LASER PARA REJUVENESCER

Existe um novo tratamento de rejuvenescimento e que combate problemas na pele, podendo até eliminar manchas e cicatrizes com mais precisão e menos dor. O tratamento com o Laser Pixel®, que atua em profundidade, podendo ir da derme superficial à derme profunda, apresenta resultados bastante compensadores.

O Laser Pixel®, uma arma para atacar as manchas de sol, de idade, cicatrizes e rugas de expressão. As únicas restrições dizem respeito às grávidas e pessoas que apresentam doenças de fotosensibilidade.

- Por ser fracionado  ( Pixel) é hoje em dia um dos tratamentos mais avançados que existe, pois se pode ajustar o poder do aparelho às necessidades de cada paciente, afirma a dermatologista cosmiátrica Emília Guiomar Franco Reis Gonçalves.

A dermatologista Joyce Meri Castro que está trabalhando com o novo equipamento em seu consultório, no Rio de Janeiro, explica que a principal vantagem em comparação às técnicas anteriores, é que a recuperação costuma ser bem mais rápida e os pacientes relatam menos dor durante a aplicação.

- O tratamento não é evasivo. É totalmente seguro e com tecnologia de última geração, informa Dra. Joyce. São feitas microperfurações na pele para remover manchas superficiais ou profundas. Estas estimulam a produção do colágeno, que irá reduzir as rugas.

- Fui para a primeira sessão preocupada em não conseguir trabalhar logo depois, disse Suzana Campos, de 54 anos, paciente de Joyce Meri. "No entanto, 3 dias depois já estava participando de reuniões e ninguém notou o que eu tinha feito, me acharam bem, com a aparência mais descansada," complementa.

Ieda Maria Baquel, outra paciente, disse que não existe nenhum tratamento de rejuvenescimento que não exija sacrifícios. “Esse, pelo menos é mais rápido e menos agressivo”, explicou.

De acordo com a Dra Joyce Meri as reações variam de pessoa para pessoa. Meia hora depois da aplicação, sente-se um ardor, que costuma passar logo. No mesmo dia, a região fica avermelhada. Nos três dias seguintes, a pele descama.

"O paciente precisa usar hidratante, filtro solar 60 e não deve se expor ao sol", disse a Dra Emília .

O Laser Pixel® ameniza as rugas estáticas, especialmente as finas ao redor dos lábios, dos olhos e na testa", continua Dra Joyce Meri.

É recomendada uma aplicação por mês, que dependendo de como está a pele e da idade pode ser repetida mais três vezes. Uma melhoria no aspecto da pele pode ser sentido logo mas, o resultado ficará mais evidente depois de um mês ou dois.

PASSO A PASSO

A seguir, acompanhe o tratamento de rejuvenescimento com o Laser Pixel® desde a sua aplicação, logo a seguir, no dia seguinte e quatro dias depois.

 

         

1. Antes da aplicação / 2. A aplicação / 3. Suavizando a vermelhidão /

4. Após a aplicação, os traços ficam mais acentuados e a face avermelhada /

5. Aparecem manchas escuras no segundo dia /

6. O resultado final cinco dias depois.

Consultório Dra Joyce Meri de Castro: Rua Santa Clara,50 salas 304/305 – Copacabana Tel: (21) 2547-9000/2548-0456

BELEZA NA TERCEIRA IDADE

 

Um dos maiores desconfortos para quem chega à terceira idade é cuidar da pele. Pesquisa feita com pessoas acima dos 50 anos, pelo portal Minha Vida (www.minhavida.com.br), maior comunidade de saúde e bem-estar da internet, mostra que a maior preocupação desse público, com relação à pele, são as marcas e as rugas.

 

Mesmo com o avanço dos cosméticos e das cirurgias plásticas, para 31% das mulheres o envelhecimento da pele é o maior dilema, enquanto 22,4% se preocupam com as manchas. O público masculino não fica longe desse número: quase 27% se importam com as rugas e 20,2% implicam com as manchas.

 

PINTAS PODEM INDICAR ENVELHECIMENTO MAIS LENTO

 

O número de sinais e pintas na pele pode oferecer uma indicação da velocidade com que o corpo envelhece, segundo uma pesquisa britânica. Cientistas do King's College de Londres compararam o DNA com o número de sinais na pele em um estudo com 1,8 mil gêmeos.

Os pesquisadores descobriram que quanto maior o número de pintas ou sinais na pele de uma pessoa, maior a probabilidade do DNA daquela pessoa ter propriedades para lutar contra o envelhecimento.

O estudo, publicado na revista
especializada Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention, contrasta com a ligação entre o grande número de sinais e o alto risco de câncer de pele. Sinais na pele aparecem durante a infância e desaparecem a partir da meia idade.

Quando presentes em grandes números, os sinais podem aumentar o risco de melanoma, um tipo de câncer de pele.

Os sinais e pintas na pele variam muito em número e tamanho entre as pessoas. O número médio de sinais nas pessoas com pele branca é de 30, mas algumas pessoas podem ter até
400. A razão para tais diferenças entre as pessoas é desconhecida, assim como a função dos sinais.

Como os sinais desaparecem com a idade, cientistas examinaram a relação entre o número de sinais e o comprimento dos telômeros das células, que é um bom indicador da taxa de envelhecimento em órgãos como coração, músculos, ossos e artérias.

Telômeros, que ficam mais curtos à medida que envelhecemos, são pacotes de DNA encontrados no fim do cromossomo em todas as células e cuidam da proteção, replicação e estabilização das pontas dos cromossomos.

Eles foram comparados às pontas de plástico em cordões de sapatos, pois evitam que as pontas dos cromossomos desfiem ou grudem umas nas outras.

QUANTIDADE
No estudo, os pesquisadores descobriram que aqueles que tinham mais de 100 sinais na pele tinham telômeros mais longos do que aqueles com menos de
25. A diferença entre os dois grupos foi equivalente a seis ou sete anos de envelhecimento.

— Os resultados deste estudo são muito animadores, pois mostram, pela primeira vez, que pessoas com muitos sinais na pele, que têm um risco um pouco maior de melanoma, podem, por outro lado, ter o benefício de uma taxa baixa de envelhecimento —, disse Veronique Bataille, chefe da pesquisa.
 

Por Redação, com BBC - de Londres

 

O HOMEM ESTÁ PREOCUPADO COM A APARÊNCIA

 

Vaidade? Necessidade profissional? Razões pessoais? Um misto destas respostas justifica o aumento da procura masculina por cirurgias plásticas.

 

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica indicam que, em 2004, o Brasil realizou 616 mil cirurgias plásticas. Deste contingente, 31% ou 190 mil procedimentos foram realizados por homens. De lá para cá, a estimativa da entidade é que este percentual tenha crescido, pelo menos em 30%.

 

- “As intervenções masculinas mais corriqueiras são aquelas de pequeno porte, como a blefaroplastia, o peeling ou a lipoaspiração. A preocupação com o aspecto da pele e dos cabelos, antes encarada como uma preocupação feminina, hoje, também faz parte do universo masculino. No entanto, os homens têm outro perfil, gostam de soluções práticas, eficientes e simples, estas características devem ser levadas em conta no momento de atender a estes pacientes", afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro Integrado de Medicina.

 

O paciente típico de clínicas e consultórios médicos, hoje, é o homem jovem que deseja se livrar das marcas provocadas pela acne na adolescência ou o profissional que busca uma silhueta elegante e um rosto mais jovial, livre de rugas e do aspecto cansado e abatido. Ruben considera o mercado de trabalho, competitivo e exigente, como um dos grandes responsáveis por essa mudança de hábitos.

 

“No entanto, não podemos esquecer que as mulheres são incentivadoras da vaidade masculina e são formadoras de opinião, exercendo forte influência sobre os atos de maridos, filhos e namorados”, diz o cirurgião.

 

Nos Estados Unidos, a pesquisa Beautiful and Labor Marketing revelou que as pessoas de melhor aparência têm um ganho salarial 5% acima daquelas cuja aparência não era “assim tão boa”. Estas chegavam a perder pelo menos 10% do valor da remuneração por conta disso.

 

Um outro trabalho realizado pela diretora do departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ruth Helena Dwek, chamado O Impacto Sócio-econômico da Beleza – 1995 a 2004, mostra que o Brasil ocupa o sétimo lugar entre os países mais vaidosos do mundo.

 

Começar novos relacionamentos também é motivo para que os homens tomem a iniciativa de “repaginar” o visual. “O paciente masculino que busca a cirurgia plástica, geralmente, está em desarmonia com a sua imagem. Ele busca, acima de tudo, estar bem consigo mesmo”, conta o cirurgião plástico. De uma maneira geral, a vaidade masculina torna-se mais acentuada nos homens com idade entre 40 e 60 anos, faixa em que o executivo, por uma exigência do trabalho, necessita ter uma aparência jovem e bem cuidada.

 

Em relação ao mercado mundial de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, conforme dados do Euromonitor de 2006, o Brasil ocupa a terceira posição. É o segundo mercado em produtos infantis, desodorantes e perfumaria; terceiro em produtos para o banho, produtos masculinos, higiene oral e cabelo; o quarto em cosmético; o quinto em proteção solar; oitavo em pele; o nono em depilatórios.

 

CIRURGIAS MAIS PROCURADAS

As opções para corrigir as imperfeições no rosto e no corpo variam de acordo com a idade. Homens de até 30 anos, geralmente, demonstram o desejo de fazer uma plástica no nariz ou ficar livres das gordurinhas.

 

Na faixa entre 40 e 50 anos, o paciente do sexo masculino procura o cirurgião para fazer pequenas alterações na face, como retirar o excesso de pele nas pálpebras e as bolsas de gordura, bem como realizar o transplante capilar fio a fio.

 

- “Quando um homem decide procurar um profissional em cirurgia plástica, ele busca, em primeiro lugar, fazer mudanças discretas, com um aspecto bem natural. Nada de mudanças drásticas ou de alterações que chamem atenção”, afirma o médico. “Até mesmo no atendimento, o paciente   requer um tratamento diferenciado”, informa.

 

Os principais procedimentos realizados pelo público masculino, segundo o cirurgião plástico Ruben Penteado são:

 

LIPOASPIRAÇÃO - Especialmente no abdômen. É um dos procedimentos mais requisitados pelos homens. É muito eficiente para eliminar “a barriguinha”, desde que ela não esteja muito grande (em forma de avental). Em caso de obesidade é recomendado uma dieta com acompanhamento médico para que o resultado final  do procedimento seja satisfatório.

GINECOMASTIA - A retirada do excesso de gordura das mamas pode ser realizada em associação com uma lipoaspiração, dependendo da capacidade de retração da pele. No caso de mamas muito grandes, a cirurgia com incisão na aréola poderá também ser indicada.

BLEFAROPLASTIA – É a retirada do excesso de pele das pálpebras e das bolsas inferiores, que conferem um ar cansado à fisionomia. A operação proporciona um efeito rejuvenescedor e não deixa cicatrizes visíveis. 

RINOPLASTIA - Para os insatisfeitos com o tamanho ou o formato do nariz. É uma cirurgia delicada que exige muita habilidade do cirurgião. Durante o procedimento é possível realizar também a correção do desvio do septo nasal, se indicado.

IMPLANTE CAPILAR - Métodos modernos conferem uma aparência cada vez mais natural. Uma das técnicas mais utilizadas é o implante, ou seja, uma elipse de cabelo da nuca é retirada e transplantada para a região calva, fio a fio, ou folículo a folículo. 

 

Também estão em alta os procedimentos estéticos, como a aplicação de botox e de ácido hialurônico, produtos usados para corrigir pequenas imperfeições, sem que haja a necessidade da realização de uma cirurgia plástica.

 

Segundo a pesquisa Adonis Report, realizada pela 2B Brasil Marketing, e intitulada Os homens não são mais os mesmos, eles se depilam, cuidam das unhas e estão dispostos a realizar algum tratamento estético. Segundo a pesquisa, 71% consideram importante ter cabelos bem tratados, 76% valorizam as unhas cuidadas e 58% se preocupam com a limpeza do rosto.

 

O estudo revela que os homens estão começando agora a ter acesso a esse mercado. Noventa por cento dos entrevistados admitiram que nunca fizeram nenhum tratamento estético, o que mostra um bom nicho para investimento. Além disso, 68% consideram a hipótese de fazer uma cirurgia plástica para fins estéticos.

 

Fonte: ABIHPEC, Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos e 2B Brasil Marketing

 

O ENVELHECIMENTO E ATIVIDADES FÍSICAS

 

Imagine um circuito de exercícios físicos que o idoso pode realizar em sua própria casa, utilizando pesos tradicionais ou até adaptados, como garrafas pet cheias de areia.

 

Tais atividades podem ser acompanhadas por algum membro da família ou mesmo serem realizadas sozinhas, sem qualquer risco para a saúde. “Ao contrário, é comprovado que as pessoas idosas ganham disposição, maior facilidade para realizar atividades rotineiras e necessárias, como o simples ato de levantar-se da cadeira, quando praticam regularmente exercícios com pesos”, comenta o fisiologista Vagner Raso.

 

Ele está lançando o livro ‘Envelhecimento Saudável: Manual de Exercícios com Pesos’, cuja proposta do livro é propiciar ao idoso condições para que ele possa ganhar força, flexibilidade e massa muscular.

 

A obra – prefaciada por Edson Arantes do Nascimento, o Pelé – é um guia prático, simples e acessível à pessoa comum, ao profissional e a todos que buscam o envelhecimento saudável.

 

O manual, totalmente colorido e ilustrado por fotos, comprova o que o fisiologista constatou após muita pesquisa e mais de 12 anos de experiência. “Bastam dois meses de adesão a um programa de exercícios com pesos para reverter vinte anos de perda de força e massa muscular associados ao envelhecimento”, explica. “Mostramos, no entanto, que não bastam apenas os exercícios com pesos, mas sim o cumprimento de uma rotina semanal que combine atividades aeróbicas, de equilíbrio e flexibilidade também”.

 

Envelhecimento Saudável: Manual de Exercícios com Pesos” de Vagner Raso tem 252 páginas e custa R$ 99,00.

 

A CEGUEIRA É POBRE

JUSSARA CÂMARA

 

Dados revelam a dura realidade da perda da visão no Brasil: 90% dos casos de cegueira são detectados nas áreas mais pobres do país. Mas a constatação é mais delicada do que parece. O brasileiro precisa conviver, ainda, com a falta de políticas públicas. Isso porque 60% dos casos de cegueira poderiam ter sido evitados, se detectados com antecedência ou se tivessem sido devidamente acompanhados por um oftalmologista.

 

Dados obtidos durante o XXXIV Congresso Brasileiro de Oftalmologia realizado entre os dias 3 e 6 de setembro, no Centro de Convenções de Brasília e o II Fórum Nacional de Saúde Ocular, dia 5 de setembro, no Congresso Nacional, que contou com a presença de aproximadamente 6 mil médicos especializados em oftalmologia e participantes do governo.

 

RETRATO DA CEGUEIRA NO MUNDO

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem no mundo, aproximadamente, 50 milhões de cegos, cerca de 180 milhões de pessoas com alguma deficiência visual e 135 milhões com deficiência visual e risco de cegueira. Os custos globais indiretos e diretos com a cegueira são estimados em US$ 50 bilhões. A previsão é que o número atual de cegos no planeta alcance 76 milhões em 2020.

 

FALTA DE PREVENÇÃO SOBRE O GLAUCOMA

FAZ COM QUE SEJA A PRIMEIRA CAUSA DE

CEGUEIRA IRREVERSÍVEL

 

O glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo. No Brasil, a Associação Brasileira dos Amigos, Familiares e Portadores de Glaucoma, Abrag, estima que 900 mil pessoas tenham glaucoma, doença ocular que atinge 67 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

O glaucoma é uma doença causada principalmente por aumento da pressão dentro do olho. Essa pressão chamada pressão intra-ocular, danifica o nervo óptico, podendo levar à cegueira.

 

Ela é traiçoeira porque pode ter transcorrido dez anos ou mais, desde seu início, sem que o doente tenha notado qualquer alteração. Geralmente é detectada de maneira casual entre pessoas de 45 a 50 anos, quando consultam um médico por qualquer outro motivo.

 

Dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia revelam que 80% dos portadores de glaucoma não apresentam sintomas aparentes da doença, como alterações na visão, no início da doença. Na forma crônica, as alterações só são percebidas quando a doença já está em estágio avançado.

 

A DOENÇA

Caracteriza-se pelo aparecimento de dores muito intensas no olho, que se deslocam até a testa e a cabeça, podendo aparentar, às vezes, uma dor de molares. Nas formas mais graves, a dor pode afetar até o abdome, produzindo náuseas e vômitos.

 

Ao observar uma fonte de luz, podem aparecer círculos ou anéis luminosos ou a sensação de moscas voando. Também pode ocorrer perda da visão lateral, que finalmente pode levar à cegueira.

 

FATORES DE RISCO

Qualquer pessoa a partir dos 40 anos ou que têm histórico de diabetes, pressão arterial aumentada ou miopia severa. Também quem tem um histórico familiar de glaucoma corre risco maior de desenvolvimento do glaucoma. Negros tendem a ter um início mais precoce e uma progressão mais rápida da doença do que os caucasianos.

 

FORMAS DE PREVENÇÃO

O glaucoma é uma doença ocular séria e progressiva, que lesa o nervo óptico e que sem tratamento adequado pode levar fatalmente à cegueira. Isto porque uma vez danificado o nervo óptico, ele não pode ser regenerado. Portanto, a única forma segura de evitar suas conseqüências é fazer consultas periódicas com o oftalmologista, afirma a oftalmologista.

 

Visando a prevenção do glaucoma, é muito importante ir ao oftalmologista, pelo menos uma vez ao ano, para que a pressão ocular seja medida, afirma a médica Gabriela Barreto. Havendo suspeita de glaucoma, se poderá solicitar exames de campo visual para verificar sua possível diminuição ou então,  examinar o nervo óptico por meio do exame de fundo de olho. E dependendo da suspeita, solicitar exames de imagem para auxiliar no diagnóstico, como o HRT, que escaneia a superfície do nervo óptico e da retina. “Há também o GDX e o OCT que analisam as fibras nervosas mais especificamente. Feitos com cuidado e regularidade estes exames podem auxiliar a identificar os pacientes saudáveis e os que já apresentam os primeiros sinais de danos”, explica a oftalmologista Gabriela Barreto.

 

A tonometria é apontada como um exame essencial também, pois é capaz de rastrear o aparecimento do glaucoma. “Ao medir a pressão ocular, por meio do tonômetro, o médico pode detectar a presença de hipertensão ocular, que pode ou não ser diagnosticado como glaucoma, de acordo com a alteração ou não do campo visual e da papila óptica”, finaliza.

 

ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA DOENÇA:

1) Comprometimento do paciente

São muitos os pacientes em tratamento que deixam de tomar os medicamentos antiglaucomatosos corretamente. “É de extrema importância a manutenção e o reforço das orientações médicas durante todo o tratamento, pois assim como a diabetes e a hipertensão arterial, o glaucoma não tem cura, mas é passível de controle, garantindo a qualidade de vida do paciente”, afirma a médica.

 

2) Acesso à informação

Como os estudos sobre o glaucoma avançaram ao longo dos anos, o acesso às informações atualizadas é fundamental para uma estratégia de prevenção eficaz. A pressão intra-ocular já não é mais tida como fator indispensável para a ocorrência da doença. “O aumento da pressão intra-ocular é considerado um dos fatores de risco. Portanto, no diagnóstico do glaucoma, outros fatores somam-se a ela, acarretando pior prognóstico da doença; entre eles, o desconhecimento da população a respeito da doença e suas conseqüências visuais”, diz a oftalmologista.

 

Saber sobre a importância da hereditariedade é muito importante para alertar descendentes sobre o risco de desenvolver o glaucoma. “O glaucoma é uma doença de caráter hereditário, e por isso em famílias de portadores de glaucoma há a necessidade que todos façam os exames preventivos”, explica a oftalmologista.

 

Muitos estudos já chamam a atenção para o fato de que pacientes mais bem informados apresentam melhor comprometimento com o tratamento. E nos casos de tratamentos prolongados, sem compreensão da sua finalidade e importância pelos pacientes, torna-se difícil a participação dele no tratamento.

 

No dia 19 de outubro, a oftalmologista Gabriela Barreto proferirá a palestra: Você sabia que por falta de prevenção o glaucoma é a primeira causa de cegueira irreversível?.  O evento é parte da programação do Projeto IMO Melhor Idade. A palestra inicia-se às 14:00 horas. A participação no evento é gratuita, mas há a necessidade de confirmar presença, pois o auditório da clínica tem capacidade para comportar apenas 90 pessoas sentadas.  Para confirmar a participação, é necessário entrar em contato com a coordenadora do Projeto, Neusa Duarte, pelo telefone: (11) 5573 6424

IMO – Instituto de Moléstias Oculares fica na Avenida Ibirapuera, 624. São Paulo-SP  Horário de atendimento: 08:00 às 18:30, de segunda a sexta-feira

Telefone: (11) 5573 6424 Site: www.imo.com.br

 

 

UMA POLÍTICA VOLTADA PARA A OFTALMOLOGIA

 

Neste momento em que o país discute as causas da cegueira são necessárias ações concretas em prol da saúde ocular. Para falar sobre essa temática, segue entrevista com o Dr. Marcos Ávila, professor e chefe da disciplina e do Departamento de Oftalmologia da UFG e presidente do Congresso Brasileiro de Oftalmologia. 


QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CAUSAS DA CEGUEIRA NO BRASIL?

Marcos Ávila - As principais causas da cegueira são: catarata, glaucoma, retinopatia diabética, erros de refração (falta do uso de óculos) e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Dentre as irreversíveis, estão a retinopatia diabética, o glaucoma e a maioria dos casos de degeneração macular relacionada à idade (principal causa da perda da visão em cinco milhões de brasileiros e 300 milhões de pessoas no mundo). Dentre as reversíveis; ou seja, que podem ser tratadas, está a catarata.

 

QUAL A OPINIÃO DO SENHOR SOBRE A IMPLANTAÇÃO DE NOVAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA DIMINUIR OS ÍNDICES DE CEGUEIRA NA POPULAÇÃO?

Marcos Ávila - Precisamos tornar um sonho em realidade: a hierarquização da rede. Ou seja, uma política nacional totalmente voltada para a oftalmologia, assim como já existe com a rede de oncologia, por exemplo. Nela, teríamos sistemas de atendimento primário, secundário e terciário. No atendimento primário, é imprescindível a capacitação do agente de saúde para a detecção de doenças oftalmológicas entre a população assistida pelo Programa Saúde da Família (PSF). Também é necessário um atendimento dentro das escolas da rede publica. Assim, os professores fariam um trabalho de detecção de baixa visual entre alunos do ensino fundamental.

 

O SENHOR ESTEVE COM O MINISTRO JOSÉ GOMES TEMPORÃO, DA SAÚDE, PARA FAZER PROPOSTAS NA ÁREA DE POLÍTICAS DE ATENDIMENTO OFTALMOLÓGICO. O QUE FOI PROPOSTO?

Marcos Ávila - Nós apresentamos ao ministro José Gomes Temporão uma solução dentro do Programa de Cirurgias Eletivas, implantado no SUS em Fevereiro de 2006. O programa dificultou o acesso e a realização das cirurgias oftalmológicas no Sistema Único de Saúde. Hoje, existe uma quantidade enorme de pessoas com catarata. No Brasil, são três milhões de pessoas que sofrem da doença. Na população acima de 60 anos, são aproximadamente 500 mil pessoas totalmente cegas em decorrência da catarata.  O gestor municipal e estadual acaba dando prioridade a um tipo de cirurgia e negligencia outro, por não poder atender às principais demandas da população. Precisamos voltar a oferecer um atendimento oftalmológico adequado dentro do SUS. Países desenvolvidos realizam cerca de seis cirurgias de catarata para cada mil habitantes. No Brasil, são realizadas duas cirurgias dentro deste universo.

 

COMO A SOCIEDADE E O GOVERNO PODEM COLABORAR COM A PREVENÇÃO DA CEGUEIRA?

Marcos Ávila - A maioria dos casos registrados de cegueira encontra-se em regiões pobres. É difícil o acesso da população mais carente à informação e ao atendimento oftalmológico na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, antes de tudo, é necessário um número maior de campanhas de divulgação para conscientizar a sociedade sobre o problema.  Precisamos de campanhas de divulgação em massa para que as pessoas saibam, por exemplo, o que é o glaucoma ou a retinopatia diabética, que podem ser detectados precocemente e tratados. Em segundo lugar, é necessária a disponibilização de maior verba pública para o tratamento de pacientes do SUS. 

 

O TRATAMENTO COM SUBSTÂNCIAS ANTIANGIOGÊNICAS É UM DOS PRINCIPAIS TEMAS DO CONGRESSO. ELE É VIÁVEL NO BRASIL?

Marcos Ávila - Os antiangiogênicos são substâncias derivadas da pesquisa do câncer e são aproveitadas no tratamento de cerca de 80 doenças. Dentre elas, doenças oculares, como a degeneração macular relacionada à idade, e em alguns casos de retinopatia diabética e edema de mácula, inchaços na retina. Existe um antiangiogênico aprovado no Brasil e dois nos Estados Unidos, que estão em uso. Além de um tipo que foi aprovado para tratar o câncer de intestino, mas se encontra em fase de pesquisa e está sendo usado em doenças oftamológicas. A utilização dessas drogas é muito cara, entretanto o antiangiogênico em fase de pesquisa hoje eu considero bastante eficaz. É uma substância muito mais barata que as usadas no mercado atualmente.

 

INFORMAÇÕES  ADICIONAIS

Segundo o ministro, o programa Olhar Brasil vai melhorar o atendimento oftalmológico na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), e cerca de 280 mil cirurgias de catarata - doença responsável por 42% dos casos de perda da visão hoje - serão realizadas num curto espaço de tempo. Em 2006, cerca de 200 mil cirurgias foram feitas. Já em 2007, o número caiu pela metade, 100 mil intervenções cirúrgicas. 

 

- “Precisamos voltar a oferecer um atendimento oftalmológico adequado dentro do SUS. Países desenvolvidos realizam seis cirurgias de catarata para cada mil habitantes. No Brasil, são realizadas cerca de duas cirurgias apenas”, revela Marcos Ávila, presidente do Congresso Brasileiro de Oftalmologia.

 

O SUS PEDE SOCORRO

GILBERTO NATALINI,

 

A atual conjuntura da saúde pública brasileira aponta para um colapso no setor. São filas quilométricas nas portas dos hospitais, esperas que chegam a durar meses, equipamentos precários, corpo clínico deficitário, infra-estrutura lastimável. Diante de um iminente "apagão" no Sistema Único de Saúde, surpreende a omissão do governo, comportando-se como se nada lhe dissesse respeito.

Evidência do descaso de Brasília é a posição ambígua em relação à regulamentação da Emenda Constitucional 29. Em vigor desde
2000, a Emenda, conhecida como PEC da Saúde, determina o direcionamento de recursos públicos para o setor. Os estados devem investir 12% de seus orçamentos, municípios 15% e a União um percentual variável do Produto Interno Bruto (PIB) - pelo projeto do ex-deputado Roberto Gouveia (PT/SP), 10% da receita bruta da União.

A maior parte da verba deve ser aplicada em três áreas específicas: ampliação do Programa de Saúde da Família (PSF), aumento da capacidade da rede de assistência hospitalar e aquisição de medicamentos. O objetivo é criar um cenário de estabilidade financeira, afastando a possibilidade de colapso, e homogeneizar os gastos em todo o território nacional, já que pesquisas apontam que os municípios investem mais que os estados em saúde pública.

A Emenda Constitucional 29 estabeleceu regras apenas para o período de 2000 a 2004. Desde então, sua regulamentação está à mercê da negligência do Governo Federal. Por essa razão, estamos organizando em São Paulo , na segunda-feira, 08 de outubro, uma ampla mobilização envolvendo lideranças da saúde, autoridades e gestores públicos com a finalidade de reivindicar a imediata  regulamentação conforme seu projeto original, num apelo dirigido ao presidente da República e aos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado Federal.

O momento é de mobilização. O SUS é o grande plano de saúde do povo brasileiro. Seu maior problema é o sub-financiamento - dispõe de apenas US$ 150 por brasileiro/ano, para promoção, prevenção, cura e reabilitação em saúde. Impossível imaginar o Brasil sem o SUS. Seria a desassistência de 130 milhões de pessoas.

O Governo Federal não pode permanecer omisso.

Gilberto Natalini, médico e vereador (PSDB) em São Paulo - @Email: natalini@camara.sp.gov.br.

 

O PAÍS É POBRE EM INVESTIMENTOS

 

Brasil destina à saúde o que países desenvolvidos investiam na década de 80. Doenças como malária ainda são uma realidade. Problemas como estes foram apontados por pesquisador, durante evento, como fatores de interferência no processo de incorporação de tecnologia à saúde no país.

 

Com o objetivo de discutir novas propostas para a saúde, representantes de empresas, consumidores e do governo reuniram-se hoje na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Para representar a visão dos consumidores, a advogada Maria Stella Gregori, lembrou que o autor do livro prega através de sua análise sobre o sistema de saúde nos EUA que há atualmente uma grande competição neste setor, mas que ela não está funcionando. Isto porque não tem conseguido trazer qualidade, nem tem gerado valor para o paciente. A melhoria só seria alcançada com o foco destinado ao paciente.

 

Ela destacou ainda que para Porter o valor da saúde é quantificado através do dinheiro investido em saúde. Ela , então, concluiu que no Brasil há a necessidade de se estabelecer também um valor para a saúde. Segundo Gregori, a Constituição Federal já traz princípios que ajudam a nortear esta busca, pois aborda a dignidade humana, o consumidor de forma diferenciada e a saúde como um bem de todos.

 

Para a advogada, o Brasil já avançou em muitos pontos, pois criou a Lei 9.656/98 e a ANS (Agência Nacional de Saúde), órgão regulador. Portanto, considerou que o país tem instrumentos para avançar sobre a questão da saúde, e que para a conceituação de valor será necessário um equilíbrio entre prestadores e consumidores. "É importante lembrar que saúde é uma atividade onde o social se sobrepõe ao econômico", ressaltou.

 

Já Marcos Bosi Ferraz, do Centro Paulista de Economia da Saúde / Unifesp e do Fleury Medicina e Saúde, trabalhou com a questão da incorporação da tecnologia à saúde. Ele afirmou que, hoje, o Brasil "tem problemas de saúde e recursos financeiros do século passado". "Em 2006 o país destinou ao Sistema de Saúde o mesmo que países desenvolvidos investiam nos anos 80", disse. O que, na verdade, interfere sensivelmente no consumo de tecnologia. Ele disse que, no país, "doenças como tuberculose, infecção e malária ainda não estão resolvidas. E, no entanto, outros atuais passaram a existir como, por exemplo, Alzheimer". Segundo Ferraz, o ritmo de geração de novos conhecimentos cresce muito acima da capacidade da sociedade, como um todo, de ter acesso aos mesmos.

 

Ele afirmou que atualmente considerando um medicamento que tenha eficácia de 80% em uma amostragem de mil pacientes, em um mundo real, vários fatores vão influenciar o resultado final. Por exemplo, o acesso ao sistema de saúde, a precisão do diagnóstico, a eficácia do tratamento, a aderência do prestador e a aderência do paciente. Tudo isso somado, faz com que apenas 47% desses 1000 pacientes sejam curados. Ele destacou, ainda, que em países com problemas no sistema, por exemplo, nos em desenvolvimento esta estimativa pode chegar ao extremo de 9% de pacientes curados. Assim, concluiu que para o incremento da sáude é necessário que se definam prioridades, que se preste assistência baseada em evidência e quando necessário se economize.

 

O representante do governo, Fausto Pereira dos Santos, diretor da Agência Nacional de Saúde (ANS), destacou que “é impossível regular um sistema que tenha ênfase apenas no setor econômico, sendo o social imprescindível. Da forma que é impossível gerir com o fluxo de caixa. Ele destacou ainda que é fundamental trabalhar a questão do resultado, pois não se pode pagar da mesma maneira quando se tem resultados diferentes – positivo, negativo ou nulo”.

 

Para ele, apesar dos avanços nos últimos anos, no país ainda há um grande problema com relação as questões de longo prazo, pois apenas as de resultado imediato são valorizadas. Exemplificou com a questão da remuneração, "quando se propõe a remuneração baseada no resultado, a primeira coisa que acontece é o questionamento do prestador com relação ao lucro. O mesmo ocorre com os planos de saúde que questionam quanto será economizado no mês". Ele concluiu afirmando que o país já demonstra solidez suficiente para sair do curto prazo.
 
O evento teve como ponto de partida o livro "Repensando a saúde: estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos", dos americanos, Michael E. Porter e Elizabeth Olmsted Teisberg, e foi organizado pela AMIL.

 

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

 

SAÚDE E OS AVANÇOS DA TECNOLOGIA

MARCOS HUME

 

O avanço da tecnologia no setor da saúde vem provocando uma discussão sobre quais os caminhos ideais para a incorporação de novos equipamentos e produtos médico-hospitalares no país. No meio desse debate estão questões espinhosas: o governo deve gastar com a importação de equipamentos de última geração, que ajudam a salvar algumas vidas, ou investir na melhoria da saúde pública com os tratamentos tradicionais? E como fica o equipamento que ajuda na prevenção e, mais adiante, evita custos com internações e exames? O mesmo dilema, em maior ou menor proporção, enfrentam os hospitais particulares que atendem através de planos de saúde e os centros de diagnósticos.

 

O processo de incorporação de novas tecnologias está em fase inicial, mas se trata de um processo irreversível. Os setores público e privado estão desenvolvendo iniciativas para melhorar a entrada desses novos equipamentos e produtos para a saúde. Mas esbarram, na maioria das vezes, na política adotada pelas autoridades do setor e no impacto econômico desse processo.

 

O custo é um dos principais fatores que o governo utiliza para barrar as novas tecnologias. O problema, nesse caso, deve ser avaliado com muito cuidado e em longo prazo. Logicamente, ao trazer um equipamento de última geração, o impacto econômico em curto prazo será alto. Mas é preciso ressaltar que este mesmo equipamento pode representar uma diminuição de custos em médio ou longo prazo. Uma nova tecnologia que previne doenças pode efetivamente reduzir o número de internações e intervenções cirúrgicas lá na frente.

 

A restrição política é outro fator intrigante. Hoje, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão criando mecanismos para assegurar maior controle na entrada de novas tecnologias que para o setor de importação poderá significar barreiras não alfandegárias.

 

Apesar de o governo ter criado a Comissão para Incorporação de Tecnologias em Saúde (CITEC), para avaliar tecnicamente e economicamente o impacto das novas tecnologias, a indústria  ainda encontrará dificuldades. Ainda  falta uma metodologia adequada para essas avaliações. Faltam  ainda profissionais  com a correta capacitação tanto por parte do governo como das indústrias. Existem oportunidades de melhorias no sistema de avaliação e aprovação das novas tecnologias.  Por exemplo, a comissão ainda não estabeleceu prazos para as avaliações nem critérios de priorização das mesmas, o que dificulta a indústria e prejudica toda a cadeia envolvida.

 

A não introdução de novas tecnologias no sistema, principalmente quando não há critérios bem definidos, tem como principal prejudicado o paciente, e o conseqüente o sistema de saúde que poderá com o tempo, se tornar defasado em relação ao mundo. 

 

A exemplo do Japão, que em dois anos, entre 2004 e 2006, decidiu fechar suas portas às novas tecnologias.  Em 2004, o país havia introduzido 192 novas tecnologias. Entretanto, em 2006 permitiu a introdução de somente 8 inovações no setor de saúde. O resultado desse processo gerou uma defasagem tecnológica prejudicial ao sistema. Pois hoje há gerações de produtos e procedimentos em cardiologia, disponíveis na Índia e China que ainda não estão incorporadas no Japão. Os profissionais da saúde que buscam treinamento e novos conhecimentos fora de seu país retornam frustrados, pois sabem que não encontrarão estas tecnologias disponíveis em sua pátria mãe.

 

Esse quadro apresentado no Japão indica que é essencial a existência de critérios bem definidos na avaliação de novas tecnologias na saúde. E o Brasil precisa caminhar para uma metodologia eficiente, pois corre o risco de deixar de tratar seus pacientes adequadamente,  caso adotem critérios unicamente baseado em custos e sem análises metodológicas, com vistas a resultados e de longo prazo para o sistema. Um dos papéis da indústria, além de proporcionar todo o conhecimento tecnológico, é o de alertar o governo para esse horizonte perigoso.

 

A indústria de equipamentos médico-hospitalares está aberta ao debate com toda cadeia envolvida com a saúde, com o objetivo de melhorar a estrutura de informações e a metodologia utilizada na aprovação das novas tecnologias. O diálogo, o planejamento e a implementação de novos métodos são fundamentais para um progresso nos tratamentos de saúde tanto no setor privado, como no público.

 

Marcos Hume é  gerente de economia da saúde e reembolso e coordena o Grupo de Técnico de Trabalho de Avaliação de Novas Tecnologias da Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed)

 

POLÊMICA SOBRE O CPMF

UM LADO:

Foi votada a prorrogação da CPMF. Uma olhada superficial nos meios de comunicação mostra que essa renovação vem sendo objeto de uma intensa campanha contrária, à qual também se acrescentam correntes na internet, mostrando a indignação do cidadão comum e não apenas a dos especialistas que têm acesso às colunas dos jornais.

 

Pareceria que brecar a renovação do imposto seria "a virada na luta contra o peso excessivo do Estado", "contra a sufocante carga tributária" e outras afirmações nesse sentido. 

Existem razões teóricas para criticar a CPMF, como por exemplo sua característica de imposto em cascata (dado que se aplica a qualquer transação, o imposto seria distorcivo), além de que poderia levar a uma "desfinanceirização" (as pessoas fariam transações à vista para não pagar o imposto) etc. Todavia, entendemos que a oposição à CPMF não decorre desses motivos técnicos mais ou menos obscuros, explicando-se muito mais pelos seus méritos do que por seus defeitos. 


Vejamos quanto representa a CPMF no bolso de um cidadão de classe média. Para alguém que ganha R$ 4 mil líquidos, a CPMF representa pouco mais de R$ 15,00 mensais. Se a família dessa mesma pessoa comprar uma garrafa de refrigerante PET de dois litros (ou duas latinhas) por dia, estará pagando praticamente a mesma quantia de ICMS nessa bebida cada mês. Mas por que não recebemos correntes indignadas de nossos amigos, ou porque não lemos na imprensa propostas como "Acabemos com o ICMS dos refrigerantes", "Liberdade para nossas refeições" ou "Cansei de ser taxado à mesa"? Esse mesmo raciocínio poderia se aplicar a outros casos: por que não exigir reduções em outras alíquotas do ICMS ou do IPI? Porque não defender uma elevação nos descontos do IR, ou uma redução nas contribuições à Previdência? 


Para explicar essa indignação, talvez uma boa dica seja ver como funciona a CPMF. Uma característica básica dela é sua universalidade: qualquer usuário do sistema bancário é taxado na mesma proporção, seja empresário, artista, professor, favelado ou camelô. Dado que a alíquota é a mesma para qualquer cidadão, talvez o normal seria que os pobres se rebelassem, pedindo isenções, ou questionando por que eles têm que pagar a mesma percentagem que os ricos quando retiram seu salário do banco. Mas o que temos visto é exatamente o oposto: a classe média e os empresários são os que mais fortemente têm reclamado do imposto. 

Minha interpretação é que essa universalidade é o motivo da chiadeira contra a CPMF, pois ninguém pode fugir dela

Minha interpretação é que exatamente essa universalidade é o motivo da chiadeira contra a CPMF: ninguém pode fugir dela! Não tem jeitinho, nem nota fria, nem fiscal amigo, nem contador esperto que consiga impedir que as pessoas tenham que pagá-la. Não existe uma tarifa bancária com CPMF e outra sem ela, ao contrário de, por exemplo, a opção que oferecem o médico ou o mecânico de cobrarem um preço pelos seus serviços com nota fiscal ou recibo, e outro sem. 


Fazendo uma simplificação, podemos dividir os cidadãos brasileiros em dois grandes grupos: os trouxas que pagam todos seus impostos, e os espertos que dão um jeito através da evasão e da elisão impositivas. No primeiro grupo tipicamente estão os assalariados, dos setores privado e público, que não têm como fugir das retenções de seus salários, dos impostos pagos na compra do supermercado etc. No segundo está uma parcela daqueles que podem optar por recolher seus impostos ou não (empresários, autônomos, firmas) e que escolhem o segundo caminho, algo que não está ao alcance do assalariado- claro que há muitíssimos empresários, profissionais etc, que pagam todos seus impostos regularmente, mas não são todos.

 

A CPMF tem esse inegável mérito de atingir por igual espertos e trouxas. Por isso entendemos que especialmente os assalariados de classe média, ao pedirem o fim da CPMF, estão embarcando numa luta cujos maiores beneficiados certamente não seriam eles. 

Pode-se afirmar, por outro lado, que a sociedade tem demandado que o setor público mantenha seus programas sociais bem-sucedidos, forneça serviços de educação e saúde de melhor qualidade e retome seus investimentos em infra-estrutura. Para conseguir recursos para isso, o governo precisaria ora aumentar sua arrecadação, ora reduzir suas outras despesas. Claro que a qualidade dos gastos públicos pode ser muito melhorada, mas essa mudança necessariamente será lenta, e por isso a população teme que a saída seja um aumento na carga impositiva, e vibra instintivamente ante a possibilidade de eliminar algum imposto.

 

Todavia, um olhar atento às informações de arrecadação mostra que a receita do governo tem aumentado mês a mês. Esse crescimento, maior que o da economia como um todo, não decorre, porém, do aumento da carga tributária (dado que ela não muda todos os meses), mas do aumento da eficiência na arrecadação. Isso mostra que há espaço para viabilizar as exigências da sociedade quanto ao papel do Estado sem alterar o volume dos impostos que se deveria pagar (cujo total sem dúvida é muito alto), mas mexendo no quanto efetivamente se paga, muito abaixo do que se deveria.

 

Dado que a evasão e a elisão fiscais estão muito mais ao alcance dos mais ricos do que dos pobres, que não têm muitos meios de fugir dos seus impostos, aumentos na eficiência na arrecadação certamente atingem proporcionalmente mais os setores de maiores recursos. Por isso, acreditamos que a luta daqueles que se mostram preocupados com a carga tributária deveria se concentrar em apoiar medidas que aumentem a eficiência da arrecadação. Isto representaria maior justiça social e permitiria discutir em bases mais realistas qualquer redução da carga tributária. 

Recentemente faleceu a empresária Leona Helmsley, dona de um império imobiliário que incluía entre outras coisas o Empire States. Atribui-se a ela a frase "Só a plebe paga impostos", frase mais chocante porque dita num país no qual a eficiência da arrecadação e o castigo pela evasão são bem maiores do que no Brasil. Mas a CPMF seria o tipo de imposto do qual nem ela poderia ter fugido! Se estivesse viva e no Brasil, a Sra Helmsley certamente seria uma forte candidata a entrar na corrente contrária à sua renovação. 

Ramón García Fernández é professor da FGV/EESP. Este artigo foi publicado no

Valor Econômico  em  3/9/2007

OUTRO LADO:

A   CPMF (aquele imposto básico que todos nós pagamos sobre nossas transações bancárias) está prevista para ser extinta em dezembro de 2007, mas nosso 'querido presidente' quer torná-la definitiva.