NÃO HÁ NADA MAIS DIFÍCIL
COMO INTRODUZIR
UMA NOVA ORDEM DE COISAS.
(MAQUIAVEL EM 1502)
SAÚDE GANHA POUCO E GASTA MAL
Uma idéia muito discutida é a
de que "o SUS tem dinheiro e gasta mal". Não é o
que os números e a prática demonstram.
A frase que certamente mais se aproxima da realidade
atual
é a de que o "SUS tem pouco dinheiro e gasta mal".
O país investiu em 2006 aproximadamente
R$ 159,2 bilhões em saúde, de acordo com
dados do Denasus, Departamento Nacional de Auditoria
do SUS. Significa R$ 865 investidos per capita, por ano.
Considerando que à época o dólar
flutuava em R$ 2,30, o gasto anual total por pessoa estava
em 376 dólares.
Da soma dos gastos, 45,2%, ou R$
72 bilhões, vieram das três esferas de governo,
a União, os Estados e os municípios, o
equivalente a R$ 391 per capita, ou R$ 1,07 por dia.
Os investimentos privados somaram
R$ 87,2 bilhões, ou 54,8% de todas as despesas
em saúde do país, o que corresponde a R$
2.180 por habitante, por ano.
Isso deixa claro que a oferta de
saúde é pensada de forma discriminatória
para "atender" tipos distintos de população:
aquela considerada por certos gestores como sendo de
1ª
categoria, que pode pagar, e a que alguns vêem como
um público de 2ª categoria, totalmente dependente
do serviço público, o que comprova o atual
quadro de exclusão social reinante no país
nesse setor.
POUCO GASTO COM A SAÚDE
Recentemente, o próprio ministro
da Saúde, José Gomes Temporão, argumentou
em um artigo veiculado na grande imprensa que "...um
país desenvolvido tem cidadãos saudáveis
e sistema de atendimento à saúde organizado
e
em funcionamento. Há
economias dinâmicas, com crescimento e participação
no comércio internacional que não podem ser
classificadas como desenvolvidas. Sofrem com exclusão,
desigualdade, pobreza e organização social
rígida e estratificada".
Depois de analisar uma série
de indicadores que deixam claro que a saúde deve
ser encarada como prioridade num novo modelo de desenvolvimento,
concluiu o Ministro: "O Brasil apresenta grande
possibilidade de superação dessa vulnerabilidade.
Nossa base produtiva, ciência, recursos humanos
qualificados e sistema de saúde universal conferem
ao Estado elevado poder de compra de bens industriais,
com financiamento de longo prazo pelo BNDES. Significa
que a saúde é frente de expansão
e janela de oportunidades ao padrão de desenvolvimento
humanizado, equânime e solidário".
Segundo o próprio Ministério
da Saúde, portanto, é fundamental que as
distorções sejam atacadas com rigor e que
a mentalidade de ver a saúde sob a ótica
mercantil dê lugar ao aspecto humanista.
Pontos falados durante o ENEM XI
Encontro Nacional das Entidades Médicas
MAIS VERBAS PARA A SAÚDE DOS BRASILEIROS
JORGE
CARLOS MACHADO CURY
Faz cerca de um mês, lideranças
médicas do todo o Brasil se reuniram em Brasília
para o XI Encontro Nacional das Entidades Médicas
(Enem).
Médicos de todo o país,
lideranças da Associação Médica
Brasileira (AMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM),
da Federação Nacional dos Médicos
(Fenam), da Frente Parlamentar de Saúde, deputados
e senadores, além dos ministros da Saúde
e Educação, José Gomes Temporão
e Fernando Haddad, respectivamente, participaram do Encontro
Nacional das Entidades Médicas, buscando uma equação
mais adequada para a relação recursos/gastos.
Representantes da Associação
Médica Brasileira, do Conselho Federal de Medicina
e da Federação Nacional dos Médicos
realizaram um amplo balanço da saúde do
país e definiram quais são as prioridades
para melhorar o atendimento aos cidadãos e para
garantir um exercício da medicina eficaz e seguro.
Entre gravíssimos problemas
em todos os níveis, chegou-se à conclusão
de que o financiamento – ou a carência dele – é um
dos maiores empecilhos para a correta assistência à saúde.
Foi esse um dos motivos que levou os profissionais de
medicina a entrar em estado de alerta permanente em defesa
da saúde e da população.
Num documento batizado de Carta
de Brasília, os médicos reafirmam o entendimento
de que o SUS tem papel fundamental para a população.
Afinal, conceitualmente assegura o direito à
saúde integral, de qualidade e ágil. Porém,
identificaram dificuldades que comprometem a qualidade do
atendimento. Constataram “haver grave insuficiência
de recursos” e já estão exigindo “a
ampliação da receita orçamentária”,
a começar pela regulamentação da Emenda
Constitucional 29 e pela destinação exclusiva
da arrecadação da CPMF para o SUS.
O pleito, legítimo em todos
os aspectos, é, a bem da verdade, uma defesa imperiosa
dos recursos do setor. Hoje, tanto as verbas da EC 29
quanto as da CPMF vêm sendo desviadas sem qualquer
escrúpulo por alguns gestores.
Veja o que ocorre com a CPMF: criada
para ajudar a financiar a saúde dos brasileiros,
tornou-se mais uma fonte para o governo retirar dinheiro
para quitar os juros da dívida pública.
Na última década, nada menos do que 33,5
bilhões da arrecadação ficaram indevidamente
nos cofres da União, quando deveriam ter sido
repassados para a implantação de políticas
sociais.
Um estudo da Unafisco, a União
Nacional dos Auditores da Receita Federal, dá conta
de que este montante é
equivalente a algo em torno de 20% do total da arrecadação
da CPMF nos dez anos de vigência, que ficou em R$ 185,9
bilhões. O
quadro mostra o quanto é essencial brigar para que
a CPMF seja 100% aplicada em saúde.
O ENEM também exigiu a regulamentação,
em caráter de urgência, da Emenda Constitucional
29, que estabelece a fixação das ações
em saúde, a destinação obrigatória
de recursos por parte da União, estados e municípios,
e, principalmente, quais gastos podem ser efetivamente
considerados como investimentos no setor.
É bom lembrar que o país
investe atualmente em saúde menos do que qualquer
nação da América do Sul. Para piorar
a situação, cerca de 20 estados não
cumprem a Emenda 29, pois o fato de não estar
regulamentada possibilita artifícios para burlar
a lei. A própria União não dá bom
exemplo e sempre busca formas contestáveis para
transferir o dinheiro que é legalmente da saúde
a outras rubricas.
O fato é que não podemos
admitir que a saúde do brasileiro seja tratada
de forma desrespeitosa. Formar uma nação
que mereça o respeito público passa por
atender com qualidade as principais demandas e direitos
da população.
Jorge Carlos Machado Cury é
presidente da Associação Paulista de Medicina
APAGÃO DA SAÚDE
A Sociedade Paulista de Pneumologia
e Tisiologia participou, em 14 de agosto, de manifestação
em prol da saúde do Brasil. Promovida pela Frente
Parlamentar da Saúde e diversas entidades da área.
O movimento tem como objetivo de evitar um caos na saúde
em conseqüência da grave situação
em que se encontram os hospitais públicos, Santas
Casas e instituições filantrópicas,
além de outras que atuam na atenção
básica.
Uma das solicitações
feitas ao presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva, foi a urgência para a votação
da PEC 29, que aguarda a liberação por
parte do governo. A emenda visa a assegurar os recursos
mínimos para o financiamento das ações
e serviços públicos de saúde.
Outra reivindicação
para o encontro com o presidente Lula é o reajuste
das tabelas do SUS, entoado por todo o setor que presta
serviço à saúde. A consulta médica
custa R$ 7,55.
Desde
1999, a
tabela vem sofrendo uma defasagem que está prestes a inviabilizar
a existência de qualquer entidade prestadora de serviço,
seja ela pública, filantrópica, Santas Casa
ou Universitária.
A variação da inflação,
a partir do Plano Real, versus a correção
média das Tabelas do SUS é espantosamente
inacreditável, vejamos:
Defasagem acumulada SUS após
plano Real
|
Variação até outubro
de 2006
|
TABELA SUS
|
37,30%
|
IGPM(FGV)
|
418,10%
|
GASOLINA
|
528,61%
|
ENERGIA ELÉTRICA
|
595,53%
|
TRANSPORTE URBANO
|
626,87
|
A TABELA
DO SUS, COM O VALOR PAGO E O VALOR REALMENTE GASTO:
Procedimento
|
Valor SUS
|
Valor Real
|
Diferença
|
Consulta em especialidade Adulta
|
7,55
|
20,94
|
177,4%
|
Raio X – Simples
|
4,91
|
27,58
|
461,7%
|
Endoscopia
|
14,41
|
79,67
|
452,9%
|
Insuficiência respiratória
|
793,01
|
3.083,44
|
288,8%
|
INSANIDADE É QUERER OBTER OUTROS RESULTADOS,
FAZENDO A MESMA COISA
GUY FALKS
SÓ FALTAM OITO ANOS
MERULA
STEAGALL
Continuam comuns na rotina brasileira,
cenas comprobatórias das deficiências da
assistência médico-hospitalar pública.
Pacientes largados em macas nos corredores de hospitais,
demora de às vezes meses para se conseguir consulta
em especializações ou cirurgia eletiva,
burocracia excessiva no fornecimento — legalmente
obrigatório — de remédios para tratamentos
crônicos ou prolongados e numerosas distorções.
Considerados tais problemas, é
pertinente lembrar a Declaração do Milênio,
aprovada em 2000 pelas Nações Unidas, que fixa
metas a serem cumpridas até 2015, para melhorar a
vida de todos os habitantes do planeta no século XXI.
Analisando o quadro nacional, não
muito diferente de outros emergentes, embora menos grave
do que na média das nações em desenvolvimento,
conclui-se não ser sem razão que, dentre
os oito compromissos das Metas do Milênio, três
digam respeito à saúde: reduzir em dois
terços a mortalidade infantil; diminuir em 75%
as taxas de óbitos das mães; e combater
a Aids, malária e outras doenças endêmicas
e epidêmicas.
No contexto brasileiro, há
numerosos problemas interpostos ao cumprimento dos objetivos.
A Constituição de 1988 instituiu o Sistema Único
de Saúde (SUS), cuja meta era a cobertura universal,
que não se verifica, pelo menos com a excelência
mínima exigida. ( leia na íntegra em
http://www.mre.gov.br/)
Em princípios da década
de 90 ocorreu aguda crise no setor. As conseqüências
foram a queda na qualidade e na cobertura. Desse modo,
tornou-se importante o desenvolvimento da saúde
privada, não apenas para prestar atendimento a
parcela expressiva da população, mas também
no sentido de reduzir a demanda do SUS.
Segundo estatísticas oficiais,
os sistemas particulares atendem cerca de 40 milhões
de pessoas no País. Os preços não
são acessíveis aos demais 150 milhões
de brasileiros. Esses números mostram que, embora
a saúde seja dever do Estado, a sociedade não
pode omitir-se no enfrentamento do problema. Fica
clara, então, a importância do trabalho
de instituições do Terceiro Setor que atuam
na saúde, na prevenção, melhoria
da qualidade de vida dos pacientes, mobilização, inclusive jurídica,
para o respeito ao marco legal, articulação
de pesquisas, estudos e apoio às famílias.
Felizmente, conforme demonstra estudo do Gife (Grupo
de Institutos, Fundações e Empresas), 462
mil empresas, ou algo em torno de 59% do total existente
no País, afirmam realizar ações
de responsabilidade social. Isto é muito positivo.
Contudo, é curioso observar
que os programas ligados à saúde estejam
entre aqueles que, proporcionalmente, ficam com o menor índice
de verbas: 54% das empresas investem em assistência
social; 41%, em alimentação; 19%, educação
e alfabetização; 19%, desenvolvimento comunitário.
Somente 17% investem na saúde, que empata com
esportes e fica à
frente apenas da cultura, com 14%. Para melhor entender essa
distribuição de recursos é preciso ficar
claro o fato de algumas organizações atuarem
em mais de uma área.
Há muito o que fazer! Faltam
apenas oito anos para 2015. Este é o tempo que
temos para responder ao mundo se somos ou não
capazes, como nação, de honrar a assinatura
que pusemos no documento das Metas do Milênio.
Merula Steagall é presidente
da ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma
e Leucemia) e ABRASTA (Associação Brasileira
de Talassemia)
NÃO DÁ PARA RESOLVER UM PROBLEMA
COM O MESMO RACIOCÍNIO QUE O CAUSOU
ALBERT EINSTEIN
SAÚDE PÚBLICA OU PRIVADA:
UM DESCASO BRASILEIRO!
CLÁUDIO
BORIOLA
Fila, demora no atendimento, falta
de médico! Essa é a real situação
da nossa saúde pública no Brasil! O que
fazer se um dia a enfermidade nos chegar? Correr para
as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Hospitais
Públicos em geral é complicado!
Pacientes sendo atendidos no chão,
no corredor, em macas improvisadas! Um verdadeiro descaso
ao ser humano pagador de impostos!
Infelizmente, com o salário
“digno” que a maioria recebe, não dá mesmo para se
ter uma boa condição de sobrevivência, pois, depender do
que é público, é viver mesmo jogado como se fosse um lixo
qualquer!
Mas, o que fazer então para
se ter uma vida digna e com respeito? Pagar um convênio
médico? Bom se fosse apenas isso!
As taxas de convênios médicos
estão cada vez mais nos sufocando! Quanto maior
a nossa idade, maiores são as taxas! Exatamente
no momento em que mais se precisa de um bom atendimento,
na fase da terceira idade, que sentimos na pele, ou melhor,
no bolso, o salgado preço de uma sobrevivência!
Mas, no que adianta ter hoje em
dia um plano de saúde? Em partes, “tudo
nos adianta”!
Dias desses, um amigo nosso precisou
correr para a emergência, chegando lá, não
poderia ser diferente, ou seja, demora na recepção
e um péssimo atendimento médico. Precisou
até que ensinar o profissional da saúde,
sobre o que poderia se fazer para amenizar o problema,
pois, se deixasse para o tal, o mesmo sairia do hospital
com os mesmos sintomas.
Não solucionando a questão,
o amigo precisou buscar auxilio de um profissional especializado,
e para sua surpresa, não havia espaço na
agenda, precisou esperar 15 dias para ser consultado.
E, se não bastasse toda essa demora, a consulta
estava marcada para as 17h30 e o atendimento foi acontecer
somente as 20h30, portanto, três horas de espera!
No Brasil é assim, o descaso
acontece no setor público, no setor privado ou
em qualquer lugar! Até quando teremos que tolerar
todo esse descaso? Até quando o governo só vai
arrecadar e não fazer nada? Até quando
o Congresso apenas vai discutir questões de interesse
próprio? Até quando? Até quando?
Perguntar é fácil! O difícil é
encontrarmos uma resposta se quer!
Como um cidadão aposentado
pode chegar a sua melhor idade com boa saúde se
o caos é total? Salário mínimo é de
fato como o nome mesmo diz, o mínimo! Uma questão
lamentável! Se é baixíssimo, como
o ser humano que trabalhou durante toda a sua vida pode
bancar as despesas de um plano de saúde? Uma questão
de se pensar!
O governo precisa tomar vergonha
na cara e parar de ficar aparecendo na mídia dizendo
que está tudo bem, tudo perfeito! E, nós
brasileiros precisamos reivindicar aquilo que é de
nosso interesse! Saúde de qualidade, é isso
que precisamos!
Cláudio Boriola é consultor Financeiro, Conferencista,
Especialista em Economia Doméstica e Direitos
do Consumidor. Fundador e Presidente da Boriola Consultoria
empresa criada há mais de treze anos.
MINISTÉRIO DA SAÚDE LIBERA
MEIO BILHÃO
PARA SOCORRER ESTADOS
O Ministério
da Saúde disponibiliza R$ 555 milhões em
recursos extras para atender às necessidades urgentes
de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal
a partir deste mês. A medida eleva para R$ 18,36
bilhões os recursos para alta e média complexidade.
Os primeiros
contemplados serão os estados de Pernambuco e
Alagoas que já
cumpriram as exigências necessárias e enfrentam
situação de crise na assistência de sua
população.
Os gestores
estaduais terão autonomia para aplicar o dinheiro
de acordo com as suas necessidades, como oferta de serviços,
credenciamento de leitos de UTI, serviços de cardiologia
e câncer, entre outros. Cada estado deverá explicar
e comprovar como serão utilizados os recursos,
o que deve estar de acordo com a organização
do atendimento a saúde dos municípios de
sua região.
Para
receber os recursos adicionais, os estados terão
elevados os respectivos tetos financeiros de assistência.
O teto é o total de recursos que os estados podem
receber do Ministério da Saúde por procedimentos
realizados de média e alta complexidade. Ele é calculado
com base nos perfis populacionais e epidemiológicos.
Isso
significa que os novos recursos estarão disponíveis
não apenas para essa situação emergencial,
mas também para os próximos anos. A alta
complexidade responde por procedimentos que envolvem
alta tecnologia e/ou alto custo, como cardiologia, terapia
renal substitutiva e oncologia.
Já a
média complexidade tem o objetivo de atender os
principais agravos de saúde da população,
com procedimentos e atendimento especializados. São
serviços como consultas hospitalares e ambulatoriais,
exames e alguns procedimentos cirúrgicos. Assim,
o gasto com esse tipo de procedimento será elevado
de R$ 17,8 bilhões para R$ 18,36 bilhões.
RESPEITAR A OPÇÃO DO PRÓXIMO,
EM QUALQUER ASPECTO, É UMA DAS MAIORES
VIRTUDES QUE UM SER HUMANO PODE TER.
LIMITE DE TOLERÂNCIA
LUCIANO
PIRES
Anos atrás participei do
lançamento de um produto para o mercado de autopeças.
Era um conjunto satélite-planetária para
os caminhões Mercedes-Benz, composto por engrenagens
sofisticadas que funcionam dentro do eixo diferencial.
Não demorou para começarmos a receber reclamações
de campo. Nosso conjunto era “duro”. Os mecânicos
montavam e ele não girava com a mão, ficando
travado. Fomos sondar com os engenheiros da fábrica
e veio a explicação: limite de tolerância.
Toda engrenagem sai da linha de produção dentro
de limites máximos e mínimos de dimensões. É coisa
de fração de milímetros. Essa variação é chamada
de
“tolerância”. Qualquer peça dentro do limite de tolerância é considerada
“normal”. Acontece que, quando você acopla duas engrenagens
produzidas nas dimensões máximas do limite da tolerância,
o conjunto fica muito apertado. Fica
“duro”. O oposto também é verdadeiro, com o conjunto
ficando “mole”. No entanto, dimensionalmente está tudo correto.
O lance da tragédia da TAM me parece igual: as peças
individuais estavam dentro dos limites de tolerância.
O reversor desativado estava no limite da tolerância,
a pista curta estava no limite da tolerância, a falta
de ranhuras estava no limite da tolerância, a chuva
estava no limite da tolerância, a quantidade de passageiros
dentro do avião estava no limite da tolerância,
a
área de escape estava no limite da tolerância. Resultado da mistura
dos limites de tolerância: tragédia.
No entanto, os técnicos continuam dizendo que tudo
estava dentro do “normal”. Aquela história
de que o “livro da Airbus diz que o reversor pode ficar
inativo por até dez dias”, é inesquecível.
Dizem que também foi assim com o fatídico buraco
do Metrô, também em São Paulo: tudo certinho,
dentro dos limites de tolerância. Desabou.
Nestes nossos dias de tecnologia quântica combinada
com gerenciamento capenga, parece que jamais conseguimos
ter a visão do todo. Cumprimos o que “o livro”
diz, fazendo nossa parte, satisfeitos por estar dentro da
normalidade. No limite da tolerância...
Igualzinho ao gerente de finanças que corta todas
as despesas “supérfluas”, mesmo que destrua
reputações, processos e relacionamentos. O
resultado é um desastre, mas o papel dele foi cumprido à risca...
Igualzinho ao arquiteto que projeta um banheiro sem janelas.
O resultado é um horror, mas o banheiro ficou lindo!
Igualzinho ao advogado burocrata que cria dezenas de procedimentos
e pareceres, liquidando com a capacidade de ação.
O resultado para quem quer fazer acontecer é terrível,
mas o advogado cumpriu a função dele direitinho.
Igualzinho ao executivo que serve barrinhas de cereais no
serviço de bordo. O serviço é horrível,
mas a redução de custos é ótima.
Igualzinho ao juiz que manda soltar o criminoso, cumprindo
sua função de seguir à risca uma legislação
torta. Igualzinho a autoridade que cria normas impedindo
que os maus alunos sejam reprovados. O resultado é desastroso
para a sociedade, mas ela cumpriu seu dever: nunca antes
neste país tivemos um nível tão alto
de aprovação escolar...
E você deve conhecer mais
dezenas de exemplos da aplicação do “limite
de tolerância”, não é? Pois
sabe o que é
mais louco? É que a maioria absoluta dos que agem
no “limite da tolerância” é
composta de gente honesta,
esforçada, bem intencionada
até. Gente que é premiada por exercer suas
funções direitinho, reduzindo os custos
até os limites que o livro determina.
Enquanto nossos medíocres
dirigentes, executivos e catedráticos olharem
apenas para os componentes, sem olhar para o sistema,
sem entender as relações de causa e efeito
entre os limites de tolerância, teremos isso que
está aí: tudo certinho, resultando em tragédias.
Tá na hora de questionar esses limites. Se não
o limite de tolerância da tecnologia, ao menos o da
nossa paciência.
Luciano Pires é jornalista,
escritor, conferencista e cartunista. Faça parte
do Movimento pela Despocotização do Brasil,
acesse www.lucianopires.com.br.
TOLERÂNCIA ZERO
A paciência dos passageiros
se esgotou. Nem o pacote anunciado pelo ministro Nelson
Jobim contra a crise aérea se revela suficiente
para conter a mobilização popular em busca
de mais segurança e melhores serviços nos
vôos.
A Associação Brasileira
dos Parentes de Vítimas de Acidentes Aéreos
aumenta a pressão sobre as empresas do setor.
Em três frentes: ações individuais
contra Denise de Abreu, diretora da Agência Nacional
de Aviação Civil, por danos morais; elevação
no valor do seguro a ser pago por dano ou morte; boicote
geral aos vôos previstos para o dia 18, em todo
o país. (sinopse de matéria do
Jornal do Brasil)
SOBE!
PEDRO
SIMON
Quando ingressei na vida pública,
há cinco décadas, eu apertei o botão
de subida do elevador da política, no seu sentido
mais puro. E ele subiu. Parou em muitos andares. Abriu
e fechou.
Muitas vezes, parecia que as portas
emperravam, presas a grades e a paus-de-arara. Mas, mesmo
assim, abriam-se, com o esforço de todos os passageiros.
Havia uma voz, que anunciava cada etapa dessa nossa subida,
na busca do destino almejado por todos nós. "Liberdade", "democracia",
"anistia", "diretas-já". Não era uma voz
interna. Ela vinha das ruas, e ecoava de fora para dentro.
Vi gente descer e subir, em cada um dos andares deste edifício
político. Comigo, subiram Ulysses, Tancredo, Teotônio.
Já nos primeiros andares, vieram Covas, Darcy, Fernando
Henrique. Mais um ou outro andar, Lula, Dirceu, Suplicy.
Outros mais, Marina, Heloísa.
De repente, o elevador parou entre dois andares. Alguém
mexeu, indevidamente, no painel. Parece que alguns resolveram
descer e fizeram mau uso do botão de emergência.
O Covas, o Darcy, o Ulysses, o Tancredo, o Teotônio
já haviam chegado a seus destinos.
Sentimos, então, uma sensação de insegurança
e de falta de referências. Apesar dos brados da Heloísa,
parecia que nada poderia impedir a nossa queda livre. A cada
andar, uma outra voz, agora de dentro para fora, anunciava,
num ritmo rápido e seqüencial: "PC", "Orçamento",
"Banestado", "Mensalão", "Sanguessugas",
"Navalha", "Xeque-Mate". Alguns nomes, eu nem consegui
decifrar, tamanha a velocidade da descida.
E o elevador não parava. Nenhuma porta se abria. Haveria
o térreo, de onde poderíamos, de novo, ganhar
as ruas. É que imaginávamos que seria o fundo
do poço do elevador da política. Qual o quê,
não sabíamos que o nosso edifício tinha,
ainda, tantos, e tão profundos, subsolos.
Daí, a sensação, cada vez mais contundente,
de que o baque seria ainda maior. Quantos seriam os subsolos?
Até que profundezas suportaríamos nessa queda
livre?
Mais uma vez de repente, o elevador parou, subitamente. Uma
fresta, uma sala, uma discussão acalorada. Troca de
insultos. Uma reunião da Comissão de Ética
da Torre Principal do Edifício.
O Síndico teria pago suas contas pessoais com o dinheiro
do Condomínio, através do funcionário
do lobby de um outro edifício. E, por isso, teria,
também, deixado de pagar pelos serviços de
manutenção do elevador. Mais do que isso, o
zelador também não havia recebido o seu sagrado
salário, para o pão, o leite, a saúde
e a educação da família. Idem o segurança.
Mas, havia algo estranho naquela reunião: os representantes
dos condôminos, talvez por medo de outros sustos semelhantes,
em outros solavancos do elevador, defendiam, solenemente,
o Síndico.
Ninguém estava interessado em avaliar a veracidade
das suas informações. Nem mesmo as contas do
Condomínio. Queriam imputar culpa ao zelador e ao
segurança. Ou, quem sabe, teria o tal Síndico
informações comprometedoras, gravadas nos corredores
soturnos do edifício, a provocar tamanha ânsia
solidária? Não se sabe, mas, tudo indica, isso
jamais será investigado, enquanto vigorar a atual
Convenção de Condomínio.
Há que se rever, portanto, essa Convenção.
Há que se consertar esse elevador. Há que se
escolher um novo ascensorista. Há que se eleger um
novo síndico. Há
que se alcançar o andar da ética.
A voz das ruas tem que ecoar, mais alto, nos corredores deste
edifício. A voz de dentro, parece, insiste em continuar
violando os painéis de controle. Até
que não haja, mais, subsolos. E, aí, o tal
baque poderá ser irreversível. Não haverá salas
de comissões de ética. Porque não haverá,
mais, ética. Quem sabe, nem mesmo, edifício.
Pedro Simon é senador pelo
(PMDB-RS) Este é seu artigo semanal para o BlogdosBlogs-(
http://blogdosblogs.blogspot.com/) um dia depois de ir
ao plenário pedir que seu colega de partido, o
presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), renunciasse
ao cargo.
DE TANTO VER TRIUNFAR AS NULIDADES,
DE TANTO VER PROSPERAR A DESONRA, DE
TANTO VER CRESCER A INJUSTIÇA,
DE TANTO VER AGIGANTAREM-SE OS PODERES NAS
MÃOS DOS MAUS, O HOMEM CHEGA A DESANIMAR DA VIRTUDE,
A RIR-SE DA HONRA, A
TER VERGONHA DE SER HONESTO
RUI BARBOSA
PEDIDO FEITO
O neto de Ruy Barbosa, Alfredo Ruy
Barbosa, tomou a iniciativa de pedir a retirada do busto
do seu avô do plenário do Senado.
OBITUÁRIO I
O Ministro da Agricultura, Florestas
e Pesca japonês, Toshikatsu Matsuoka, se enforcou
após denúncias de suposto uso indevido
de dinheiro público. Ele chegou a ser levado ao
hospital com parada cardíaca, mas não resistiu.
Fonte: EFE
OBITUÁRIO II
Faleceu o empresário Armando
Valles, da conhecida Casas Turuna, especializada em máscaras
carnavalescas com rosto de políticos. Ao morrer,
estava trabalhando na máscara de Renan Calheiros,
que acreditava que seria um grande sucesso.
CONVITE E SUGESTÃO
A revista Playboy convidou o senador
Renan Calheiros para dar uma entrevista na mesma edição
do ensaio de Mônica Veloso, sua ex-namorada.
Um colega do presidente do Senado
acha que seria melhor se a revista aceitasse que Renan
posasse para o ensaio e Mônica desse a entrevista.
A FAVOR DO BRASIL
A Ordem dos Advogados do Brasil –
Seção de São Paulo que organizou o Movimento
Cívico pelo Direito dos Brasileiros, informou que
este não é
uma manifestação político/partidária,
mas sim um ato cívico de cidadania e de amor ao Brasil
dentro dos limites previstos em um regime de democracia. É um
movimento a favor do Brasil.
O um minuto de silêncio, do
dia 17 de agosto, às 13 horas, um mês após
o acidente com o avião da TAM. Em São Paulo,
o ato público será em frente ao prédio
da TAM Express, em Congonhas, é
uma ação que incentiva a população
brasileira a demonstrar solidariedade e indignação,
de uma forma pacífica, equilibrada e organizada, frente à realidade
do País - com dois trágicos acidentes aéreos,
corrupção, carga tributária, impunidade,
criminalidade, criança abandonada, insegurança
jurídica - questões que extrapolam mandatos,
governos, partidos ou ideais políticos.
O Movimento apenas pretende lembrar
a população que cidadania não é algo
que se exerce apenas pelo voto, de quatro em quatro anos. Cada
um de nós pode e deve se manifestar por meio dos
canais previstos em um regime democrático.
O Movimento Cívico pelo Direito
dos Brasileiros conta com o apoio de
um site na internet – www.cansei.com.br. Nele, o internauta poderá fazer
comentários.
BIBLIOTECA VIRTUAL SOBRE CORRUPÇÃO
Biblioteca Virtual sobre Corrupção
, www.bvc.cgu.gov.br é um
projeto da Controladoria-Geral da União (CGU)
em parceria com o Escritório das Nações
Unidas contra Drogas e Crime (Unodc). Trata-se de um
instrumento de livre acesso, cujo objetivo é promover
a pesquisa e a divulgação de informações
sobre corrupção e áreas afins. O
acervo é atualizado diariamente.
TEMPO QUE FOGE
RICARDO GONDIM
Contei meus anos e descobri que
terei menos tempo para viver daqui para frente do que
já vivi até agora. Sinto-me como aquele
menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras,
ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos
inflados. Não tolero gabolices.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem
prazos fixos para reverter a miséria do mundo.
Não vou mais a workshops onde se ensina como converter
milhões usando uma fórmula de poucos pontos.
Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana
com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis
para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares
e regimentos internos. Não gosto de assembléias
ordinárias em que as organizações procuram
se proteger e perpetuar através de infindáveis
detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres
de pessoas, que apesar da idade cronológica, são
imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio
avançando em reuniões de "confrontação",
onde "tiramos fatos a limpo".
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram
pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas,
detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções
da Bíblia. Não quero ficar explicando porque
gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras,
só porque há um grupo que a considera hermética.
Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto
final!
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "As
pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar explicando aos
medianos se estou ou não perdendo a fé porque
admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes;
a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis,
Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos, não se considera
eleita para a "última hora"; não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.
Ricardo Gondim é cearense, ávido
leitor e avô de três netos e corre maratonas.
FARMÁCIA NÃO É LOJA
DE CONVENIÊNCIA
O Conselho Regional de Farmácia
de São Paulo, que defende a farmácia como
legítimo estabelecimento de saúde, é
favorável à Consulta Pública 69, lançada
recentemente pela Anvisa, com o objetivo de restringir as
vendas em farmácias e drogarias exclusivamente a medicamentos
e artigos de higiene.
A comercialização
de produtos como biscoitos, guloseimas e refrigerantes,
tal como ocorre em lojas de conveniência, fere
os princípios éticos da profissão
farmacêutica e não colabora para a imagem
da farmácia como estabelecimento de promoção
e recuperação da saúde.
A lista de produtos que não
devem ser vendidos em farmácias, presente na Consulta
Pública, reproduz a relação elaborada
pelo próprio CRF-SP para o Manual de produtos
não relacionados à
saúde, material que serve como diretriz para Vigilâncias
Sanitárias de diversos municípios e Estados.
Afirmar que a retirada de produtos,
alimentos e bebidas acarretará prejuízos
aos proprietários de farmácia e drogarias é uma
alegação que privilegia interesses comerciais
em detrimento do interesse público, ou seja, da
promoção e da proteção da
saúde da população.
A lei federal 5991, de 17 de dezembro
de 1973, é clara ao esclarecer que a drogaria é um
"estabelecimento de dispensação e comércio de drogas,
medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais".
A lei define ainda o que é correlato, e de acordo com essa definição,
fica claro que alimentos em geral, bebidas, carvão, brinquedos, entre
outros, não se caracterizam como tal.
As leis estaduais e municipais que
permitem a venda desses produtos são inconstitucionais
e têm sido objeto de representação
perante o Ministério Público, pois, em
momento algum a lei federal dá autonomia para
estados e municípios legislarem sobre o comércio
de qualquer outro tipo de produto que não esteja
relacionado à saúde.
O CRF-SP não concede Selo
de Assistência Farmacêutica, nem o Certificado
de Regularidade (indispensável, por exemplo, para
compra de medicamentos, fracionamento etc) para estabelecimentos
que comercializem produtos alheios. Denúncias
sobre este tipo de venda podem ser feitas para o e-mail denuncia@crfsp.org.br.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA FARMÁCIA
O CRF-SP também apóia
a prestação de serviços nas farmácias
e drogarias como aplicação subcutânea,
intramuscular ou intradérmica de medicamentos
injetáveis, inalação ou nebulização,
medição e monitoramento de pressão
arterial, medição de temperatura corporal
e medição/monitoramento de glicemia capilar,
como prevê também a Consulta Pública
69. Neste sentido, defende a importância da prestação
de tais serviços nas farmácias e drogarias,
tanto pelas vantagens proporcionadas à população,
na facilidade de acesso e adesão aos tratamentos,
como pelo resgate da importância do papel do farmacêutico
como agente de saúde. A entidade enviará sugestões
pontuais à Anvisa para a prestação
adequada de tais serviços.
Fonte: Site: www.crfsp.org.br
O QUE FAZER COM A ANTECIPAÇÃO
DO 13º SALÁRIO
Os aposentados e pensionistas do
INSS sempre são alvos de créditos oferecidos
por bancos e financeiras em geral. Desta vez, o motivo
que faz com que as instituições fiquem
de “olhos” bem ligados a essas pessoas é quanto à antecipação
do 13º salário.
Neste caso, é preciso cautela
quanto ao recebimento desse benefício de maneira
antecipada. Antes de gastá-lo,
é necessário ter consciência de que além dos gastos
do final do ano, em janeiro, fevereiro e março do próximo ano
terão muitas outras contas a serem pagas, tais como: IPVA, reajustes
de planos e serviços etc”, alerta o consultor financeiro, especialista
em economia doméstica e direitos do consumidor, Cláudio Boriola.
A antecipação de 13º salário é uma
opção de crédito fácil para
quem tem conta-salário em determinadas instituições
financeiras, ou para quem é aposentado ou pensionista
do INSS e recebe os benefícios nas tais instituições. “Para
o recebimento do benefício de forma antecipada, é
descontado alguns valores, por exemplo, os juros que variam
em torno de 3% ao mês. Em relação a esse
fator principalmente, o cidadão tem que verificar
os encargos descontados e analisar se de fato vale a pena
solicitar a antecipação ou esperar chegar a época
certa para o saque”, orienta Boriola.
De acordo com o especialista, é
preciso se preparar para enfrentar todas as despesas, para
isso, investir o 13º
da melhor forma é essencial. “Estamos diante
de muitas influências e atrativos de consumo, são
promoções de “grandes” formas de
pagamento que estimulam nosso consumo e nos fazem gastar
além do que podemos”, comenta.
Segundo ele, um bom investimento
para o 13º é aproveitar esse dinheiro e pagar
dívidas com desconto.
Em meio a milhões de endividados
sempre existe aquele que está com suas contas
em dia, neste caso, o consultor recomenda fazer um investimento. “Felizmente
temos aqueles que não têm dívidas,
portanto, aplicar esse dinheiro em alguma transação
bancária é uma boa alternativa, afinal,
para alcançar um grande sonho no futuro é preciso
começar hoje”, recomenda.
Ainda de acordo com o especialista,
todos precisam ter em mente que comprar a vista é o
melhor investimento.
“Com o dinheiro nas mãos podemos lutar por melhores produtos e
receber grandes descontos. O consumidor quando tem o dinheiro nas mãos,
possui o poder de barganha, ou seja, dita as regras do jogo.
Hoje temos uma
economia em crescimento, as vendas ainda estão fracas, as lojas certamente
farão boas propostas e descontos quando encontrarem consumidores dispostos
a comprar e principalmente, pagar a vista”, ressalta Boriola – Fabrício
Andrade
Fonte: Boriola Consultoria
A VOZ DO USUÁRIO
Muitos usuário nos perguntaram
sobre como saber se os aumentos em seus planos de saúde
estavam dentro dalei ou eram abusivos. Quem responde é Proteste – Associação
Brasileira de Defesa do Consumidor
Os planos particulares podem acompanhar
a economia ou um percentual limitado pela ANS. Tudo depende
da data em que você assinou o contrato.
Hoje, os reajustes dos planos de
saúde individuais são definidos conforme
a data da assinatura do contrato. Desde 1995, os contratos
com duração de um ano ou mais somente podem
sofrer um reajuste anual. Esse reajuste deverá ser
baseado em índice oficial da inflação
ou em custos específicos do setor. O índice
deve estar definido no contrato.
Se o contrato foi assinado depois
de janeiro de 1999, data de publicação
da Lei dos Planos de Saúde, fica a critério
da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) fixar um limite para os aumentos e estabelecer
critérios para reajuste dos planos privados de
assistência a saúde.
O site da ANS (www.ans.gov.br) divulga esse índice todos os anos. Para este ano,
o reajuste máximo autorizado pela agência
para os planos assinados após janeiro de 1999
foi de 5,7 %. Caso as operadoras de plano de saúde
não cumpram com o limite imposto ficam sujeitas
ao pagamento de multas de até R$ 700 mil.
Há ainda o reajuste por mudança
da faixa etária. Todos eles deverão ser
informados de forma clara e precisa, no boleto de pagamento,
descrevendo não só o percentual autorizado
como também o número do ofício da
ANS que autorizou o reajuste aplicado (se for o caso),
o nome e o código do plano, e o número
de registro do plano.
A regra dos contratos assinados
após janeiro de 1999 também se aplica aos
contratos que foram assinados antes desta data, mas que
tenham sido adaptados a nova legislação.
Se o reajuste aplicado ao seu contrato
de plano de saúde não seguiu a essas regras
denuncie à ANS (0800-7019656) e informe-se junto
ao nosso serviço de orientação ao
associado sobre a melhor maneira de agir para assegurar
seus direitos.
FONTE: http://www.proteste.org.br/map/src/449941.htm
ESPAÇO MAIOR
Este é um espaço
que abrimos aos nossos colaboradores, usuários
e profissionais competentes, que queiram colocar suas
opiniões e sua experiência ao alcance de
todos. Apesar de não termos responsabilidade sobre
os artigos, só publicaremos aqueles que achamos
ser de interesse do nosso público alvo, pessoas
da terceira idade e as que estão envelhecendo
BOA HORA PARA FAZER JUSTIÇA
MILTON
DALLARI
O governo federal se acostumou a
dar explicações sobre os problemas com
pensões e aposentadorias, reajustes anuais e o
recadastramento dos beneficiários da Previdência
Social.
Qualquer declaração
mal colocada de um ministro vira um pandemônio,
gerando desgaste no Planalto e deixando no ar a sensação
de que pouco está sendo feito pelo setor. A verdade é que
o salário baixo dos aposentados vem sendo depreciado
por anos a fio. E o déficit acumulado com o pagamento
de aposentadorias e pensões não pára
de crescer.
Como se vê, não há realmente
muito que se comemorar entre aqueles que passaram dos
65 anos e têm o direito de ingressar com o pedido
de aposentadoria.
Mas nem tudo é notícia
ruim no setor. Recentemente, o presidente Lula assinou
uma medida provisória, já
aprovada pelo Congresso Nacional, que garante o pagamento
de uma pensão mensal aos portadores de hanseníase,
doença que popularmente ficou conhecida como lepra.
A iniciativa se estende a quem viveu
uma parte da vida
em hospitais-colônia. A
quantia de R$ 750 deve ajudar muita gente a tocar sua vida adiante
sem ter que ficar pedindo dinheiro emprestado aos familiares
e vizinhos. A medida deve beneficiar mais de três mil
pessoas.
A hanseníase é uma
doença contagiosa que pode provocar deformações
no corpo se não houver tratamento adequado. Seus
primeiros registros médicos aparecem na China,
por volta do ano
2600 AC
. A chegada à Europa teria ocorrido mais tarde, junto com as
tropas do famoso conquistador Alexandre, o Grande. Durante
a época das Cruzadas, entre os séculos XI e
XIII, a doença se disseminou pelo continente. A lepra,
como era conhecida popularmente, atingia as camadas mais
pobres da população, o que acabou transformando
o termo leproso em vocábulo pejorativo.
No Brasil, os primeiros registros
da doença datam do final do século XVII.
A partir de 1930, o governo decide internar os doentes
em hospitais-colônia para evitar o contágio
da população e tentar acabar definitivamente
com a doença no país.
Ainda hoje é possível
encontrar o que sobrou de algumas unidades pelo interior
de São Paulo. Os prédios para atendimento
hospitalar ficavam distante das colônias onde os
doentes moravam. Em alguns casos, chegou-se a instalar
teatros e até cinemas para atender aos doentes
de hanseníase.
Em meados da década de
60, a
medicina começou a conhecer melhor a doença e a desestimular
esse tipo de internação em vários países
do mundo. O tratamento à base de remédios evoluiu
bastante e a doença já tem cura.
O gesto do governo em pagar uma
pensão
às pessoas que passaram por essas instituições é um
avanço em nossa sociedade. E não quero parecer exagerado.
Esses
novos pensionistas sofreram com o preconceito por décadas, sendo que
muitos foram alijados da convivência com as pessoas de que mais gostavam
somente para atender à política de saúde governamental.
Agora é hora de devolver alguma coisa a eles. E fazer Justiça,
mesmo que tardiamente.
Milton Dallari é consultor
empresarial, engenheiro, advogado e presidente da Associação
dos Aposentados da Fundação Cesp. O e-mail
para contato é o miltondallari@terra.com.br.