FICAR
VELHO SIGNIFICA QUE TENHO QUE VIVER INTENSAMENTE MINHA
VIDA AMOROSA E PROFISSIONAL PORQUE ESTOU TENDO A CHANCE
DE CURTIR A ÚLTIMA FASE DA MINHA VIDA. NÃO
POSSO MAIS PERDER COMBUSTÍVEL COM MEDIOCRIDADES, O
TEMPO URGE PARA MIM.
MEUS
SENTIMENTOS QUANTO AO ENVELHECER: SOLIDARIEDADE, AMIZADE
E MUITO PAIXÃO POR TUDO QUE POSSO USUFRUIR, QUERO
PECAR POR EXCESSO NESTA FASE E NÃO POR OMISSÃO.
QUERO PERDOAR A MIM MESMA E DESCRISTALIZAR MEUS TRAUMAS
PARA VIVER DESPOJAMENTE CADA MINUTO DO MEU VIVER, AFINAL
COMO DIZ O POETA: É PRECISO SABER VIVER, E A HORA É AGORA!!!!
PROFª
DRª NEILA BARBOSA OSÓRIO
COORDENADORA
DA UNIVERSIDADE DA MATURIDADE
COORDENADORA DA PÓS-GRADUAÇÃO EM
GERONTOLOGIA
PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DO IDOSO
O SIGNIFICADO DO ENVELHECER
JUSSARA CÂMARA
Pedimos
a alguns usuários (as) nossos que respondessem a
nossa pesquisa sobre o que significa ficar velho(a). Algumas
respostas estão nesta página em vermelho.
PARA
MIM ENVELHECER SIGNIFICA, ENTRAR EM OUTRA FASE DA VIDA.
QUERO ENVELHECER SIM, COM DIGNIDADE, PORQUE A APARÊNCIA
PODE FICAR ENRRUGADA MAS A IDADE MENTAL NUNCA ENVELHECE.
SOU MUITO
FELIZ COM MEUS 49 ANOS, ME SINTO COMO SE TIVESSE
23 ANOS. SINTO COMO SE NASCESSE PARA OUTRA VIDA, COM MAIS EXPERIÊNCIA
E DISCERNIMENTO.
SUELI,
BH - MG.
Recebemos respostas negativas, expressando que a velhice
traz coisas ruins: como doenças, infelicidade, feiúra,
falta de carinho, solidão e depressão.
"FICAR
VELHO É NÃO TER O AMOR E O CARINHO DA FAMÍLIA;
FICAR VELHO É NÃO PODER USUFRUIR AS
COISAS BELAS DA VIDA, É NÃO PODER PRATICAR ESPORTES, É SER
PORTADOR DA DOENÇA DE ALHZHEIMER, QUANDO O SER HUMANO
PERDE O SENTIDO DE VIVER .ENFIM, OS SENTIMENTOS QUE DEFINEM
MELHOR A PALAVRA ENVELHECER É
QUANDO SENTIMOS UMA LÁGRIMA ROLAR PELO NOSSO ROSTO,
SEM TER ALGUÉM PARA ENXUGÁ-LA E PERDEMOS A NOSSA
PERSONALIDADE. DESCULPE, SE NÃO SOUBE DESCREVER DE MANEIRA
BRILHANTE, POIS EMBORA ESTEJA NOS MEUS 75 ANOS, AINDA ME SINTO
NA ADOLESCÊNCIA DA TERCEIRA IDADE."
NEUZA
C. FRAGA
No entanto, descobrimos, com prazer, que a grande maioria
acha que envelhecer pode ser uma fase boa, enriquecedora,
para se conviver com a família, para se curtir melhor
a vida, onde se tem mais paz e serenidade. Entre estes,
a grande maioria era de pessoas entre
30 a
40 anos.
ENVELHECER,
PARA MIM, É DESACELERAR. CAMINHAR EM VEZ DE CORRER
E APROVEITAR PARA OLHAR COM CALMA TODAS AS COISAS. TEMPO
PARA REFLETIR E NÃO AGIR SEM PENSAR. HORA DE MATURAR
SEM ENRIJECER. DEIXAR PARA TRÁS AS TEMPESTADES
E SE
TRANSFORMAR EM LAGO SERENO.
PATRICIA
Detalhe: 80%, das respostas foram femininas. Ficamos sem
saber se os homens não se preocupam com a velhice
ou se não gostam de responder a esta pergunta.
ENVELHECER É PODER VER SE AS SEMENTES
PLANTADAS NO PASSADO ESTÃO DANDO OS FRUTOS ESPERADOS,
APRENDER COM AS NOVAS MUDANÇAS E RE-CONSTRUIR SEMPRE,
ASSIM TORNAMOS A VELHICE MAIS FELIZ.
HENRIQUE
Constatamos que grande parte das respostas, salienta a necessidade
do governo amparar mais os idosos e também, de que
todos lutassem mais por que seus direitos, para que estes
sejam cumpridos. Muitos destes usuários estão
na faixa etária de
50 a
65 anos ou então, trabalham
com idosos.
No entanto, apesar de sabermos que todos nós, um
dia ficaremos velhos, ainda, evitamos pensar nessa realidade
e, por isso mesmo, para muitos, ela chega, surpreendendo
como um fardo excessivamente pesado. Por isso, achamos
que envelhecer bem é um segredo que poucos conhecem
e que deve ser cultivado desde a infância.
QUANDO O FUTURO FOR PASSADO
MARIALZIRA PERESTRELLO
Quando eu for velha,
/ Murcha e bem seca, / quando os seios que amaste / não
forem mais o que hoje são. / Quando o colorido escurecer
/ E o escuro embranquecer, / Quando o olhar amortecer,
/ O andar trôpego duvidar, / E ruga funda me visitar,
/ Quando formos já dois velhos / (sim, um dia, pouco
a pouco, / tudo isto há de chegar!) / quando o futuro
for presente / e o presente passado... / longos diálogos
viverão / junto a silêncios, / junto a suspiros.
/ Quando eu for velha, bem velha, / que canto terei em
mim ?
A carioca Marialzira
Perestrello é médica, psicanalista e escritora.
Começou a escrever poemas aos 45 anos e não
mais parou. Está com 87 anos e sua produção – literária
e psicanalítica- nesta última década
foi a maior do que as anteriores.
QUANDO O TEMPO PASSA
PEDRO
PAULO MONTEIRO
Envelhecer não é aquilo
que acontece aos que têm mais idade: é um
processo ao qual o ser humano está
submetido e que é irreversível.
Envelhecer também pode ter
um significado diferente do convencional, caracterizado
pela falta de atividade produtiva e pela valorização
excessiva das limitações físicas que
acabam por inibir a auto-estima e ampliar a depressão.
Mas cada um pode viver esse processo sem sofrimento, avançando
na vida com mais sabedoria e descobrindo novas maneiras
de estar no mundo.
Como somos produtos e produtores
de uma sociedade, fazemos isso o tempo todo sem perceber.
Porém, não queremos ser este velho, assim,
o velho é sempre o outro.
Quantas vezes não encontramos
pessoas, que há muito tempo não víamos,
e pensamos: "Nossa, como ela envelheceu!". Algumas
vezes vamos mais longe quando pensamos: "Como o tempo
a castigou. Coitada!". Esta idéia nos pertence,
sem que possamos perceber que a pessoa que nos olha está fazendo
a mesma avaliação. De repente, você pode
perguntar: Será mesmo que fulano pensou isso de
mim, será que estou tão velho assim?
Você pode ir até o
espelho procurar algumas rugas, ou cabelos brancos, mas
isso não será suficiente para convencê-lo,
porque você não vai acreditar que está envelhecendo.
Isso porque em nossa sociedade envelhecer, infelizmente, é algo
considerado negativo, sendo polido evitar qualquer comentário
sobre o assunto, não sendo cortês dizer que
as pessoas são velhas. Por isso tentamos a todo
custo arrumar justificativas para nos convencermos que
o tempo não passa para nós.
Não estamos inertes no tempo,
ele
é fugaz para todos. Não precisamos ver o tempo como inimigo,
porque ele não está fora, ele está em nós, e se
nos pertence, os anos vividos dizem respeito apenas a nós que os vivemos.
O tempo é totalidade, existência, possibilidade de mudar o rumo
de nossa história como quisermos. Somos autores de nós mesmos,
cabendo a nós fazer a escolha do caminho a seguir.
Não precisamos ter medo da
idade, a idade cronológica é um conceito
neutro, servindo apenas para sabermos que número
colocar nos formulários, assim como também
nos lembra do dia de nosso aniversário. Agora, o
tempo vivido é uma pertença existencial e
subjetiva. Este tempo precisa ser reverenciado.
Você já pensou como
está em seu tempo vivido? Esta é uma pergunta
que precisamos fazer a todo o momento, a fim de nos localizarmos
melhor no tempo e no espaço em que vivemos.
Não deixemos o tempo passar
sem antes o consumi-lo, saboreando cada momento como único,
tendo a certeza de que cumprimos da melhor maneira possível
o nosso papel existencial. Envelhecer é um processo
contínuo de mudança para todos nós.
Desde o momento de nossa concepção já estamos
em processo de envelhecimento. Por isso, precisamos reverenciar
nosso tempo como um tempo único vivido. Um tempo
que nos preenche e nos gera possibilidade de escolha. Este é o
tempo do envelhecer que não é de modo algum
ruim, sem sentido. Pelo contrário, só vivemos
porque temos a capacidade de envelhecer. Sem esse processo
seríamos como as pedras, estáticas a espera
da contemplação dos outros Nós, como
humanos que envelhecem, podemos ser contemplados pelos
outros porque temos uma história viva. E esta história é
nossa.
Enfim, aproveitemos nosso tempo
vivido saboreando-o como fruto de nossa própria
existência.
Pedro Paulo Monteiro é Mestre
em Gerontologia PUC-SP. Professor de Ecologia Humana Pós-Graduação
Psicossomática Gama Filho-RJ. Professor de Geriatria
Pós-Graduação Neurologia UCP-RJ.Professor
de Gerontologia Graduação Fisioterapia UNIFOA-RJ.
QUEM
DEIXA PARA FAZER DEPOIS O QUE PODE FAZER HOJE, PERDE O
QUE NUNCA MAIS ENCONTRARÁ: O TEMPO
AUTOR
DESCONHECIDO
AUMENTA
PREOCUPAÇÃO
COM AQUECIMENTO GLOBAL
A Market Analysis perguntou aos brasileiros, nas oito maiores
capitais do país, quais são os problemas que
mais os preocupam. O principal temor da população é
relacionado à violência e ao crime.
As entrevistas pessoais realizadas
com 802 adultos (18-69 anos), nas principais capitais do
país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
Recife, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Brasília
apontou desta vez, um
crescimento surpreendente nas questões relacionadas à crise
ambiental.
A mesma pesquisa realizada no ano
de 2005, e em menos de 18 meses, mostrou que a relevância
dessas questões triplicou, passando de 3,6% para
13,2%. Do total de menções, 8,4% fazem referência
ao aquecimento global.
"O esforço de lideranças e da mídia para colocar
a questão ambiental no centro do debate social não passa despercebido
para o brasileiro", afirma Fabián Echegaray, cientista político
e diretor da Market Analysis. "Ao perceber que esses fatos afetam o dia-a-dia,
a população passou a importar-se e buscar mais informações
sobre o assunto", completa.
As referências às guerras, conflitos internacionais
e ao terrorismo, que se destacavam nas pesquisas anteriores
perdeu força (apenas 2,2%). Entre os outros fatores
apontados pelos entrevistados estão desemprego (14,2%),
pobreza (10,2%), drogas (4,9%), problemas econômicos
(4%), saúde (2,7%) e corrupção (2,6%).
Para ver o gráfico da pesquisa, acesse: http://www.s2.com.br/s2arquivos/477/multimidia/203Multi.pdf
PARABÉNS
Durante a 60ª conferência
da ONU, realizada no início de setembro, cujo tema
foi o Aquecimento Global, uma estudante brasileira de 18
anos,
premiada pelo Premio do Milênio Mundial, apresentou seu
projeto simples e factível de Desenvolvimento Sustentável.
O nome dela é Aline M. Roldan,
e o conteúdo 'Células de Transformação'
pode ser acessado
no www.mercadoetico.com.br .
UMA SACOLA
PLÁSTICA PODE LEVAR ATÉ 500 ANOS PARA SE
DECOMPOR. A CADA ANO, ENTRE 500 BILHÕES E UM TRILHÃO
DE SACOS PLÁSTICOS SÃO CONSUMIDOS MUNDIALMENTE
E A GRANDE MAIORIA VAI PARAR NOS LIXOS.
EM SÃO PAULO, SEGUNDO A APAS (ASSOCIAÇÃO
PAULISTA DE SUPERMERCADOS), MENSALMENTE SÃO CONSUMIDAS
CERCA DE 66 MILHÕES DE SACOLINHAS PLÁSTICAS NOS
SUPERMERCADOS.
PAPEL OU PLÁSTICO?
A cidade americana de San Francisco
aprovou uma lei que proibirá o uso de sacolas plásticas
em supermercados grandes, tornando-se a primeira cidade
nos Estados Unidos a abolir o uso dessas sacolas. Os supermercados
têm seis meses para cumprir a lei e as farmácias
- que aqui vendem de tudo um pouco, não só remédios
- tem o prazo de um ano.
De agora em diante, os supermercados
terão como opção o uso de sacolas
biodegradáveis feitas de maizena ou sacolas de papel
reciclado.
As sacolas plásticas começaram
a ser usadas nos Estados Unidos há 50 anos, inicialmente
como um saquinho para sanduíches e como uma alternativa
para os sacos de papel.
No momento, 180 milhões de
sacolas plásticas são distribuídas
anualmente na cidade de San Francisco. As sacolas são
difíceis de reciclar e muitas vezes acabam nas águas
dos rios e do mar, matando animais marinhos.
O Departamento do Meio-Ambiente
de San Francisco e o Worldwatch Institute (O Observador
do Mundo), estima que de
4 a
5 trilhões de sacolas plásticas são usadas pelo
mundo anualmente. São necessários 430 mil galões
de petróleo para a produção de 100 milhões
de sacolas plásticas.
Texto de Regina Camargo no site http://always-por-um-triz.blogspot.com
HISTÓRIA DO
PLÁSTICO
Em 1907, o belga Leo Baekeland inventou
o primeiro plástico sintético, impermeável,
isolante e resistente a
ácidos. Desde então, as evoluções não pararam
mais e esse material está
presente no dia-a-dia de bilhões de pessoas em todo
o mundo, sob as mais diversas formas.
Com a urgência de reduzir
o uso de petróleo, fabricantes e centros de pesquisa
vêm se empenhando no estudo de fontes renováveis.
AQUI NO RIO
O secretário estadual de
Ambiente, Carlos Minc, enviou no final de agosto ao governador
Sérgio Cabral, o projeto de lei que obriga os estabelecimentos
comerciais a substituir gradativamente as sacolas plásticas
por embalagens feitas com material biodegradável.
O secretário recebeu o apoio de representantes
da Federação do Coméricio do Rio de
Janeiro (Fecomércio) para o projeto.
O governador vai analisar o projeto
e, vai encaminhar o documento para
votação na Assembléia Legislativa
do Rio (Alerj).
Segundo Minc, o objetivo da lei é
acabar com excesso de material plástico jogado na rua.
O secretário calcula que circulem no comércio
do Rio cerca de um bilhão de sacos plásticos e
900 milhões de garrafas PET, por ano. Cada família
utilizaria por ano 66 sacos por mês, descartando no lixo
40 quilos de plástico por ano.
“Precisamos conscientizar a população. Os sacos plásticos
levam anos para se degradar. Entopem bueiros, poluem rios e lagoas. O
governo gasta cerca de R$ 15 milhões por ano para dragar os rios. O
comércio não vai querer ser o vilão da ecologia”,
disse Minc.
TROCA POR FEIJÃO
Para estimular o que chama de consumo
consciente, o secretário vai propor aos supermercados
que montem um balcão e promovam a troca de 50 sacos
plásticos por um quilo de feijão. Ou passem
a cobrar pelas sacolas distribuídas.
“Queremos repetir o sucesso do movimento de reciclagem das latas de alumínio”,
destacou o secretário.
De acordo com o projeto, a mudança será gradativa.
Ou seja, o comércio terá de seis meses a um ano
para se adaptar às novas regras. Além de alternativas
como as sacolas de papel ou de pano, o comércio poderia
usar o saco de plástico ecológico, feito a partir
do milho.
BOLSA RETORNÁVEL É A
SOLUÇÃO
Para o assessor da Diretoria Técnica
e Industrial da Comlurb, José Henrique Penido, a
solução ideal é a sacola de pano.
Ele diz que o chamado plástico ecológico,
biodegradável, também
é derivado do petróleo e agride o meio ambiente por ter metais
pesados em sua composição.
Penido diz que o plástico
produzido a partir do milho, embora se degrade em menos
tempo – cerca de três meses - produz gases
que provocam o efeito estufa. O saco de papel é uma
alternativa menos poluidora. Embora a decomposição
da celulose produza gases nocivos ao meio ambiente, o papel
pode ser reciclado.
“O ideal seriam as bolsas retornáveis, que os consumidores levam
para casa e não jogam no lixo depois de usá-las”, disse
o diretor lembrando que os sacos plásticos são as principais
causas de enchentes devido ao assoreamento de rios.
EU NÃO SOU DE PLÁSTICO
No dia 12 de setembro de 2007, o
Porão das Artes, no Parque Ibirapuera, abrigou a
exposição de lançamento da campanha
pelo uso de sacolas duráveis. O primeiro produto
da campanha institucional de iniciativa da Secretaria do
Verde e do Meio Ambiente (SVMA) foi a sacola de tecido "Eu
não sou de plástico. A campanha visa sensibilizar
as pessoas para a necessidade de minimizar o consumo de
sacolas e sacos plásticos, adotando o uso de sacolas
permanentes, ao mesmo tempo em que a SVMA estuda medidas
legais para promover a substituição gradual
das sacolas de plástico por material durável.
A Campanha foi marcada por uma série
de modelos de sacola de tecido, produzidas por marcas de
renome, entre elas a Ecogrife, que comercializa produtos
para um planeta sustentável. O modelo apresentado
pela Ecogrife é produzido em tecido natural e apresenta
grande durabilidade.
GARRAFAS PET VALEM PÃES EM BRASÍLIA
Se você compra água,
refrigerante e joga as garrafas pet direto para o lixo,
fique atento: 32 padarias do Distrito Federal estão
trocando quatro recipientes de qualquer tamanho, desde
que com tampa, por um pãozinho francês. Fazendo
a troca, você garante que o plástico, um material
de difícil decomposição, vai ser reciclado
e não poluirá
o meio ambiente. A ação também tem cunho
social, já que as garrafas serão entregues à cooperativa
de reciclagem 100 Dimensão, no Riacho Fundo II, que
garante o sustento de 200 famílias.
A expectativa dos organizadores da campanha, o Sindicato das
Indústrias da Alimentação de Brasília
(Siab) e a Brasal Refrigerantes, fábrica da Coca-
Cola no Distrito Federal, é chegar a 200 padarias inscritas
nos próximos 30 dias. Ao todo, são 800 estabelecimentos
do tipo no DF, que podem aderir à
ação mais tarde, já que ela será em
caráter permanente. É esperada uma arrecadação
de 80 pets por dia em cada estabelecimento.
DESTINAÇÃO
Os contêineres com as Pets serão recolhidos pela
Brasal Refrigerantes, que levará o material para os
trabalhadores da cooperativa 100 Dimensão. Lá,
eles são ou vendidos a indústrias para serem
reaproveitados, ou utilizados na confecção de
objetos de artesanato, expostos em feiras e comercializados
pelos trabalhadores.
Os cooperados confeccionam objetos de todo tipo - brinquedos,
artigos de decoração - mas a vedete das vendas
têm sido os pufs e sofás, todos feitos de garrafas,
vendidos por preços que podem variar de R$40 a R$ 80,
dependendo dos materiais de acabamento. Agora, a 100 Dimensão
quer diversificar a produção, incluindo artigos
como mesinhas de centro.
A importância de as garrafas utilizadas terem tampa é que
a vedação garante a estabilidade das pets, que,
assim, correm menos risco de quebrar ou amassar e podem dar
origem a objetos mais duradouros. Outro fator é que
a tampa impede que a garrafa, antes de ser lavada para a reciclagem,
se encha de formigas devido aos resquícios de líquidos
como o refrigerante.
As padarias que tiverem interesse em participar da ação,
podem entrar em contato com o Siab, pelos telefones 3361-6260
ou 3234-2727
Texto de Mariana Branco publicado
no Jornal de Brasília de 15/08/2007
UM BOM EXEMPLO
O ex-presidente filipino Joseph
Estrada recebeu pena de prisão perpétua.
Ele era acusado de corrupção e foi condenado
por um tribunal de Manila. Este fato aconteceu no dia 12
de setembro passado.
ENQUANTO OS AMERICANOS LEMBRAM
COM TRISTEZA DO DIA 11 DE SETEMBRO, NÓS IREMOS LEMBRAR
DO DIA 12/9.
NOTA DE FALECIMENTO
Faleceu em Brasília o Senado
Federal. Acometido por infecção ética
e moral generalizada, a instituição não
resistiu à
sessão secreta de 12/9/07 e morreu, longe do povo, de
falência múltipla dos
órgãos institucionais.
Que Deus nos dê forças
para bradarmos nossa indignação e nos ilumine
para revertermos tremenda tragédia.
Este texto é de
Antonio Augusto de Aquino e Castropublicado no Jornal
do Brasil, 13/09/07
A VOZ DO USUÁRIO
O GRAMSCI DAS ALAGOAS
NELSON
MOTTA
Um velho homem de esquerda, com
seu passado de lutas, Renan Calheiros, absolvido pelos
seus companheiros de causa, agradeceu citando Gramsci.
Disse que a mídia está se
transformando em partido político. Talvez porque,
diante das vilanias, bandalheiras e traições
dos partidos e dos políticos aos seus eleitores
e ao país, o interesse público tenha obrigado
a mídia a preencher esse vazio e assumir os compromissos
desmoralizados pelos políticos.
Nem mesmo um militante partidário,
desde que alfabetizado, acredita que empresas comerciais
concorrentes como a
"Folha de SP", o "Estadão", "O Globo",
o
"Zero Hora", a "Veja", a TV Globo, o SBT, a CBN, a RBS
e os maiores veículos de comunicação do país, que
disputam ferozmente leitores, espectadores e anunciantes, juntaram suas forças
em uma conspiração para destruir as reputações
ilibadas dos patriotas Renan e Zé Dirceu.
Para eles, só os veículos
"independentes" - que vivem de publicidade do governo e de estatais
- têm isenção para noticiar e comentar o mensalão,
os sanguessugas e o caso Renan. Mas o povo é ingrato e despreza tantas
qualidades, poucos compram as verdades deles.
Talvez a maioria absoluta dos anunciantes
e da população não saiba escolher
os jornais, blogs, revistas e TVs para anunciar e para
se informar. Só iluminados, como Dirceu e Renan,
sabem como deve ser uma mídia democrática
a serviço do país e dos cidadãos.
O duro é
convencer as pessoas a acreditar nela. E, sobretudo, neles.
Se os políticos e os partidos
fizessem pelos seus eleitores uma pequena parte dos serviços
prestados pela mídia independente - que não
precisa deles nem do governo para sobreviver –, seríamos
poupados de ouvir o Gramsci das Alagoas nos dar lições
de ética e democracia.
Nelson Motta é jornalista
e compositor e edita o site independente Sintonia Fina.
ESTAMOS DE LUTO!!!!
O Senado mostrou-se raquítico,
covarde e esquizofrênico optando por distanciar-se
das vozes das ruas!!!!!! Pagará o preço em
breve por esse suicídio inconsciente e desde já escondam-se
todos os sem-vergonha que não honraram as cadeiras,
que são nossas e Vossas Excelências teimam
em emporcalhar!!!! Chega!!!!!
Martha Maria do Rio de Janeiro
O BRASIL QUE QUEREMOS
OSVALDO
LUIZ
Corrupção, impunidade,
desigualdade social. O Brasil não merece estar
nessas condições. Um país com tantas
riquezas, com um povo maravilhoso, e, em contrapartida,
com uma realidade tão desestimulante. Quantas
pessoas cansadas, quantos não querem nem mais assistir
aos noticiários. O inverossímil passa
como realidade e a verdade é maltratada.
No mês em que comemoramos
o nascimento do Brasil como país livre, nada é mais
urgente, ou mais necessário, do que recuperar a
auto-estima brasileira. Não se trata de “tapar
o sol com a peneira” e passar a falar só bem
do país como alguns querem. De nada vale um positivismo
que se aparte da realidade. Vestir o verde-amarelo, ser
patriota, exercer cidadania, significa hoje lutar
pela moralização do Brasil.
Quem ama esta terra precisa desligar
um pouco a televisão e participar mais do cotidiano
de sua comunidade. Reservar tempo para se envolver
com alguma boa causa, sem esperar do Estado o que provavelmente
não virá.
É preciso militar por algo.
Está
na hora de mudar. Participamos pouco da nossa história
que continua ditada por um pequeno grupo de pessoas. O
silêncio dos bons alimenta a maldade. O mundo espera
a manifestação dos filhos de Deus, como a terra árida
pela chuva. Um Brasil melhor não só é possível,
como já é gerado no coração
de tantos homens e mulheres de boa vontade.
Quase sempre chegamos perto,
muito próximos mesmo, mas nada acontece. O Brasil
prometido é observado, mas, como Moisés,
parece que nunca vamos alcançá-lo. O
sonho precisa tornar-se realidade. O Brasil precisa se
concretizar como casa de todos, lugar de fraternidade
e justiça. Que essa esperança faça
parte do nosso louvor a Deus no mês da Pátria.
Osvaldo Luiz é jornalista da TV Canção Nova e apresentador
do programa
“Tarde Especial” da Rádio Canção Nova
Ilustração: Guilherme Faulhaber
NUNCA ESTIVEMOS TÃO
DISTANTES DO PAÍS
COM QUE UM DIA SONHAMOS.
CELSO FURTADO
VALE TUDO
TOM COELHO
No placar final da votação
pelo afastamento de Renan Calheiros, contabilizamos 40
coniventes, 6 covardes e apenas 35 indivíduos dotados
de um mínimo de bom senso.
Escondidos sob o véu do anonimato
proporcionado pelo voto secreto, os senadores demonstraram
seu caráter, aquele conjunto de traços comportamentais
e afetivos que, segundo Heráclito de Éfeso,
determina o destino. Gosto de definir caráter como
aquilo que se faz quando ninguém está olhando.
Esqueçam a utopia da “resposta
das urnas”. O último pleito conduziu ao Congresso
Nacional personalidades como Paulo Maluf, Clodovil Hernandez
e Waldemar Costa Neto, destruindo a tese de que há retaliação
popular através do voto. A maioria sequer lembra-se
dos nomes de quem ajudou a eleger. E o problema não é falta
de memória, mas ausência de educação.
Renan foi o braço-direito
de Fernando Collor (PRN) durante as eleições
de 1989 e seu líder no Congresso, em 1990. Mais
tarde assumiu a pasta da Justiça no governo Fernando
Henrique Cardoso (PSDB). Ao longo desta trajetória,
sempre confrontou o PT de Aloizio Mercadante e Ideli Salvatti,
os mesmos a apoiá-lo e inocentá-lo agora.
Juan Domingo Perón, ex-presidente argentino, tinha
razão: "O poder é como um violino. Toma-se
com a esquerda e toca-se com a direita”.
Há um preceito jurídico
denominado
“jurisprudência” que corresponde a uma decisão judicial
final tomada pelos tribunais superiores na interpretação das
leis. Decisões recorrentes que se tornam fonte de direito, inquestionáveis,
norma geral enquanto não houver sobreposição de uma nova
lei.
Os desmandos que assolam nossa nação
estão criando uma espécie de jurisprudência
universal. Tudo é defensável, não
há mais regras nem exceções. Há apenas
a subversão da ordem. Um furto na quitanda é passível
de reclusão, enquanto um promotor é reconduzido
ao seu posto após disparar doze vezes contra dois
jovens, assassinando um deles.
O clamor cívico por justiça é tão
retumbante que a decisão do Supremo Tribunal Federal
de acatar as denúncias contra os 40 mensaleiros
foi vista como um ato de heroísmo, quando deveríamos
apenas entendê-la como dever de ofício.
Então ficamos assim: se eu
atirar, foi legítima defesa; se meu imposto de renda
estiver incompatível, foi por um lapso no preenchimento;
se você me proteger, não contarei o que sei
a seu respeito.
O problema é que os pobres
não têm acesso a bons advogados e a argumentos
de defesa lastreados em jurisprudências adequadas.
Tom Coelho, com formação
em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização
em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade
de Vida no Trabalho pela USP,
é consultor, professor universitário, escritor e palestrante.
Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios
da AAPSA. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.
A BASE DA SOCIEDADE É A JUSTIÇA. O JULGAMENTO CONSTITUI A ORDEM
DA SOCIEDADE: ORA O JULGAMENTO
É A APLICAÇÃO DA JUSTIÇA.
ARISTÓTELES
UMA PESCARIA INESQUECÍVEL
JAMES P. LENFESTEY
Ele tinha onze anos e, a cada
oportunidade que surgia, ia pescar no cais próximo
ao chalé da família, numa ilha que ficava
em meio a um lago.
A temporada de pesca só começaria no dia seguinte,
mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas
peixes cuja captura estava liberada.
O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos,
provocando ondulações coloridas na água.
Quando o caniço vergou, ele soube que havia algo enorme
do outro lado da linha.
O pai olhava com admiração, enquanto o garoto
habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água.
Era o maior que já tinha visto, porém sua pesca
só era permitida na temporada. O garoto e o pai olharam
para o peixe, tão bonito, as guelras movendo para trás
e para frente.
O pai, então, acendeu um fósforo e olhou para
o relógio.
Pouco mais de dez da noite... Ainda
faltavam quase duas horas para a abertura da temporada.
Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino, dizendo:
- Você tem que devolvê-lo, filho!
- Mas, papai, reclamou o menino.
- Vai aparecer outro, insistiu o
pai.
- Não tão grande quanto
este, choramingou a criança.
O garoto olhou à volta do lago. Não havia outros
pescadores ou embarcações à
vista.
Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém
por perto,sabia, pela firmeza em sua voz, que a decisão
era inegociável.
Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água
escura. O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu.
Naquele momento, o menino teve certeza
de que jamais pegaria um peixe tão grande quanto
aquele.
Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, o garoto é um
arquiteto bem-sucedido. O chalé continua lá,
na ilha em meio ao lago, e ele leva seus filhos para pescar
no mesmo cais.
Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu
pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite.
Porém, sempre vê o mesmo peixe todas as vezes
que depara com uma questão ética. Porque, como
o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma
questão de CERTO e ERRADO.
Agir corretamente, quando se está
sendo observado, é uma coisa.
A ética, porém, está em
agir corretamente quando ninguém está nos
observando.
Essa conduta reta só é possível quando,
desde criança, aprendeu-se a devolver o PEIXE À ÁGUA.
A boa educação é como
uma moeda de ouro: TEM VALOR EM TODA PARTE.
Texto: Uma Pescaria Inesquecível, de James
P. Lenfestey, do livro Histórias para Aquecer o Coração
dos Pais, Editora Sextante
POR UMA CIDADANIA ATIVA
CARLOS
GRAND
Relacionar a história sobre
a
ÉTICA com o nosso SENADO é caso para chorar. A história não se refere a MORAL que até poderia
ser discutida, mas trata-se de CARATER! Não é regra, é PRICÍPIO!
O que foi ensinado a criança, aquela da história do pescador,
foi um amalgama, que contribuiu para a formação do seu
carater. Estava inplícito na história - embora não expressado
- que uma pessoa saberia se ficasse com o peixe. Ele próprio. E essa
razão era a maior de todas
pois viveria com sua decisão para o resto de sua vida. A importância
ou não que se confere a sua decisão é que define seu CARATER.
O que entristece no caso vertente,
é a nossa contestação de que homens sem carater estão
onde NÓS OS COLOCAMOS!
E ao final das contas somos nós
os maiores culpados por não exercermos uma
cidadania de forma ATIVA. Gostamos de reclamar, mas, convenhamos,
pouco ou nada fazemos para mudar. Estamos como que
anestesiados. Acostumados com a imundice do lodaçal
contribuindo com nossas atitudes para a perpetuação
do inconformismo e da miséria dos princípios
básicos de respeito e dignidade.
Precisamos de ATITUDES E BONS EXEMPLOS.
Se não pudermos mudar o que gostaríamos,
vamos começar por nós mesmos. JÁ!
E se começarmos já, talvez daqui a
duas ou três gerações este país
seja o que gostaríamos de ver
agora.
Carlos Grand
INDIGNAÇÃO
LEONARDO
BOFF
A nação está perplexa
e indignada. Na cara da maioria dos políticos e
particularmente dos jornalistas que acompanharam o caso
do Senador Renan Calheiros e sabiam as manobras escusas
que usava a partir de seu cargo de presidente da Casa,
para se manter no poder se estampava decepção
e abatimento. E com razão, pois, o Senado se transformou
num sinédrio, cheios de herodianos, aliados do poder
dominante. Esses votaram a favor e 6 se abstiveram. Exatamente
o número que Renan precisava para escapar-se da punição.
Abster-se é
dizer não à cassação. Supõe-se que
muitos destes votos, secretos, vieram do PT e aliados. O Senador
Mercadante revelou seu voto de
abstenção. A lider do PT no Senado, Ildeli Salvati,
cabalava votos em favor de Renan e deve ter se abstido, facilitando
a vitória do
acusado.
A propósito de falta de decoro por permitir que um lobista
pagasse suas contas pessoais referentes ao filho que tivera
com sua amante –
isso se chavama antigamente de adultério público
- descobriram-se muitas outras irregularidades graves, atestadas
pela polícia federal e
pelo jornalismo investigativo da televisão. Esta foi
ao local em Alagoas, documentou em som e em cores as mentiras
e falsas alegações
de Calheiros o que comprovava ainda mais sua falta de decoro.
Além do mais mentiu aos Senadores e sonegou informações
e documentos ao
conselho de ética.
Aliados do absolvido falaram em vitória da democracia.
Que democracia? Esta convencional no Brasil, encurtada e farsesca,
montada em cima de conchavos, do uso do poder público
em benefício própro, infectada de tráfico
de influência e de desvio de dinheiros públicos?
O que envergonha os cidadãos é verem Senadores,
alguns velhos provectos, sem qualquer dignidade, verdadeiros
mafiosos do poder,
voltarem as costas à sociedade e fazerem-se cegos e
surdos ao clamor das ruas. Estão tão enjaulados
em seus privilégios na rodoma do Senado que nem lhes
importa o que a midia e a opinião pública pensam
deles.
Mas o que envergonha mesmo é a
recaida de membros do PT. São pecadores públicos
contumazes. Já haviam antes enviado a ética
nem
sequer para o limbo mas diretamente para o inferno. Agora repetiram
o ato pecaminoso. Por isso são desprezíveis como
Pilatos. Este se acovardou diante do povo e condenou Jesus.
Mas antes fez um gesto que passou à história
como símbolo de pusilanimidade, de covardia e de
falta de caráter. Diante do povo, lavou as mãos
com água. Essa bacia de Pilatos foi ressuscitada no
Senado. Mas a água não é água.
São
lágrimas dos indignados, dos cansados de ver injustiças
e dos dilacerados diante da contínua impunidade.
A " onorebile famiglia Calheiros" tem novos
membros em sua máfia.
Todos os que se abstiveram, podem acrescentar a seus nomes
o sobrenome de Calheiros. Como revelou publicamente seu voto,
o Senador Aloísio Mercadante merece agora ser chamado
de Aloisio Mercadante Calheiros.
Pelo esforço da argumentação em favor
da não cassação de Renan, a Senadora Ildeli
Salvatti merece que lhe apodemos de Ideli Salvatti
Calheiros. Ela fez a figura inversa da mulher do covarde Pilatos
que o advertiu: "não te comprometas com este justo
pois sofri muito hoje em
sonhos por causa dele". Ela e outros devem estar sofrendo
muito, sim, roidos pela má consciência. Esse sofrimento
transparece em seus olhos revirados e em seus rostos desfigurados.
O povo não merece ser representado
por espíritos menores, faltos de ética, desavergonhados
e esquecidos de que são meros delegados do
poder popular. Que mostrem a cara, que falem ao povo, que se
expliquem por quê, diante de tantas provas dos relatórios
da comissão de ética e do clamor das ruas, puderam
agir de forma tão traiçoeira.
Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.
O BOBO
LUCIANO PIRES
Alguns
conhecidos foram embora do Brasil. Sempre pela mesma razão:
Não dá mais para viver aqui e esperar um
futuro digno. O Brasil já era...
É claro que não concordo com eles. Abandonar o barco não
está nos meus planos. Mas eles cansaram de lutar, de se decepcionar,
e decidiram construir seu futuro em outros lugares. Tenho que respeitar essa
decisão. E nenhum deles, até o momento, se mostra arrependido.
Na verdade, até me chamaram de bobo.
Outro dia eu tentava classificar esses amigos. São refugiados.
Mas refugiados do quê? Políticos? Não.
Já passou esse tempo. Religiosos? Não. Não
temos no Brasil essa intolerância religiosa. Econômicos?
Será? Não. Não acho que se aplique. E
então recebi um e-mail de um leitor, o Walter Schütz,,
que sanou minhas dúvidas. Olha só:
“Estou
pensando seriamente em pedir outra nacionalidade, depois
do Renan, e de ouvir do teu presidente mais de uma vez
que ninguém tem mais identidade moral no país
que ele e o PT. Se este é o parâmetro, e
como me considero diferente deles, resta-me apenas achar
um país onde a ética não tenha sido
afrontada como o foi no Brasil e pedir humildemente que
me aceitem como refugiado ético.”
Refugiados
éticos. Genial!
Descreve
com precisão a situação em que se
encontram meus amigos. Veja só: eles tinham empregos
bons no Brasil. Os filhos estavam em boas escolas, as famílias
viviam decentemente, todos de classe média alta.
Mas perderam aos poucos a credibilidade e a confiança
no Brasil. Até um dia perder a esperança.
Quando
perdemos a esperança, morremos um pouquinho. Ou
um montão.
Certamente
os últimos acontecimentos relacionados ao julgamento
de Renan Calheiros convertam mais alguns milhões
de brasileiros – que ainda tinham alguma esperança – em
céticos que não acreditam em mais nada. E
que são tão perigosos quanto os que acreditam
em tudo.
Mas fazer o quê diante desse descalabro, dessa impunidade,
dessa zombaria, dessa soberba, dessa empulhação
toda?
Eu me inspiro em referências. Por exemplo, em César
Zama que, em 1890, durante a elaboração da primeira
constituição republicana, defendeu o voto universal
para que as mulheres pudessem participar da política.
Outros abnegados foram aderindo e um dia, em 1933, as mulheres
ganharam o direito de votar. Mas tudo começou lá atrás,
com a ação individual de um não-cético.
Que deve ter sido chamado de bobo.
Depois me imagino no minúsculo município de Abreu
e Lima, Pernambuco, em março de 1983. Alguns membros
não-céticos do Partido do Movimento Democrático
Brasileiro (PMDB) no município organizam uma pequena
manifestação pedindo eleições diretas
para Presidente da República. O movimento cresce até chegar,
no dia 16 de abril de 1984, ao Vale do Anhangabaú em
São Paulo, onde mais de um milhão e meio de pessoas
gritam pelas “Diretas Já”. O resto você sabe.
E tudo
começou com meia dúzia de não-céticos
em Abreu e Lima. Que devem ter sido chamados de bobos.
Repare: as grandes mudanças sempre acontecem a partir
da iniciativa de poucas pessoas. Que a maioria cética
ou ignorante chama de “bobos”. São conspiradores
aqui, formadores de opinião ali, indignados acolá,
altruístas alhures, Gente que começa lutas impossíveis
e vai aos poucos influenciando os demais.
São os mais ativos que convencem os menos ativos.
Não posso imaginar nada mais triste do que um país
que produz “refugiados
éticos”. Gente que não foge da guerra, não foge
da fome, não foge da perseguição política, não
foge de pestes nem de desastres naturais. Foge de uma miséria que a
maioria nem percebe que existe.
Mas talvez isso seja bom. Quem sabe nossos refugiados éticos,
lá de longe, nos ajudem a colocar este país nos
trilhos? A partir de sua experiência em sociedades onde
a ética ainda é respeitada, nos enviando argumentos,
exemplos, força e motivação. Serão
refugiados éticos ativos. Militantes. Interessados em
voltar para casa. É uma idéia, não é?
A luta aqui será violenta, desleal, dura e demorada.
Mas pode começar por você.
Seu bobo
Luciano Pires é jornalista, escritor, conferencista
e cartunista. Faça parte do Movimento pela Despocotização
do Brasil, acesse www.lucianopires.com.br.
PREVIDÊNCIA: O MITO
DA IDADE MÍNIMA
HENRIQUE JÚDICE MAGALHÃES
Co-autor de um projeto de reforma
previdenciária elaborado sob encomenda de entidades
de classe do setor financeiro, o economista Fabio Giambiagi
(Valor Econômico, 30/07) defende o estabelecimento
de uma idade mínima para a aposentadoria por tempo
de contribuição no Regime Geral de Previdência
Social.
A medida tem sua necessidade alardeada a partir de uma série
de idéias falsas. A primeira delas é a velha
história da inversão da pirâmide demográfica.
No Brasil, para cada idoso, há dez pessoas em idade
de trabalhar. Segundo o próprio Giambiagi, em seu Diagnóstico
da Previdência Social (IPEA, 2004), o número de
beneficiários do INSS crescerá, até 2030,
3,1% ao ano. Para que a relação gasto do INSS/PIB
diminua, basta que a economia cresça mais que isso.
É verdade que a elevação
do piso previdenciário também pressiona a
despesa, mas, como Giambiagi não leva em conta os
efeitos do crescimento do PIB sobre o emprego e consequentemente
sobre a redução do número de aposentadorias,
consideramos que as duas variáveis se anulam.
É preciso enfrentar também o problema do desemprego e da informalidade:
para cada trabalhador em idade ativa descontando para o INSS, há 1,7
sem nenhuma cobertura previdenciária. O cerne da questão não
está na pirâmide etária, mas na política econômica – mesmo
porque permitir que as pessoas se aposentem mais cedo não aumenta os
gastos do governo. Por força da sistemática de cálculo
instituída a partir de 1999 (fator previdenciário), a idade pesa
mais na definição do valor da aposentadoria por tempo de contribuição
do que o próprio tempo de contribuição. O gasto do INSS
se dilui ou se concentra no tempo conforme o trabalhador escolha receber uma
aposentadoria menor por mais tempo ou uma maior por menos tempo; seu valor,
todavia, pouco se altera.
Giambiagi afirma também que aposentadorias aos 55 anos
são precoces. Mais um mito. Para atividades que demandam
esforço físico, repetição de movimentos
ou atributos como acuidade visual e bons reflexos, 50 anos
já é uma idade alta.
Uma coisa é pedir a um cientista que não pare
de trabalhar no auge da maturidade intelectual. Ele pode ser
estimulado a permanecer em atividade através de um abono,
como o INSS fazia até 1994 e a EC 41 estabeleceu para
os servidores. Mas impedir um pedreiro, um motorista de ônibus
ou mesmo uma telefonista de aposentar-se antes dos 60 anos é duplamente
injusto. Além de essas atividades tornarem-se penosas
com a idade, são justamente essas pessoas que começam
a trabalhar mais cedo. Com a mudança proposta, elas
se aposentariam com a mesma idade que os filhos das classes
média e alta, que iniciam sua vida laboral mais tarde
e vivem mais.
Giambiagi tenta negar essa distorção afirmando
que “a aposentadoria por tempo de contribuição é tipicamente
de classe média”. Uma simples pesquisa por amostragem
no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS)
desmentirá esta afirmativa. A maioria dos detentores
deste benefício é formada por pessoas das classes
C e D. O valor médio das aposentadorias por tempo de
contribuição concedidas em junho foi de R$ 999,82. É verdade
que o cumprimento do requisito de 35 ou 30 anos de contribuição
depende da permanência do trabalhador no mercado formal
durante esse tempo, o que, em setores caracterizados pela alta
informalidade e rotatividade de mão-de-obra, se tornou
inviável. Mas defender restrições à aposentadoria
com base nisso é usar uma iniqüidade para justificar
outra.
Tampouco é certo que, “aos 60 anos, o trabalhador
que tiver começado a trabalhar aos 15 anos irá multiplicar
o seu salário médio de contribuição
por um fator previdenciário de 1,17 e quem tiver começado
a trabalhar aos 22 anos por um fator de apenas
0.97”