileira, o Rei Pelé.

 

Sempre com olhar tenaz e ágil, Herrera, hoje com 87 anos, produziu e manteve um acervo valioso. Durante o Intercom, a exposição 70 anos de Jose Herrera, o mais antigo fotógrafo em atividade do País, poderá ser visitada pelos congressistas poderá ser visitada, no bloco M da Universidade Santa Cecília (Unisanta),

 

Herrera afirma que seu acervo fotográfico conta com passagens não apenas da Cidade, mas também do País, principalmente de personagens que tiveram grande influência na nossa história. Atualmente suas fotos são instrumento de uma tese de Mestrado.

 

Apesar de já ter fotografado de tudo um pouco, Herrera dedicou muitos anos da sua carreira à cobertura de futebol, especialmente do Santos Futebol Clube.

 

Sua passagem não se limitou aos jornais de circulação da Cidade. Zezinho foi correspondente da Gazeta Esportiva, da Folha de S.Paulo, do Estado de São Paulo e do Jornal O Esporte. Hoje ele integra a equipe do Diário Oficial do Município de Santos.

 

Além da sua importância para a história da Cidade, Zezinho é considerado o fotógrafo oficial do Rei Pelé. Carinhosamente, Herrera conta como fez sua primeira foto do Rei.

 

- "Fiz fotos do Pelé no Santos desde quando era um moleque. Ele quando me via posava com a camisa, com a família. (...) Até hoje faço fotos dele. Fui o fotógrafo de seu casamento, do nascimento do seu filho".

 

As máquinas e tripés utilizados pelo fotógrafo eram carregados de um lado para o outro, em dias de chuva e sol, retratando a miséria, crimes, incêndios e a transformação da cidade de Santos, da qual Zezinho tem muita paixão.

 

Nas mãos marcadas pela idade, Herrera mostra a câmera digital que utiliza na Prefeitura e afirma não gostar dela. "Isso não é fotografia, me sinto um batedor de chapas(...) Hoje o fotógrafo não manda mais na máquina. É ela quem tem poder sobre ele", conta com humor.

 

Para  Zezinho, as décadas de 40 e 50 foram as mais ricas em registro, pois todos os políticos do País passavam pela cidade de Santos. "A maior concentração que já vi em toda a minha vida foi quando Getúlio Vargas, após anistiar Luiz Carlos Prestes, combinou um comício conjunto. A multidão ocupava ruas e outras praças. Mesmo sem vê-lo, todos queriam ouvi-los".

 

Sorrindo, Herrera conta que seu maior orgulho é saber que a partir de uma necessidade pode fazer o que mais ama na vida e ainda receber a retribuição de colegas e admiradores de seu trabalho.

 

- "Nunca pensei que chegaria aqui. Antes vivia em um porão escuro e hoje em um belo lar de frente para a praia, com a minha família. Sou uma pessoa realizada. Será que mereço tudo isso?", pergunta.

 

O IDOSO CONSERVA SUAS FACULDADES
SE MANTIVER VIVOS SEUS INTERESSES"
CÍCERO

SARA QUER TRABALHAR

 

Estado civíl: viúva, Nacionalidade: brasileira, Idade: 78 anos, Naturalidade: Rio de Janeiro. Sempre gostei de trabalhar, desde criança. Gosto de vendas, contato com o público. Enquanto meus braços, minhas pernas e minha cabeça permitirem continuarei fazendo o que gosto. Dirijo, uso computador (Word, Outlook, Messenger, Skype) E quero trabalhar.

 

Esta é Sarah Szklo, mas pode chamá-la de Sônia, como seus amigos. Ela resolveu escrever este currículo num formato diferente dos outros por uma razão muito simples: é que ela nunca havia feito um currículo antes em toda a sua vida. Nem sabia por onde começar.

 

Como sempre trabalhou a vida toda, desde pequena, chegou a conclusão de que a sua história pessoal poderia falar mais dela, do que simplesmente uma lista de empregos. Sara quer logo arregaçar as mangas e trabalhar.

Abaixo, sua história:

 

Aos 9 anos

Tudo começou com uma necessidade de família. Meu pai tinha uma barraca que vendia panelas de ferro no Mercado Municipal de Belo Horizonte. O negócio começou a crescer e ele precisou de ajuda. Éramos 5 irmãos. Não sei porque, mas entre todos meu pai escolheu a mim. Eu tinha 9 anos e comecei a trabalhar com ele todas as tardes, depois da escola. Logo percebi que não seria nenhum sacrifício. Eu gostava de estar ali. E descobri já naquela idade que o contato com o público e o comércio me encantavam e me divertiam. Em pouco tempo construí uma sólida freguesia. Tinha gente que só comprava comigo. Se eu não estivesse, preferia voltar mais tarde.  Fiquei com meu pai em sua barraca até terminar o primário.

 

Aos 17 anos

Meu pai era um comerciante nato. Enxergava longe, conhecia seu público, tinha uma intuição quase infalível e, principalmente, tinha sorte. Inclusive no jogo. Quando entrei na Faculdade de Comércio de Minas Gerais ele ganhou um bom dinheiro na Loteria Federal. Comprou uma boa casa para a família e abriu sua primeira loja de brinquedos. E  eu fui trabalhar com ele. Nesta ocasião eu não apenas vendia como também ajudava na administração e nas compras. Eu era o braço direito do meu pai. Quando me formei, quatro anos depois, já eram três lojas.

 

Aos 21 anos

Eu havia crescido e meus interesses haviam se ampliado. Eu não vivia mais só em função da loja do Papai. Eu queria aproveitar a vida, queria me casar, queria ir para Israel (objetivo de 10 entre 10 jovens judeus àquela época). E foi o que eu acabei fazendo. Jovem e idealista fui ajudar a construir o Estado de Israel, morando num kibutz e vivendo uma vida simples, de muito sacrifício, de muito trabalho mas de muito orgulho. Sete anos e dois filhos depois, sentimos que havíamos cumprido a nossa missão e resolvemos voltar para o Brasil.

 

Aos 30 anos

Fomos morar em Belo Horizonte e meu pai nos ofereceu uma de suas 5 lojas para administrar. Os tempos eram outros. Meu irmão, que era apenas um adolescente quando eu fui para Israel, era agora o braço direito do meu pai. De qualquer maneira, eu havia descoberto uma outra paixão em minha vida: meus filhos. Mesmo assim meu prazer em trabalhar com o público continuava firme e forte.

 

Aos 32 anos

Para melhorar um pouco mais as finanças da família, comecei a lecionei hebraico na Escola Israelita Brasileira Teodor Hertz.

 

Aos 34 anos

Meu marido recebeu uma proposta para trabalhar em Jacareí, interior de São Paulo, e nos mudamos para esta cidade. Agora já eram três filhos para cuidar. Enquanto estivemos lá, montamos uma granja nos fundos da nossa casa e vendíamos frangos e ovos para a vizinhança. Quer dizer: eu não precisei abrir mão de nenhuma de minhas paixões: filhos e trabalho.

 

Aos 36 anos

Um ano depois meu marido recebeu uma proposta melhor para trabalhar em São Paulo e então fomos para lá de mala e cuia. Dois anos depois comecei a vender roupas femininas para vizinhas e amigas. Era no meu quarto mesmo. Quando o negócio começou a crescer, construímos uma edícula nos fundos da nossa casa onde começou a funcionar oficialmente a Boutique Sônia. Enquanto eu tive a boutique moramos em três casas diferentes. Durante um tempo chegamos a ter uma filial no Itaim Bibi, mas a distância do dia-a-dia dos meus filhos me fizeram desistir do negócio.

 

Aos 50 anos

Com os filhos já criados, resolvi dar uma guinada em minha vida. Meu pai queria há muito tempo abrir uma filial de suas lojas, o Rei dos Brinquedos, em São Paulo. Depois de muita insistência aceitei o desafio e alugamos uma loja em Pinheiros. O ponto era ótimo, os preços eram justos, meu pai mantinha sempre a loja bem abastecida e o atendimento era diferenciado. Num tempo de uma inflação absurda, tínhamos um concorrente a apenas um quarteirão de distância que utilizava uma estratégia que ficou famosa à época: vendiam mais barato que a própria fábrica e aplicavam o dinheiro no “overnight”. Agüentamos por um bom tempo por causa de nosso atendimento. Muitos clientes sabiam que vendíamos mais caro que o concorrente mas faziam questão de serem bem atendidos.

 

Aos 58 anos

Alguns anos depois chegamos a conclusão que não valia mais a pena lutar tanto contra um inimigo tão agressivo, e fechamos a loja. Então comecei a trabalhar como representante para a firma Kapos Comercial e Industrial Ltda, onde trabalhei por 20 anos até 2006, sendo muitas vezes durante todo este tempo campeã de vendas. Nos últimos anos, paralelamente acumulei a representação de outras empresas como a Confetti e Visual.

 

Aos 78 anos

O trabalho de representação é muito extenuante e exigente. É preciso estar na rua todos os dias o dia inteiro e apesar de estar muito motivada para trabalhar, já não estou mais disposta a tantos sacrifícios. Resolvi que era hora de mudar e dar outra guinada. Quero trabalhar em algo que me dê satisfação mas que  não exija demais (fisicamente) de uma jovem senhora de 78 anos. Ah, já ia me esquecendo: há 25 anos sou síndica de prédio em que moro: dez anos no anterior e quinze anos no atual.

 

Quem estiver interessado em mim, favor mandar um e-mail para este site.

BRASILEIRO NÃO TEM MEDO DO FIM DO MUNDO.
TEM MEDO DO FIM DO MÊS
ANÔNIMO

MULHER, MAIS DE 60 AINDA TRABALHA

E não são poucas, pelo contrário, são mais de 1,5 milhão de mulheres com mais de 60 anos que ainda trabalham; segundo o IBGE – Instituto Brasileiro Geográfico e Estatístico.

Segundo levantamento, a proporção de mulheres aposentadas (45,9%) é menor que a de homens (77,7%), conseqüência do tardio ingresso delas no mercado de trabalho. As regiões com proporções maiores de aposentadas são Nordeste (63,1%), Norte (51,6%) e Sul (44,8%).

No entanto, a proporção de mulheres idosas aposentadas é menor do que a dos homens, revela a Síntese de Indicadores Sociais 2002, do IBGE.

Entre as que possuem aposentadoria e/ou pensão, 17,3% estão ocupadas, contra 23,6% das que não possuem nenhum desses benefícios. Nos homens, os percentuais são, respectivamente, 36,3% e 77,2%.

O estudo revela ainda que há uma grande proporção de pessoas de 60 anos ou mais que não recebem aposentadoria e nem pensão: 20,4% homens e 24,6% mulheres. Muitos destes ainda continuam no mercado de trabalho, têm algum outro tipo de rendimento ou são dependentes de outras pessoas. 2003

VIVA COMO SE FOSSE MORRER AMANHÃ.
APRENDA COMO SE FOSSE VIVER PARA SEMPRE
MAHATMA GHANDHI

SOU VALORIZADO

 

Dentre o quadro de cerca de 800 funcionários da Dimep – Dimas de Melo Pimenta Sistemas de Ponto e Acesso – um, em especial, se destaca. Trata-se de Germano Barreira da Silva. A terceira idade não conseguiu apagar o brilho nos olhos e o jeito alegre e falante desse septuagenário de 75 anos, que em maio completou 60 anos de trabalho na empresa.

 

Germano fala com orgulho de sua vida profissional e se diz um homem realizado. Depois da família, o trabalho é seu maior valor. Desde 1947, atua diariamente na matriz da empresa, mais precisamente na área de Expedição – hoje ocupa o cargo de Encarregado de Serviços Externos. Perguntado o porquê de ter ficado tanto tempo no mesmo emprego, o profissional não titubeia, diz que encontrou na empresa tudo que precisava para ser feliz. “Aqui, sempre fui respeitado e valorizado. Aqui, criei e formei meus filhos. Para mim, isso bastou”.

 

Há 13 anos Germano se aposentou, mas nunca deixou de trabalhar. “Aposentadoria no Brasil é coisa pra gente rica. É impossível viver dignamente só com o salário da previdência. Além disso, tenho muita energia pra ficar sentado num sofá esperando a morte chegar”, destaca.

 

No sofá, Germano só se senta à noite, para assistir futebol e os programas jornalísticos. “É muito importante estar bem informado. Como não tive oportunidade de estudar, foi a forma que encontrei para me atualizar”, diz.

           

 

A história de Germano se confunde com a da própria DIMEP. A empresa, fundada em 1936, pelo professor Dimas de Melo Pimenta, é líder no seu segmento com uma participação aproximada de 65% do mercado, com 60 filiais e concessionárias.

 

Quanto ao futuro, Germano ainda espera muito. “Quero chegar aos 80 anos trabalhando e passar dos 100 anos de vida. Se depender da minha disposição, isso vai ser fácil. Meu médico diz que tenho a saúde de um menino. Meu segredo: faço o que gosto”.

 

OS NOVOS IDOSOS

 

Discutir o idoso como consumidor significa também derrubar vários ícones do preconceito que acompanham a chamada terceira idade. Os idosos consomem muitos livros, cursos, computadores, artigos esportivos, clubes, cinemas, televisão, turismo e roupas, entre inúmeros outros itens necessários para uma vida saudável.

 

Para a gerontóloga social Esmeralda Kiefer, responsável pela direção do Menino Deus Senior Residence, tradicional condomínio para terceira idade na Capital gaúcha, no Brasil, a maior parte dos produtos vendidos para idosos está muito mais associada à incapacidade de locomoção e à condição física limitada do que ao crescimento desse grupo etário no mercado consumidor.

 

Outro grande grupo de produtos oferecidos a idosos é o dos fármacos. Existe ainda um terceiro que avança sobre o universo da terceira idade: o dos seguros de vida. Nesse caso, os idosos aparecem mais como fonte para propagandas e comerciais do que como os mais potenciais consumidores. É comum ver pessoas idosas em comerciais de companhias de seguro na intenção de dar credibilidade ao produto vendido.

 

A gerontóloga social alerta que precisamos ter cuidado com a maneira de só pensar nas perdas desse segmento da nossa sociedade. Existe uma parte deste segmento que vem a descobrir, na maturidade, o quanto pode fazer. Muitos consideram que a aposentadoria é a grande chance de fazer o que sempre quiseram e nunca puderam. “É preciso olhar para os ‘novos velhos’ com mais realidade, pois muitos deles também são responsáveis, hoje, pela manutenção de parte da educação, saúde e alimentação de netos e até mesmo por toda a família”, garante Esmeralda Kiefer.

 

A Fundação Perseu Abramo e o SESC realizaram a pesquisa Idosos no Brasil - Vivências, desafios e expectativas na 3ª idade que teve como principais objetivos ouvir dos próprios idosos como estes se sentem a respeito de sua idade e de sua inserção na sociedade. Entre os idosos pesquisados, 22% integram a população economicamente ativa, sendo que 11% já estão aposentados, 5% estão no mercado formal e a maior parte, 15%, no mercado informal, atuando principalmente de modo temporário, e 12% fazendo bicos.

 

Para 23% dos entrevistados que se aposentaram, houve dificuldade de adaptação à nova realidade, e 14%  sentem falta da rotina de trabalho, da movimentação do dia-a-dia e de terem que ficar em casa parados, sem terem o que fazer , antes mesmo das dificuldades com a queda da renda, apontada por 5% deles. As principais sugestões espontâneas dos idosos para facilitar a adaptação à nova rotina de aposentado são a possibilidade de trabalhar, se assim o desejarem (16%), terem alguma atividade para ocupar o tempo e a mente (13%), terem um trabalho mais leve e adequado à sua idade (10%), manterem o salário para garantir o mesmo padrão de vida (8%), terem mais lazer (7%) ou uma atividade física (6%).

 

Os dados demonstram, entre outras coisas, que a aposentadoria está longe de significar o fim de carreira. Atualmente, ela pode representar o começo de uma nova atividade, e as previsões mostram que o mercado de trabalho para maiores de 60 anos ou para quem lida com essa faixa etária estará em franca atividade.

 

No Brasil, no entanto, esse futuro já é realidade. Com a expectativa de vida mais alta cada vez mais pessoas da terceira idade continuam trabalhando pelas mais diversas situações: por necessidade, por prazer, ou porque acham que sua hora de parar ainda não chegou.

 

Nesse contexto, também se enquadram profissionais que atuam junto às pessoas mais velhas, como fisioterapeutas, enfermeiros, geriatras, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos especializados no atendimento à terceira idade: os gerontólogos. Essas profissões, e outras tantas que pareciam estar em desvantagem, ganham dimensão e importância cada vez maiores nesta nova realidade assumida pelos idosos.

 

Pensando nisso, muitas empresas estão lançando programas para idosos, como por exemplo as redes de supermercados. Mas é a área de serviços a que mais emprega idosos, seguida pelo comércio, também focada muito no atendimento, no contato desse profissional e na credibilidade que ele passa e, por último, a indústria. Existem vários depoimentos de pessoas que estavam já entrando em processos depressivos, em casa, e que com a possibilidade de buscar oportunidades, inclusive com a iniciativa partindo das empresas que abrem espaços de trabalho para os  aposentados, mudaram completamente o estilo de vida.

 

 Para os idosos que não estão trabalhando mas pensam em se recolocar no mercado, é importante mudar de atitude com relação a algumas tecnologias, como o computador. É necessário tentar aprender como ele funciona e demonstrar interesse, pois esta é uma ferramenta que veio para ficar. Preparar um bom currículo, fazer cursos técnicos para se manter atualizado, ler sobre o mercado de trabalho hoje e suas exigências e manter-se informado sobre as ofertas de trabalho para idosos são iniciativas fundamentais para obter sucesso nessa reinserção.

 

Em 2025, o Brasil terá cerca de 32 milhões de idosos, e ocupará a sexta posição no mundo nessa faixa etária, com uma expectativa de vida de 81 anos, segundo projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda conforme a pesquisa, a expectativa de vida ao nascer para as brasileiras será de 84 anos.

 

Hoje, a proporção de pessoas mais velhas está crescendo mais rapidamente do que a de crianças e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 19% das pessoas com 70 anos ou mais estão voltadas para o mercado de trabalho, números que fazem diferença na economia do país. Para o idoso, além da ajuda financeira, trabalhar também é importante porque o mantém inserido na sociedade, faz com que ele se sinta útil e, principalmente, não tenha problemas emocionais.

"A VELHICE SÓ É RUIM PARA OS VELHOS RUINS
E PESADA, PARA OS QUE SÃO PESADOS."
TCHECOV

ABERTURA DE MERCADO

JUSSARA CÂMARA

O aumento da expectativa de vida vai aumentar também a previdência e a necessidade de atendimentos de saúde, além da mudança da organização social. Será preciso uma reorientação do espaço urbano, novos produtos de consumo e de se inserir os idosos aposentados no mercado de trabalho.

O Brasil possui hoje uma das maiores taxas de aposentados que ainda precisam trabalhar para sustentar a si e à família. O montante corresponde pelo menos a 50% da população de aposentados, segundo dados do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

De acordo com Obadia Oheb Sion, consultor de carreiras do Grupo CATHO de Consultoria em Recursos Humanos no Rio de Janeiro, o mercado de trabalho está se abrindo para os "mais maduros".

 

- “Os empresários, de uma forma geral, estão buscando profissionais mais maduros, que estejam atualizados nas suas profissões e que possam desempenhar as funções com competência, interesse, qualidade e muita dinâmica, num custo menor”, explica.

 

O Idade Maior perguntou ao responsável pelo assessoramento na busca de uma nova colocação profissional, Obadia Sion, quais os conselhos que ele daria para quem se aposentou e pensa em voltar ao mercado de trabalho. 

 

- “Procurar está sempre atualizado na sua profissão e atento ao mercado, buscando novos cursos de atualização e principalmente, desenvolver exercícios de raciocínio rápido”, respondeu.  

 

Para ele, o mercado atual exige profissionais bem qualificados, com grande experiência e vivência, criatividade e que demonstrem interesse pelo que fazem.  

 

Por isso, Obadia Sion acha que os seniors têm mais chances, pois entre suas qualificações  está a experiência; depois a credibilidade demonstrada pela sua vivência na profissão.  "E se aliarmos a experiência à necessidade de ser útil com certeza, teremos um bom profissional contratado”, finaliza.

 

Para dar um exemplo de como o mercado está mudando, Sion informa que  hoje a recolocação de uma secretária bilíngüe mais madura não é um problema tão grande se comparado há alguns anos, quando empresários só desejavam secretárias bonitas e vistosas, sem a preocupação com a experiência profissional. “Hoje, como o tempo é dinheiro, quem desenvolver melhor a sua atividade e mostrar interesse, com certeza o mercado irá absorver”, complementa.


Outras qualificações que um empregado mais velho tem é que ele não falta, é menos negligente, tem mais dedicação e mesmo, mais satisfação, até porque alguém lhe deu uma oportunidade.

Muitas vezes, como já é aposentado, aceita um salário um pouco mais baixo, funções menores com excelentes resultados. Ele já não quer fazer carreira, apenas ter um emprego, que o ocupe e onde possa mostrar suas habilidades.

Em São Paulo, há um projeto de lei estadual, que determina que todas as empresas estatais com mais de 50 funcionários preencham 5% de seu quadro com pessoas acima dos 45 anos.


Abrir novos espaços, treinar e direcionar os mais velhos para novos setores de trabalho, como áreas de serviços, assim como existe em muitas cidades da Europa e dos Estados Unidos, como o trabalho em museus, em atividades turísticas, em bibliotecas, em lojas de produtos de casa e o terceiro setor pode ser um começo.

 

Ou por que não falar? uma preparação para o futuro.

 

USINA ABRE VAGAS PARA IDOSOS E QUEM BUSCA PRIMEIRO EMPREGO

A construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, mostra que a alemã ThyssenKrupp veio para ficar. Em parceira com a Companhia Vale do Rio Doce, a maior siderúrgica da América do Sul vai gerar só na obra - um investimento de 3 bilhões de euros - 10 mil empregos por ano. Nos períodos de pico, o projeto terá 18 mil pessoas na força de trabalho da construção.

Na fase de operação, serão 3.500 empregos diretos, mais 14 mil indiretos - 17.500 a partir de 2009. Pelo menos 75% da mão-de-obra serão recrutados no local. Para quem pretende aproveitar a oportunidade do empreendimento que vai mudar o perfil da região, é hora de começar a se preparar para o primeiro emprego, que promete ser um empregão.

Parte dos funcionários (pelo menos 300, inicialmente) vai receber treinamento na Alemanha. Amanhã, começa a mudança da sede para o complexo,
em Santa Cruz. A empresa terá ônibus para levar e trazer o pessoal. Hoje, há coletivos e vans no trajeto para Zona Sul, Niterói e Volta Redonda.

O gerente geral de Recursos Humanos da ThyssenKrupp CSA, Valdir Monteiro, afirma que a região vai ganhar uma escola técnica, em parceria com o Senai- RJ, que será construída até 2008. "Interessados devem começar a se preparar desde já. Uma dica é investir no Inglês", recomenda. Os candidatos ao primeiro emprego devem se cadastrar pela Internet (www.thyssenkrupp- csa.com.br). Até dezembro, serão contratadas 300 pessoas para cargos operacionais. Monteiro avisa que não é preciso ter pressa: o recrutamento será constante.

Jobel Cunha Pereira, de 37 anos, é encarregado de obras de um posto de gasolina na Rio-Santos, que estava fechado havia oito anos. O filho mais velho, de 18 anos, já tem vaga garantida como frentista no posto. "Minha filha, de 16, é estudiosa e se prepara para o progresso da região. Estuda até informática", conta, orgulhoso.

Fonte: O Dia Online, 15 de setembro de 2007.Artigo de Luciene Braga

 

A VOZ ERUDITA MAIS BONITA DO MUNDO SE SILENCIOU

JUSSARA CÂMARA

 

Deus deveria poupar certas pessoas de sofrerem, principalmente quando elas fazem outras tão felizes. Foi o que pensei quando vi a imagem do tenor italiano Luciano Pavarotti,  depois que deixou o hospital para a retirada de um câncer no pâncreas.

 

Mas, no fundo o que eu queria mesmo é que Ele não levasse. Mas, não fui atendida e nem os milhares de fãs de Pavarotti, que partiu aos 71 anos, no dia 6 de setembro último, em Modena, Itália, sua cidade natal.

 

O  português tenor Pedro Chaves, diretor da Companhia Portuguesa de Ópera, disse  que Pavarotti era dos cantores de ópera que nasceu com uma voz e com uma alma superior a ele.

 

Filho de um padeiro, que se tornou um dos maiores tenores do século XX, grande intérprete de Puccini, Donizetti e Verdi. Ele participou com os tenores espanhóis José Carreras e Plácido Domingos no Concerto dos 3 tenores e gravou famosos duetos com Andréa Bocelli, Queen, Bryan Adams, U2, Céline Dion.

 

Sua popularidade era tão grande que ultrapassou os limites da música erudita. Em seu funeral, 50 mil pessoas tiveram presentes para homenagear aquele que foi a maior referência da voz erudita no mundo.

 

MEU ÍDOLO PAVAROTTI
DUÍLIO GUIMARÃES

 

Muitos anos atrás, quando ainda era uma criança sem noção nenhuma do que era a música, eu ouvia ópera porque meu pai assim me proporcionava essa grandeza. Anos mais tarde, ainda por mérito único e exclusivo de meu pai, conheci esse meu ídolo: PAVAROTTI.

Foi mais ou menos quando comecei a crer na religião e em Deus. Primeiro vieram seus pensamentos, seus ideais e suas crenças. Mas aos poucos, minha inquietação e minha necessidade de respostas aos meus questionamentos foram pouco a pouco sendo respondidas.

 

Imagens diversas cumpriam a lacuna de símbolos e protetores que eu, assim como me ensinaram, buscava ao longo da vida para me acompanhar e proteger.

Mas, apenas uma voz me deu e dará eternamente a certeza de sentir a emoção de estar para sempre muito próximo deste mesmo pai que tanto amo e admiro: A VOZ DO MEU ÍDOLO PAVAROTTI.

Pavarotti fez por mim o que toda a riqueza e a capacidade de  minha infância não foi capaz de fazer por mim e por meu PAI; UNIR ETERNAMENTE E DE FORMA DEFINITIVA NOSSAS VIDAS... OBRIGADO LUCIANO...

Duílio Guimarães é um empresário sensível, que adorava Pavarotti e que gosta de expressar suas emoções.

 

A VOZ DO SILÊNCIO NOS DEIXOU

JUSSARA CÂMARA

 

O francês Marcel Mangel nasceu na cidade de Estrasburgo em 22 de março de 1923 e cresceu em Lille, França. Seu pai judeu de origem judaica sofreu perseguição durante a segunda guerra, sendo morto no campo de concentração de Auschwitz, Alemanha.  Foi neste período que ele adotou o sobrenome Marceau.

 

Marcel Marceau foi o mímico mais famoso do mundo e morreu em 22 de setembro passado, aos 84 anos. Ele era o poeta do silêncio, que criou o personagem Bip, que tinha o rosto pintado de branco e camisa listrada, que personalizava um Dom Quixote, que combatia os mesmos problemas de hoje.

 

Suas grandes influências foram os astros do s filmes mudos americanos como Charles Chaplin e Buster Keaton. Mas, os gestos estilizados foram copiados da ópera chinesa e do teatro japonês, Noh.

 

Seus shows se tornaram populares na década de 50. Eram vistos como uma revisão dos espetáculos da Commedia dell’Arte, mais moderna.

 

Apesar de ser consagrado numa arte que dispensa palavras, ele tinha fama de bom conversador. Uma vez disse que “a mímica como a música, não conhece fronteiras, nem nacionalidades.”

 

Em função da sua forma física invejável, Marcel Marceau trabalhou até seu últimos anos.  O presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao saber da sua morte, disse que ele era um dos embaixadores mais eminentes do país.

 

LIVRO NARRA A HISTÓRIA DO BRASIL

ATRAVÉS DE SUAS MOEDAS

         

 

Baseado no acervo do Senhor Olavo Setúbal, a editora MAGMA CULTURAL lança este mês, a série especial do novo livro As Moedas Contam a História do Brasil, uma das maiores produções editoriais dos últimos tempos, que conta a história do país através de biografias completas sobre todos os governantes e as respectivas moedas de cada gestão. Os apreciadores e fanáticos por Arte e História podem comprar a obra exclusiva através do site da editora (www.magmacultural.com.br).

 

A obra conta ainda com iconografias da história dos 500 anos do Brasil e curiosidades como os dobrões de ouro, cunhados nos anos de 1724 a 27, durante o reinado de D. João V, que tinham o valor facial de 20 mil réis, mas circulavam por 24 mil. Foram as maiores moedas de ouro feitas no mundo até hoje, com 40mm de diâmetro e pesando aproximadamente 55g. Com 400 páginas e no formato 30cm x 30cm, o livro conta com textos do curador Alfredo Gallas e  Fernanda Disperati.

 

No pé de cada página os desenhos em tamanho natural das moedas de cada gestão ilustram as biografias.

 

Inspirado pelo pensamento “Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”, de Nelson Rodrigues, a Magma Cultural reuniu em uma só obra relações entre o Brasil - que é um dos países que mais sofreu mudanças monetárias em toda a sua história, desde o descobrimento, até o ano de 1994, quando o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso de Melo introduziu o Plano Real – e tudo que aconteceu nestes quinhentos anos. Uma nova moeda para cada rei, para cada presidente, para cada novo plano econômico e da monarquia ao presidencialismo, cada moeda conta uma história diferente.

 

O livro também é lançado às vésperas das comemorações dos “200 Anos da chegada da Família Imperial Portuguesa ao Brasil,” que serão realizadas em 2008. Seu custo R$ 198,00 a ser pago em cartão, em até 3 vezes.

 

RECORDE SESSENTÃO

 

Quase 70 anos depois do lançamento, “E o Vento Levou” continua com o título de filme campeão de bilheteria no cinema. O clássico, de 1939, arrecadou US$ 3.161.014.684, se forem considerados os valores atualizados conforme os índices de inflação. Outros dois megassucessos do cinema são das décadas de 30 e 40. É o que revela o Guinness Book of Records, edição 2008, que chega às livrarias no próximo mês, pela Ediouro.

 

CLEMENTE DA CUNHA FERREIRA

 

Nos dias 26 e 27 de setembro de 2007, o Instituto Clemente Ferreira celebra o sesquicentenário de Clemente da Cunha Ferreira, seu fundador. Médico sanitarista, que ainda hoje é reconhecido internacionalmente por ser um pioneiro no combate à tuberculose no Brasil.

 

Natural de Rezende, Rio de Janeiro, Clemente Cunha Ferreira nasceu em 29 de setembro de 1857. Formou-se em 1880, época que iniciou a defesa pelos doentes de tuberculose, tema de sua tese de conclusão do curso. Atuou em diversas cidades, como a capital carioca, Campinas e Rio Claro, interior de São Paulo. Nas duas últimas, em 1889, participou ativamente da luta contra febre amarela, o que lhe rendeu uma medalha de ouro da Câmara Municipal.

 

Dez anos depois, em 1899, já em São Paulo , fundou a Associação Paulista de Sanatórios Populares para Tuberculosos, mais tarde conhecida como Liga Paulista contra a Tuberculose. A partir daí, voltou-se exclusivamente ao estudo da patologia.

 

Em 1902, criou a revista “Defesa contra a Tísica”, e por meio dela buscou conscientizar a população e as autoridades sobre a amplitude que a tuberculose estava ganhando no país. Auxiliado por uma equipe de colaboradores devotos e com o subsídio municipal, fez o primeiro dispensário para o tratamento e prevenção das doenças pulmonares, em 1904, no centro de São Paulo. O Dispensário Modelo, como era chamado, foi seu campo de atuação até o fim de suas atividades.

 

Preocupado com as doenças transmissíveis, no contexto médico, social e epidemiológico, investia na profilaxia, nas melhorias das condições sanitárias e, sobretudo, estava sempre em busca de tudo que havia de mais moderno no mundo para o controle da doença. Pioneirismo e bravura, sem dúvida, são características marcantes da contribuição do dr. Clemente à saúde nacional.

 

MAL DO SÉCULO XIX

 

No entanto, se fosse vivo Dr. Clemente ficaria muito triste por saber que este que foi o mal do século XIX, voltou com força. Somente nestes primeiros sete anos deste século, foram registrados mais de 100 mil casos no estado do Rio, a maior incidência de casos na federação.

 

A taxa de infecção no estado, quase cem por grupo de cem mil habitantes, é o dobro da média nacional.

 

O mesmo número é também 20 vezes superior ao recomendado pela OMS – Organização Mundial de Saúde: cinco casos para cada grupo de 100 mil. Na região metropolitana se concentra a maioria de casos. E as áreas mais afetadas são as favelas. Isso ocorre porque o causador da doença, o Bacilo de Koch, se propaga pelo ar em áreas de pouca ventilação e sem incidência de sol.

 

Graças à pobreza e à falta de organização dos serviços de saúde, a tuberculose continua matando. As estimativas é que pelo menos mil pessoas morram anualmente desta doença no estado do Rio de Janeiro.

 

Falta informar à população que apesar de ter medicação, esta doença ainda resiste. Seus sintomas iguais a de uma gripe: tosse por muito tempo, dor no peito, cansaço e febres vespertinas, muitas vezes, não são diagnosticados logo. Ou então, as pessoas infectadas não continuam o tratamento até porque não têm o que comer e tomar a medicação sem ter o que comer é horrível a sensação de náusea.

 

Cada pessoa não tratada costuma contaminar, em média, outras 15. É bom saber que 15 dias após iniciado o tratamento, as chances de contaminação são nulas. Que tal o governo se organizar  e investir mais nesta doença, no seu tratamento e informação à população? Aí talvez, ela acabe.

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